quinta-feira, 13 de novembro de 2008

“Novo” formato midiático para aparelhos celulares

Depois da Oi começar a investir em webcomics, como anunciado no blog semanas atrás, foi a vez de outra operadora de telefonia móvel se preocupar com a distribuição de conteúdo diferenciado para celulares.

A Claro lançou nesta semana a série "Rango e Charlote" no Minha TV, canal de vídeos da operadora. Trata-se de uma fotonovela. Isso mesmo! É o antigo formato midiático de sucesso em outros tempos aparecendo repaginado pelas novas tecnologias da comunicação.

Escrita e dirigida pelo publicitário Guilherme Verzoni, "Rango e Charlote" é uma combinação de ficção científica, romance e terror. Com cenários psicodélicos e figurinos coloridos, a fotonovela conta a história de um casal que vive de maneira alucinada em uma cidade imaginária chamada Retro-Plágeo, na qual cobaias sexuais e paranóias alienígenas fazem parte da rotina. Os episódios foram pensados especialmente para serem vistos no celular (cada um tem dois minutos de duração e o visual é adequado para telas pequenas).

Para quem quiser conferir um pouco do visual dessa fotonovela para celulares, é só clicar aqui.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Congresso da ABCiber

Algumas confusões, falta de tempo e até mudança de fuso horário me fizeram estar vergonhosamente ausente deste blog nos últimos dias. De volta, divulgo com atraso, mas em tempo de ainda informar sobre a última conferência que acontece daqui a pouco, o evento da Associação Brasileira dos Pesquisadores e Cibercultura -a ABCiber.



O evento - que iniciou-se no dia 11 na PUC-SP e encerra-se hoje á noite - está muito bacana. Participei da comissão de seleção dos trabalhos de Arte Digital e gostei muito da qualidade da grande maioria dos trabalhos.



Então, pra quem não está lá e quer sentir o gostinho dos debates, este link dá acesso live às conferências.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

A noite que começou no interior de uma CPU...



Em termos de experiências extremas, dificilmente outra noite lisboeta das que vivenciei ao longo das últimas semanas chegará aos pés daquela madrugada de Halloween – festividade, aliás, celebrada com alguma seriedade pela juventude local. Comecei minha longa jornada noctívaga pela afamada Galeria Zé dos Bois, no coração do Bairro Alto, vizinha de portas da ultra hype livraria Ler Devagar (aberta até às duas da manhã!!) e há 14 anos prestando serviços à cena indie de Lisboa. Além de shows, a Zé dos Bois (ZDB para os íntimos) também funciona como galeria de arte durante o dia. Seriam três bandas ao módico preço de 6 euros: Escravos de Zonk, Aquaparque e Galadrop, esta última com CD recém-lançado por aquelas paragens e saudado com críticas super positivas pela revista (especializada em música) Blitz e pelo jornal Público.

Chego na hora marcada para o primeiro show e deparo-me com a ZDB entregue aos ácaros, evidência incontestável de que o (péssimo) hábito brazuca de atrasar-se a torto e a direito possui raízes bem lusitanas. Para uma pista vazia, o DJ local mixava batidas eletrônicas com aquelas faixas instrumentais do David Bowie fase-Berlin. A atmosfera me captura na hora. Dirijo-me ao bar, onde o atraso permite-me trocar idéias com a simpática Micaela, barwoman da ZDB, em cujo discurso pude perceber uma defesa apaixonada do local como um espaço autêntico de resistência da cultura underground lisboeta. Entre um Martini e outro, fico sabendo que passar pela ZDB é uma espécie de pré-requisito para qualquer banda que aspire à consagração no circuitinho (mas não necessariamente no mainstream, palavras dela). E que as bandas atuantes no ZDB dificilmente terão uma música incluída na trilha sonora de uma telenovela portuguesa.

Lá pelas tantas, faltando poucos minutos para o primeiro show, uma canção a la Joy Division cujo refrão repetia insistentemente “That’s the spirit of the age” anunciava, com propriedade, o que estava por vir.

