terça-feira, 19 de agosto de 2008

Imagens d'Além-Mar (I)

Outro dia convenci a mim mesmo de que, passados os quatro anos da minha pesquisa de doutorado sobre os intercâmbios musicais entre Brasil e Portugal, chegaria ao fim da saga de posse não apenas de uma tese acadêmica, como também de um romance ficcional e de um catálogo fotográfico. O catálogo, de certa forma, eu já tenho por onde começar. Revirando os meus arquivos, esbarrei com algumas imagens capturadas durante minha primeira visita a Portugal, entre março e abril de 2007 - ocasião que, num nível simbólico, marca a gênese da tese que agora se desenrola.

Ao rever as fotografias, curioso foi perceber como se revelam quase onipresentes as imagens que evocam passado, antigüidade, 'tradição' (senhoras vestidas de preto, o antigo casario de Lisboa, as ruas de Coimbra à noite), levando-se em conta que a pesquisa que nasceu dessa viagem se propõe, justamente, a questionar alguns dos estereótipos que associamos à cultura portuguesa, dentre eles a... onipresença das formas tradicionais!

Como são várias fotos, vou soltando aos poucos. A primeira leva corresponde à seção "Pessoas".

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5 6

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1. Évora, na saída de um café
2. Coimbra, à porta de uma Igreja
3. No trem a caminho de Évora
4. Os famosos varais, em Évora
5. Antiga mercearia em Lisboa
6. Subindo uma escadaria em Condeixa-a-Nova
7. Acordeonista e seu cachorro, na rua Augusta (Lisboa)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Games e Orkut na sala de aula

Contrariando as opiniões apocalípticas e as atitudes muitas vezes desconfiadas em relação às novas tecnologias de comunicação e informação, muitos professores têm enxergado seu potecial pedagógico e trazido a Internet e os jogos virtuais para a sala de aula. Dois exemplos com que tive contato recentemente - os dois em aulas de português/literatura - ilustram bem essa aliança da educação com a comunicação.

No Rio de Janeiro, um grupo de alunas de um colégio particular escolheu o game The Sims 2 para recontar o soneto "Estações", do livro "A Musa Diluída" (2006), de Henrique Rodrigues. O resultado ficou super interessante e foi postado no Youtube, como vocês podem ver abaixo.





As palavras do autor - que, inclusive, utiliza muito bem a Internet para fazer circular literatura, por meio de um site e de uma mala direta (para os que querem receber) do que poderíamos chamar de doses virtuais de poesia - sobre a releitura de sua obra aproximam mundos que muitos ainda julgam estar em lados opostos:

"De certa forma, esses exemplos servem para calar a boca dos maniqueístas que colocam de um lado a 'sociedade da imagem' e no outro extremo a que seria 'letrada', como se fossem auto-excludentes. Os leitores sempre sabem o que fazer, por isso se renovam.
Agradeço imensamente às jovens Isabela Dantas, Isabela Vitelli e Ingrid Tchao, copiadas aqui, pelo trabalho. Coisas simples e relevantes como essa é que fazem valer a pena ser escritor - atividade muitas vezes incompreendida ou romantizada".

O segundo exemplo foi uma atividade desenvolvida numa escola pública de Petrópolis. Os alunos tiveram que pesquisar sobre a vida e a obra de um escritor brasileiro e criar um perfil no Orkut como se fossem o próprio escritor. Aqui podemos ver o perfil do Monteiro Lobato. Uma variação da atividade é pedir aos alunos que leiam um livro ou um conto e criem perfis no Orkut como se fossem os personagens da história. Após criar os perfis, os alunos podem realizar inúmeras atividades, como organizar comunidades, fóruns e enquetes, explorando as características de cada personagem, o contexto em que as ações se desenvolvem e os temas presentes nas histórias.

Para terminar, proponho aos leitores que conhecerem exemplos de atividades semelhantes que deixem comentários no blog.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Podcast - Tom Waits

Aproveitando a fase Tom Waits que me acometeu faz umas três semanas – além de escutar compulsivamente TODOS os discos do Bardo, estou lendo uma coletânea de entrevistas do cara, intitulada Innocent when you dream - the collected interviews, prefaciada por ninguém mais ninguém menos do que Frank Black do Pixies e que, na ausência de uma biografia “oficial”, funciona que é uma beleza – resolvi inaugurar os podcasts do LabCULT, versão Anywhere.fm. Espero não apenas que funcione [risos], mas também que as faixas selecionadas representem uma escolha pouco óbvia em se tratando da vasta obra de Waits, pouco conhecida aqui no Brasil para além de “Downtown train” (e na versão de Rod Stewart, o que é pior).

Semana que vem tento o Myfleshfetish.com, dica do labcultiano Tiago Rubini.

