Como o povo do Labcult já sabe, estou em Montreal, trabalhando no Dep de Art History and Communications da Mc Gill como professora visitante 2008-20009. Tô aqui desenvolvendo minha pesquisa sob a supervisão do Jonathan Sterne. Pra quem não está ligando o nome à pessoa – é o autor do interessantissimo trabalho “The audible past” – figuraça muito gente boa, que merece um post à parte, posteriormente. E também no mesmo departamento do Will Straw – queridissimo amigo, que me acolheu muito bem por aqui.
Trabalhando é modo de dizer. Como o semestre só começa em fins de agosto e cheguei em julho, o que tenho feito mesmo, afora uma ou outra leitura acadêmica bacana (vou comentar depois aqui) - é o que um amigo chamou num e-mail de entretetnografia.
Pois, como o inverno é por demais gelado por estas bandas, os caras levam a sério o levissimo verão que têm (hj, por exemplo, tá uns 18 graus – um ge-lo! pro padrão carioca). E inventam uma cena cultural impressionante, emendando um festival no outro – com destaque para a música.
Logo na semana que cheguei, fui carregada por amigos para Quebec, a 200 km daqui. É que o aniversário de 400 anos da cidade iria ser comomorado com um show de Sir Paul Mc Cartney. De graça. No parque principal da cidade. Pensei em resistir ao convite – nem gosto tanto assim dele e sempre fui Rolling Stones - mas os jornais dos dias anteriores ao show só falavam de um assunto. O protesto de moradores defensores da “autêntica” cultura quebecoise, leia-se de origem francesa, que achavam o show de um inglês – mesmo sendo quem é - um acinte às tradições. Pois é, meu povo! Também aqui, a mesma discussão que agente tantas vezes tratou no Labcult, me perseguindo... Fiquei curiosa pra ver o desfecho e fui.
Cheguei no domingo de manhã e fiquei hospedada na casa da namorada local de um amigo. O show estava marcado para as nove da noite e durante o dia passeamos muito pela cidade – que para o noso padrão carioca parecia calmissima. (conforme as fotos acima).Ok, bares cheios, uma galera rock and roll veterana, com camisetas de Paul e até dos Beatles. Que tinha vindo, claramente, para o show. Mas, nada de tumulto e tudo que aconteceria se – imaginem assim uma Petrópolis – estivesse tendo o mesmo show. O mais encantador foi que o clima se manteve assim o dia inteiro. Saímos de casa a pé, quinze minutos antes da hora marcada, depois de tomar um vinho na maior calma, curtindo uma noite linda de verão. Sem stress!
Resumo da ópera – ou melhor, do rock. Um show maravilhoso, com Paul desfiando o repertório histórico, de Eleanor Rigby a Drive my car e outras pérolas. E ainda fazendo graça com os protestos, falando pequenas expressões em francês e ganhando a galera toda desde a primeira música. Todos pacificamente assitindo ao show de crianças de colo a velhinhos mais um monte de gente de bicicleta... gente de todas as idades. Sem fllanelinhas. Sem camelôs. Sem bebuns. Sem protestos quebecoises, a estas alturas já silenciados.
Sai do show pensando: peraí. Mentira que não gosto de Paul Mc Cartney. Primeiro que sempre gostei mais dele do que do John – este sim era chato mesmo ! Já Paul sempre foi pop como poucos sabem, consguem e podem se dar ao luxo de ser. Silly love songs, como no Brasil só Lulu Santos faz tão bem. E ele melhorou com a idade, sobrevivendo também a umas namoradas chatas (momento caras – deu no Jornal que daqui ele foi para uma viagem de carro com a namorada nova – que é americana – dirigindo pela lendária Route 66) e às cobranças que se seguiram ao fim da segunda bandas de rock mais importante do século XX .,depois dos Stones.- Ma-ra-vi-lho-so!!