O Escravos de Zonk são dois caras, um nos teclados e outro manipulando uma engenhoca esquisita, ambos nos vocais, tocando para uma platéia que não sabia muito bem como reagir àquilo tudo, se fazendo um headbanger doentio ou simplesmente chapando no chão. Na dúvida, o povo resignava-se a permanecer estacionado na pista, olhando fixamente para a dupla e tentando (eu, pelo menos, tentei) extrair da cacofonia reinante algum vestígio de melodia que fosse possível assobiar. A sensação era a de estar amarrado nos circuitos de uma placa de computador com alguém berrando intensamente do lado de fora (porque também não dava pra dizer que a dupla cantava no sentido popular midiático da expressão...). Nos momentos, vá lá, mais pop, parecia Yo la tengo ou Future sound of London no intervalo da lobotomia; quando a dupla aloprava, a coisa chegava num ponto de experimentalismo de fazer Arrigo Barnabé, Lou Reed fase Metal machine music e o Fantômas darem as mãos com o Lulu Santos.

(continua...)

domingo, 9 de novembro de 2008

Para uma malhação mais divertida...

Depois do bambolê e da aula de step do Wii,


a academia ainda tem uma chance...
Seguindo a linha, atualmente muito bem-sucedida, dos jogos de exercícios, a empresa Expresso Fitness lançou uma bicicleta-jogo que vem sendo adotada nas academias (americanas, pelo menos).

Para quem aqueles minutos correndo na esteira, pedalando na bicicleta ou se equilibrando no transport também são intermináveis, a perspectiva de uma distração imersiva, que pode envolver desde uma corrida de bicicleta até uma luta com dragões (enquanto você continua pedalando para correr deles, é claro!), parece bastante atrativa...


Fotos: Nintendo Wii Fit e Expresso Fitness.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

I PROGRAMA DE FOMENTO À PRODUÇÃO E TELEDIFUSÃO DE SÉRIES DE ANIMAÇÃO BRASILEIRAS - ANIMATV

Foi divulgado nessa semana um edital inédito na área de animação. Aí segue ele (fonte: http://blogs.cultura.gov.br/):



A Secretaria do Audiovisual e a Secretaria de Políticas Culturais do Ministério da Cultura, a Empresa Brasil de Comunicação - TV Brasil, a Fundação Padre Anchieta - TV Cultura, a Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais - ABEPEC, com o apoio da Associação Brasileira de Cinema de Animação - ABCA, lançam o Programa Nacional ANIMATV.

O Programa ANIMATV é realizado no âmbito do Programa Nacional de Estímulo à Parceria entre a Produção Independente e a Televisão e do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura.

O ANIMATV tem como objetivos estimular o desenvolvimento da indústria brasileira de animação a partir da sistematização de ações que visam a geração de projetos de série de animação em diversos pontos do País; a realização de ações regionais de capacitação que reforçam a cultura da série de animação para televisão; a articulação de um circuito nacional de teledifusão de séries de animação brasileiras; a dinamização da produção entre estúdios no território nacional; e a inserção da animação brasileira no mercado internacional.

O ANIMATV selecionará projetos de série de animação que contemplem tanto o potencial de geração de audiência junto aos públicos telespectadores brasileiros quanto o de co-produção (nacional e internacional), dividindo-se em duas etapas.

Na primeira etapa o ANIMATV premiará 18 Projetos de Série de Animação dirigidas à infância e à adolescência nas faixas etárias de 6 a 11 anos ou de 12 a 14 anos com:
01 Contrato de Co-produção no valor de R$ 110 mil (cento e dez mil reais), para a realização de um episódio-piloto de 11 minutos e o desenvolvimento do Projeto Completo da Série de Animação (denominado internacionalmente como bible);
Teledifusão nacional do episódio-piloto em Rede Pública de Televisão;
Participação do Autor do projeto e seu respectivo produtor na Oficina para Desenvolvimento de Projetos ANIMATV, que reunirá os 18 vencedores da primeira etapa com 04 renomados especialistas do mercado internacional de animação para debate e aperfeiçoamento dos projetos, antes do início da produção dos Projetos Completos de Série de Animação e Episódios-piloto.

