É uma pena que o livro “A Casa Edison e seu tempo”, de Humberto M. Franceschi, esteja esgotado. Mesmo em sebos é complicado encontrar um exemplar, que chega a custar 200 reais!!! Mas o preço vale a pena, pois o livro, além de trazer nove CDs com os registros originais das primeiras músicas gravadas no país, que eram feitas em cilindros para tocarem nos fonógrafos, traz também as partituras das músicas, com seus arranjos originais, como é o caso do choro Rosa, de Pixinguinha.
O mais interessante do livro são os detalhes sobre a trajetória da materialização do som e sua distribuição industrial, que começou com os cilindros, depois com os discos de cera até chegar ao vinil. Além disso, fala da história das gravadoras e dos selos de discos mais importantes da história da indústria fonográfica, como o selo Odeon, o primeiro do Brasil criado pela Casa Edison, a primeira gravadora em terras brasileiras criada em 1902 e que sobreviveu até 1932. Além disso, há um capítulo dedicado à história da produção dos discos, detalhando a questão dos materiais usados na fabricação e também a forma como foram comercializados.
São 300 páginas ilustradas que nos dão idéia de como era a prática de ouvir música naquela época, o início do século XX. Como nas fotos abaixo, que mostram o modelo de um fonógrafo e como se fazia para gravar o som. A pessoa tinha que chegar bem perto de uma “cornetinha” e praticamente gritar para que fosse capturada a voz. Isso porque o microfone só chegou em 1927. E, para ouvir, bastava colar o ouvido na “cornetinha”, de onde saía o som.
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| Como o fonógrafo era usado para gravação de som |
Há umas partes engraçadas, quando o autor narra que o fonógrafo foi usado comercialmente, pois Fred Figner, dono da Casa Edison, antes de comercializar os cilindros com as músicas, gravava cilindros com palavrões para entreter o povo. Então, entrar em contato com a “máquina falante”, como era conhecido o fonógrafo, virou entretenimento público. O livro conta que Figner enriqueceu cobrando ingressos para o público ouvir esses sons “toscos”, já que em apenas um mês de exibição da reprodução do som, Figner atraiu 4 mil pessoas que pagavam mil réis para ter a experiência de ouvir a gravação da voz humana.
Há um capítulo final, bastante raro e interessante, sobre a história dos direitos autorais, que mostra como se transformou aos poucos a relação das indústrias com os artistas, em virtude da nova função social que a classe artística ganhou ao longo dos anos, o que é resultado também de sua relação com o público.