Para vosso deleite, basta clicar aqui (de preferência abrindo outra aba ou janela do navegador, para que você possa continuar lendo o LabCULT ao som de Tom Waits...).

domingo, 10 de agosto de 2008

Para a malta da Sampa

Navagando pelas páginas da Revista Cinética (www.revistacinetica.com.br), descobri - com algum atraso, é vero - que desde o dia 30 de julho e até o dia 17 de agosto está rolando no Centro Cultural Banco do Brasil da capital paulista a mostra 'Os verdes anos do cinema português', dedicada à produção cinematográfica lusa gestada entre o início dos anos 60 e a metade da década seguinte. São filmes esteticamente arrojados, em sintonia não apenas com o movimento dos "Cinemas Novos" que se alastrava pela Europa, América Latina e Ásia, mas também com a efervescência política que imperava em Portugal num momento histórico em que o Salazarismo dava sinais de desgaste, o movimento pela independência das colônias em África se intensificava e a Revolução dos Cravos se anunciava às portas.

Como já é de praxe em se tratando de cinema português, os filmes a serem exibidos são inéditos, desconhecidos e quiçá ignorados em terras tupiniquins. Eis a programação, para os dias de mostra que ainda restam:

13 de agosto, quarta-feira

17h | O Mal-amado, Fernando Matos Silva, DVD, 100 min, 16 anos.
19h | Perdido por Cem, António Pedro Vasconcelos, 35mm, 105 min, 16 anos.

14 de agosto, quinta-feira

17h | O Recado, José Fonseca e Costa, DVD, 110min, 16 anos.
19h | Almada Negreiros, António de Macedo, 35 mm, 23 min, 16 anos + Domingo à Tarde, António de Macedo, 35mm, 90 min, 16 anos.

15 de agosto, sexta-feira

17h | A Promessa, António de Macedo, DVD, 94 min, 16 anos.
19h | Sofia e a Educação Sexual, Eduardo Geada, 35 mm, 101min, 16 anos.

16 de agosto, sábado

17h | Verdes Anos, Paulo Rocha, 35mm, 91 min, 16 anos.
19h | Perdido por Cem, António Pedro Vasconcelos, 35mm, 105 min, 16 anos.

17 de agosto, domingo

17h | O Cerco, António Cunha Telles, DVD, 115min, 16 anos.
19h | Uma Abelha na Chuva, Fernando Lopes, 35 mm, 75 min, 16 anos.


Vale lembrar que, simultaneamente à Mostra 'Verdes Anos', o CCBB da capital paulista apresenta também a exposição 'Lusa - a matriz portuguesa', que aterrisou na Cidade Maravilhosa (?) em fevereiro e, para o azar dos cariocas, não foi acompanhada por uma Mostra de Cinema que se revelasse adequada para celebrar o momento. Fica a torcida para que 'Os Verdes Anos do Cinema Português' migre para o CCBB do Rio o quanto antes. Se for no mês que vem, tanto melhor, porque aí seria o complemento perfeito pro ciclo Tela Lusitana: Cinema Português ontem e hoje, organizado por este que vos blogueia em parceria com a galera do Cinerama da ECO/UFRJ, a partir do dia 11 de setembro. Mais detalhes sobre esta mostra em breve, aqui neste espaço.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Feira em São Paulo mostra os "games sérios"

Começou hoje em São Paulo a edição 2008 da Universo Games, evento organizado pelo Senac-SP, que neste ano tem a proposta de apresentar e debater as novas profissões habilitadas pelos games, no mercado. Vale dar uma conferida no site da feira, que vai até o proximo dia 8 de agosto.
Dentre as inumeras mesas e debates agendados, é particularmente interessante destacar a abordagem acerca dos serious games. Estes jogos acenam para uma proposta que escapa da lógica inicial de diversão dos videogames e que vem aguçando meu interesse. São produzidos para uso no treinamento de pessoal, armando-se dos efeitos da simulação em ambientes digitais.
Esta nova janela nos mostra que os jogos eletrônicos representam um formato com efeitos ainda imensuráveis. E também direciona para um estilo de games em franca expansão, que deve ter a sua produção alavancada em breve.

*Créditos pro Lucas, que deu esta dica.

II Simpósio ABCiber - prorrogado período de inscrição de trabalhos


A ABCiber - Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura prorrogou o período de inscrição de trabalhos para participação nos painéis temáticos de seu II Simpósio Nacional, que será realizado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), no período de 10 a 13 de novembro próximo. Os textos, de 10 a 15 laudas, devem ser inéditos, e o tema é livre, vinculado a pesquisa em desenvolvimento e inserida no amplo âmbito de estudos da cibercultura.