A segunda etapa de seleção será realizada após a exibição dos 18 episódios-piloto da Série ANIMATV em Rede Pública de Televisão. Durante a veiculação serão feitas Pesquisas Qualitativas e Quantitativas de receptividade do público aos pilotos apresentados. As pesquisas também balizaram a decisão da Comissão de Seleção na segunda etapa. Esta etapa premiará 02 dos 18 projetos com:
01 Contrato de co-produção no valor de R$ 950 mil (novecentos e cinqüenta mil reais), para a produção de mais 12 episódios de 11 minutos;
Teledifusão nacional da série em Rede Pública de Televisão.

Para a inscrição no ANIMATV, as propostas de pré-projetos de série de animação deverão estar assim estruturadas:

Conceito Geral (Breve descrição do conceito da série com no máximo 8 linhas, estabelecendo de forma resumida o tema e tom da série e seu enredo base);

Proposta de Série de Animação em 1 página (Apresentação da proposta de série de animação, incluindo tema, tom e resumo do enredo da série, com indicação da faixa etária escolhida);

Personagens (Descrição dos personagens principais, incluindo seu perfil psicológico e as relações que estabelecem entre si. Quinze linhas para cada descrição);

Concepção Visual (Descrição do estilo de direção de arte que se pretende imprimir ao projeto e sua relação com custos e prazos de produção. Máximo de 1 página);

Arte Conceitual (No mínimo cinco desenhos de personagens e cenários, exemplificando a direção de arte da série);

Roteiro do Episódio-Piloto (Roteiro completo do Episódio-Piloto da Série, a ser produzido em caso de seleção do projeto);

Storyboard de uma cena do episódio-piloto;

Argumentos Preliminares (Argumentos de 6 episódios da série. 10 linhas para cada argumento);
Desenho de Produção (a partir de Formulário Padrão a ser publicado em anexo ao regulamento);
Orçamento (a partir de Formulário Padrão a ser publicado em anexo ao regulamento).

O ANIMATV realizará ainda Oficinas para Formatação de Projetos. As Oficinas tem como objetivo promover o desenvolvimento dos pré-projetos a partir do formato do Programa, dando oportunidade ainda para a discussão de séries clássicas e contemporâneas de animação, além de propor a discussão técnica e estética dos caminhos possíveis para o escopo proposto.
Para participar das Oficinas os interessados deverão apresentar uma idéia inicial de série para faixa etária compreendida entre os limites de 6 a 14 anos. Esta proposta inicial deverá conter:
a. Conceito Geral (três linhas apresentando de forma geral e resumida a proposta de série a ser trabalhada na oficina);
b. Proposta de Série de Animação (dois parágrafos detalhando o conceito geral, com informações sobre o tema e o tom da série, seu enredo e conflitos centrais);
c. Personagens (descrição de pelo menos três personagens da série. Mínimo de duas linhas para cada);
d. Concepção Visual (três linhas descrevendo a concepção visual que se pretende dar ao projeto); e. Arte Conceitual ilustrativa (mínimo de 1 desenho);
f. Argumento do episódio-piloto (mínimo de dez linhas);
g. Desenho de Produção (a partir de Formulário Padrão a ser publicado em anexo ao regulamento).
OBS: É opcional a inclusão de trecho de estudo para storyboard; argumentos de outros episódios e orçamento (a partir de Formulário Padrão a ser publicado em anexo ao regulamento).

