Não necessariamente nesta ordem! Mas, simultaneamente, he, he, he!
É que duas exposições que se complementam, estão acontecendo nos dois mais importantes museus da cidade de Montreal - o Musée de Beaux-Arts e o Musée d'art Contemporain (MAC). E complementam-se por terem como tema a importância da música pop e do rock nas artes.
A primeira - do MAC - chama-se Sympathy for the Devil: Art and Rock and Roll since 1967 . E a segunda - Warhol live - é sobre a centralidade e a influência da música na obra de Andy Warhol.
Ainda que o MAC traga propostas artísticas bacanas, diversificadas, abrangendo de pinturas a videoclipes - que inclui até um coletivo brasileiro contemporâneo, sediado em Nova York, sem nome, que se diz influenciado por Oiticica e Tropicália - foi mesmo a de Warhol que me impressionou mais fortemente. Pois, quando a gente pensa que já conhece a obra do grande nome do pop pelos mais explorados ângulos, eis que surge esta curadoria totalmente inusitada, com uma idéia genial porque óbvia.
O argumento é mais o menos o seguinte - uma das poucas expressões artísticas que Warhol não explorou é a música. Entretanto, ele respirava e se inspirava na música e sem ela - a música - sua obra não teria a força e a relevância que tem. Caramba!Mas é claro, como ninguém pensou nisto antes!!.
Tem uma sala só dedicada aos retratos que ele fez de Mick Jagger. De chorar de emoção, se vc é Stone-maniáco. Outra, que me fez voltar três vezes - dedicada a umas 50 capas de discos que ele fez ao longo da carreira, com discos mais do que históricos ...dos próprios Rolling Stones e mais um bando de coisas bacanas que eu não sabia que eram dele.
Tem uma sala só dedicada aos retratos que ele fez de Mick Jagger. De chorar de emoção, se vc é Stone-maniáco. Outra, que me fez voltar três vezes - dedicada a umas 50 capas de discos que ele fez ao longo da carreira, com discos mais do que históricos ...dos próprios Rolling Stones e mais um bando de coisas bacanas que eu não sabia que eram dele.
Tem ainda as entrevistas em vídeo do Programa de Televisão que ele fazia com "celebridades" do pop. Paredes enormes dedicadas a vídeos e fotos do Velvet Underground - a banda mais do que legendária que ele empresariou e que lançou o Lou Reed, a Nico e o Cale. Fotografias que ele fez de meio mundo do pop nos anos 80, onde surgem, ainda babies, gente como Madonna. Michael Jackson, Sting...
E quando a gente pensa que acabou, a sala final recria o ambiente do Studio 54, a discoteca nova iorquina que era a segunda casa dele, com uma trilha sonora de clássicos e obscuros sons dos anos 80.Matadora!
A exposição é muito densa, cheia de informações e merece mais de uma visita. Mas, o que mais me tocou foi refletir sobre a centralidade e a poesia do pop. Não falo da "arte pop" que classifica as obras do próprio Warhol. Mas da música pop como o melhor veículo para a tradução do século que vivemos (o XX) - efêmero, banal, passional, superficial, erótico, dionisíaco, destruidor, arrebatador. E, Warhol merece o título de "o artista pop" do século, pois captou esta energia como poucos. Fica claro, vendo esta exposição, que a frase (do Deleuze, acho) sobre a densidade do superficial (não é esta a frase, mas algo parecido) faz sentido.
Me lembro de uma outra exposição - mega - que vi no Brasil com a obra de Warhol.No Centro Cultural do Banco do Brasil, acho. Por conta disto, não custa torcer pra que esta também faça um turismo pela América do Sul e apareça em algum de nossos museus bacanas do Rio. Vou torcer, mas enquanto isto, confiram os sites dos museus daqui de Montreal.
PS - Simone Sá, citando Deleuze, quem diria!! Acho que são os ventos francófonos, de acento quebecoise, aqui da cidade. Mas, calma aluninhos, não fiquem aflitos pois, reparem que nem citei a frase completa (!!!).