Os resumos ampliados (3 laudas ou 10.800 caracteres) devem ser enviados para o e-mail cencib@pucsp.br até o dia 29 de agosto de 2008.

Mais informações no site do CENCIB (Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Comunicação e Cibercultura - PEPGCOS/PUC-SP).

sábado, 2 de agosto de 2008

"Would I see you tonight?"


É possível cortar os pulsos numa noite de sexta-feira e ser feliz? Cida Moreira, André Frateschi e Tom Waits provam que sim. A dupla (o trio?) fica em cartaz no teatro do Centro Cultural Solar de Botafogo até o próximo dia 9 com o espetáculo Canções para cortar os pulsos - a música de Tom Waits, uma homenagem sincera e encantadora ao Bardo da Sarjeta, cantor e compositor de inúmeros talentos mas injustamente pouco conhecido no Brasil. Durante pouco menos de duas horas, desfilam pelo palco melodias arrebatadoras como Downtown train, All the world is green, Tango till they're sore, Take it with me, e por aí vai. O repertório se concentra nos álbuns "Rain dogs", de 1985, "Frank's wild years", de 1987, e no recente "Mule variations", que rendeu a Waits uma indicação ao Grammy do ano de 1999.

Seria chover no molhado elogiar o tom sóbrio da encenação, que mesmo nos momentos de excesso é perfeitamente coerente com a obra do homenageado. Mas uma coisa que me agradou bastante foi o fato de Cida & André terem temperado cada acorde do show com o imenso carinho que sentem pela música de Waits, para além do fato (ou talvez justamente por causa disso) de ela ser considerada "estranha", "underground" ou "experimental". Amar o desviante é condição sine qua non para se tornar fã não apenas de Tom Waits, como também de outros tantos poetas tidos como "marginais" e que tematizam o mesmo universo, como Charles Bukowski. E as leituras hegemônicas que tendem a ser feitas tanto das canções do primeiro quanto dos versos do segundo me parecem pecar justamente pela ausência de afeto, como se aqueles personagens (e, por extensão, seus criadores) estivessem sendo observados à distância, por um cientista munido apenas de seu microscópio. O resultado costumam ser leituras que ressaltam unicamente o lado bizarro, extravagante e anormal daquele mundo, como se aquelas criaturas fossem incapazes de amar e serem amadas. Cida & André não. A proposta do espetáculo é levar o público a enxergar beleza no desvio e na distorção, e não a despeito delas.

Em determinado capítulo do Perfoming rites, ao discorrer sobre a importância da voz no contexto da música popular massiva, Simon Frith postula que há determinados artistas cuja identidade reside tão fortemente no modo como se utilizam da voz que tentar imitá-los nesse registro renderia um resultado, no mínimo, ridículo (pensemos em alguém tentando soar como Lou Reed, Leonard Cohen ou... Tom Waits). Penso que Frith poderia dar um pulinho no Solar de Botafogo semana que vem para conferir a performance de Cida Moreira e André Frateschi - enquanto Cida recria o estilo vocal do bardo retendo da matriz alguns poucos elementos fundamentais, o franzino André surpreende ao subir ao microfone e rugir guturalmente como apenas o próprio Waits faria, e tudo isso sem parecer forçado.

O serviço, então, pra quem quiser conferir:

Cida Moreira & André Frateschi
CANÇÕES PARA CORTAR OS PULSOS - A MÚSICA DE TOM WAITS
No Centro Cultural Solar de Botafogo
Rua General Polidoro, 180 (Tel.: 2543-5411)
De 31 de julho a 10 de agosto
Quinta a sábado às 21h30
Domingo às 20h
Ingresso: R$ 40; R$ 30 (com filipeta) e R$ 20 (meia-entrada).

terça-feira, 29 de julho de 2008

Cansei de Ser Impresso


A gravadora Trama Virtual está com um projeto de distribuição musical bem bacana. Seguindo a tendência dos álbuns de livre acesso, acaba de colocar "na rua" o mais novo disco dos queridinhos da crítica especializada; Cansei de ser Sexy. Donkey, segundo disco da banda brasileira de maior oba-oba lá fora está disponível para download gratuíto pelo site da gravadora. E mais, a Trama disponibilizou o encarte do disco para baixar ou apenas "folhear". Um recurso já bastante utilizado para revistas on-line permite que você visualize o encarte imitando os movimentos de passagem de página. O projeto que trás como nome "Álbum Virtual" é uma parceria entre a Trama e a Volkswagem, que nos últimos anos tem investido no público jovem. No site a propaganda do carro Gol anuncia o disco do CSS. A promoção é limitada e é necessário fazer um cadastro. Eu fiz, e tô curtindo o álbum... diferente da crítica estrangeira que vêm malhando o novo trabalho da banda. Mas deixo a crítica para o Lucas...