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Donos da Mídia

Está no ar um importante veículo para quem estuda comunicação no Brasil, o site Donos da Mídia - o mapa da comunicação social (http://donosdamidia.com.br). O site é resultado do trabalho iniciado, na década de 80, pelo jornalista, professor e militante Daniel Herz, morto em 2006, e conta com o trabalho voluntário de profissionais da mídia, professores e estudantes universitários para a atualização constante de informações. São apresentados dados, análises, gráficos, mapas sobre as redes de rádio e TV do Brasil, os veículos existentes, os grupos nacionais e regionais que controlam mais de um veículo, os políticos que, contrariando a lesgislação, detêm concessões, além de artigos e legislação sobre comunicação.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Discos retirados da estante

Uma das maiores comunidades da rede social Orkut está ameaçada de ser retirada do ar. Discografias é uma comunidade dedicada a compartilhamento de arquivos MP3 e vem incomodando a APCM (Associação Antipirataria Cinema e Música), entidade que defende a propriedade intelectual.

O endereço existe desde 2005 e conta com três administradores anônimos abrigando mais de 780 mil participantes. Através dos fóruns os internautas disponibilizam links para sites de armazenamento como "Rapid Share", "4 Shared" e "Easy Share", onde discos inteiros ou apenas faixas raras, áudios de shows e B-sides são baixados gratuitamente. "É o nosso principal cliente. Em se tratando de música, ninguém tem mais arquivos que violam direitos autorais do que a 'Discografias'", declarou Edner Bastos, coordenador antipirataria da APCM que pressiona a Google para a retirada da comunidade.

Com as ameaças, os integrantes estão protagonizando uma verdadeira guerra contra o Google; colocaram no ar uma lista para colher assinaturas resistindo ao fim da comunidade. Em entrevista a Folha Online declararam: "Muitas bandas, hoje, tanto no Brasil quanto no exterior, assumem que não fariam sucesso se não fosse a internet. Até o Presidente da República deu uma declaração favorável na semana passada sobre 'baixar músicas da internet'. Ilegal e pirataria, na nossa opinião, é a venda de CDs piratas".

Só no primeiro semestre de 2008, a APCM tirou do ar 118.750 links de filmes e músicas, 22.113 blogs e 20.332 arquivos P2P ("peer-to-peer", referentes a programas de compartilhamento como eMule) da internet. A comunidade "Discografias" continua na rede, mas os moderadores já começaram a notar a retirada de alguns tópicos e afirmam que desde que a administração do Orkut passou para o Brasil, a vigilância tem aumentado.

Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google no país diz que leva em consideração a "liberdade de expressão" e só retira o tópico do ar quando é constatado algum tipo de violação. "A comunidade é legítima, porque há discussão de música também. Além disso, você sabe, a gente deleta uma, eles criam outra." Só rindo!


O lendário tigre do Castelo

Sexta-feira, 31 de outubro, meia-noite e meia. Desço a Alfama contornando a Sé de Lisboa e sigo a Rua da Conceição até o Chiado, após o concerto do Legendary Tiger Man no Santiago Alquimista. Para chegar no Santiago Alquimista, pega-se o Eléctrico 28E na direção do Martim Moniz ou do Cemitério dos Prazeres, saltando na parada do Miradouro de Santa Luzia ou na própria Sé, e subindo a rua de São Tiago como se você pretendesse ir até o Castelo de São Jorge. É um casarão do século passado que abriga uma escola de artes e um curso de teatro, além de possuir uma bela sala de espetáculos que se aproxima, no tamanho e na configuração espacial (pista + mezanino) ao nosso Teatro Odisséia.

Sede habitual de shows de rock e freqüentada por uma parcela do público indie-alternativo de Lisboa, o Santiago Alquimista havia recebido, na semana anterior, a banda Lemonheads. Noves fora os preços exorbitantes prtaicados em seu interior (7 euros a dose de Black Label, 2 euros o Imperial da Sagres – que é como os portugueses chamam a cerveja de pressão, o nosso chope – quase três vezes mais caro no bar do Santiago Alquimista do que na tasca lisboeta mais safada, onde o mesmo imperial custa cerca de 0,75 cêntimos), o espaço é um must. Ao que tudo indica, nunca fica insuportavelmente cheio. Os portugueses, salvo raras exceções, até que respeitam a lei que proíbe o fumo em lugares fechados, então você sai do Santiago Alquimista sem aquele onipresente cheiro de cigarro grudado nas roupas. E a convivência entre mil e tantos anos de história algumas ruas acima e o que há de mais contemporâneo sendo feito em termos de música portuguesa torna a experiência duplamente saborosa.
Antes do concerto, conhecia apenas uma faixa do Legendary Tiger Man, intitulada “Honey you’re too much" e incluída na coletânea dupla Novo rock português editada pela Chiado Records em parceria com a Rádio Antena 3 em 2007 e que eu havia baixado pela internet. Soava-me como uma espécie de Ladytron com floreios e sem arroubos glam, nada significativamente distinto das demais canções do álbum. Ao vivo, a coisa muda de figura. Embora o paredão sonoro forneça a (falsa) impressão de que há pelo menos três pares de braços em cima do palco, o LTM nada mais é do que uma one-man-band cujo one-man, que atende pela graça de Paulo Furtado, alterna-se entre o manuseio de guitarra, bateria e sintetizadores, além de cantar e soprar um troço assemelhado àqueles apitos de chamar patos que a gente via nos desenhos do Pica Pau. Espécie de figura aglutinadora da atual cena rock and roll pré-mainstream portuguesa – e acreditem em mim, crianças, há muita coisa boa sendo feita aqui – além do Legendary, Furtado também integra os Wraygunn e dirige algumas das viagens videoartísticas experimentais que são projetadas num telão ao fundo do palco durante sua performance. Numa delas, aparece pelado em nu frontal tocando bateria no meio de uma estrada. Em outro vídeo, este dirigido por um coletivo cujo nome não me recordo (mas a canção se chamava “Love train”), via-se uma apaixonante garota viajando num trem, num preto e branco artificialmente envelhecido de derrubar o queixo de Philippe Garrel.
O efeito obtido já seria por si só bestial não fosse a música feita por Furtado uma porrada sonora da melhor qualidade. Pense num espectro sonoro que vai de Screaming Jay Hawkins a Sonic Youth, ou então no XTRMNTR do Primal Scream tocado por um único cara totalmente puto da vida por se encontrar preso numa cadeira de rodas (Furtado passa o tempo inteiro sentado) e você vai ter uma amostra do som do LTM, cujo novo álbum, Masquerade (seu terceiro) deve sair em breve.
Música portuguesa? Com certeza. Não há um laivo sequer de diálogo com a “tradição” (oficial) do cancioneiro luso na música de Paulo Furtado, não no sentido que autorizaria, lá pelas tantas, a aparição súbita de uma viola ou de uma guitarra portuguesa a la Carlos Paredes. Também não se canta em português, e o fato de não estar trabalhando com a língua materna (embora, em certo nível, esteja trabalhando a partir dela) apenas reforça o modo lúdico com que Furtado escolhe e mastiga o idioma inglês. E ainda assim... Há uma portuguesidade na música do LTM apenas na medida em que essa portuguesidade não existe, seja em termos absolutos ou relativos, mas talvez apenas como elemento de identificação e reconhecimento. Porque num certo nível, para as pessoas presentes naquele concerto, era música portuguesa que se ouvia.
Com a cabeça fervilhando de questões, chego ao Chiado e deparo-me com a Praça Camões hiperlotada de pessoas e carros, ambos congestionando todos os acessos ao Bairro Alto. São grupos de jovens aglutinados aqui e ali, copo de cerveja na mão, atribuindo à praça pública uma função social que há muito não se vê no Rio de Janeiro, talvez em virtude da inseguraça reinante que o resultado das atuais eleições, muito sinceramente, não me parece lá capaz de solucionar. Subindo a Rua da Rosa, passo em frente a incontáveis bares que exalam músicas de todas as origens e estilos, de salsa cubana a “The killing moon”, mas vencido pelo cansaço, retorno à pensão para uma merecida noite de sono.