segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
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sábado, 11 de dezembro de 2010
Victor e Leo em Niteroi

Há cerca de duas semanas, no dia 28 de novembro, aconteceu o primeiro show da dupla Victor e Leo em Niteroi. Foi no clube Rio Cricket, em Icarai. Não pude perder essa oportunidade de ir no show da dupla, visto que em diversas oportunidades escrevi sobre a atual musica “sertaneja universitária” e sobre o trabalho dos rapazes neste blog. (Veja posts anteriores sobre o sertanejo universitario: 1, 2, 3, 4)
Fiquei sabendo do show através de um dos inúmeros cartazes espalhados pela cidade. O cartaz e o flyer do show tinha como chamariz os seguintes dizeres: "um evento para toda familia". Apesar de toda família niteroiense ter sido convidada, conheço vários niteroienses que sequer os perceberam e/ou estão pouco se lixando para saber quem é Victor e Leo.
Entrei no site dos rapazes e me impressionei com a quantidade mensal de shows. O mais incrível é que eles alternavam shows no Sul do Brasil e no Sudeste. Por exemplo: dia 25 eles estavam em Ribeirão Preto/SP; no dia 27 em Esteio/RS; no dia 28 em Niteroi. Me perguntei: como isso é possível? Mais tarde descobri a resposta. A dupla tem dois palcos e estruturas que viajam pelo Brasil. Enquanto a estrutura que atualmente esta no Sudeste viaja e se realoca em outro lugar eles fazem show no Sul do Brasil. Isso permite uma intensa agenda de shows e a maximização do tempo. Por outro lado, se os percursos dos palcos “diminui”, as milhagens aéreas da banda cresce, a medida que é forçada a cortar o Brasil de sul a norte em busca de palcos distintos e habilitados. Trata-se de uma estrutura bastante profissionalizada.
Percebe-se isso claramente quando se vai a um show destes. Mesmo consciente disso, me surpreendi. Parecia que eu estava entrando num show do Rock in Rio. Das roletas aos mictórios, das tendas de cerveja ao palco, tudo lembrava muito os grandes shows internacionais que já vi por aqui no Rio. O show, diga-se de passagem, é patrocinado pela cerveja Itaipava, que tem exclusividade na venda de álcool. Havia uma área VIP, mictórios suficientes, barracas bem organizadas e sempre livres. Comprava-se cerveja com tickets obtidos em “containers” também sem fila. O preço da cerveja era amargo: 4 reais a lata! Fiquei com a sensação de que, se essa estrutura me surpreendeu, imagine o quanto não deve ser impactante para alguém do interior? Ou não...
De qualquer forma é importante que se diga que o show não lotou! De fato, os dois campos de futebol do Rio Cricket são gigantescos. Não sei quantas pessoas caberiam là, mas eu chutaria que o show teve metade de sua lotação máxima. Estava confortável. Mesmo assim a impressão era de que estava relativamente cheio, tamanha a quantidade de pessoas que foram ver os mineiros.
O show não era barato, paguei 40 reais por uma meia entrada masculina.² Em relação a classe social presente, claro, notei pessoas de classe média em sua maioria, brancas, algumas poucas (pouquíssimas, mas já foi o suficiente para me espantar!) vestidas de “cowboy”, botas e chapéus. Também havia algumas poucas aparentemente de classe social mais baixa, mas nada que me chamasse a atenção de forma decisiva. Com certeza o preço do ingresso pesou. Mas, mais do que qualquer valor monetário, o que pesou para a relativa baixa lotação do show foi o fato de Victor e Leo ainda serem pouco conhecidos no Rio de Janeiro.
Já escrevi neste blog sobre como o Rio de Janeiro ainda é visto como um dos poucos bastiões da resistência ao atual sertanejo universitário que, desde do inicio da década vem tomando o Brasil, tomando palcos que antes tocavam o axé e outros ritmos populares. O Rio é um dos poucos lugares onde as pessoas encontram dificuldade de relacionar a musica a determinados artistas; poucos são os que conseguem diferenciar Victor e Leo de Fernando e Sorocaba, por exemplo; as rádios cariocas ainda tocam muito timidamente o gênero musical do sertão.
Vamos ao show propriamente dito. Confesso que estava meio alterado, pois o show aconteceu depois de um final de semana (domingo) cheio de atividades etílicas. Apesar de neste final de ano os rapazes terem lançado um novo disco (“Boa sorte pra você”, sobre o qual já escrevi aqui) a turnê ainda se chamava “Ao vivo e em cores”, nome do disco e DVD ao vivo anteriores à “Boa sorte...”. Ou seja, parece que os rapazes lançaram "meio que mais ou menos" o novo CD. No show cantaram apenas a canção titulo do novo disco e se esqueceram do resto do novo repertorio. Foi uma pena. Mas senti que esta atitude foi voluntaria, afinal eles demonstram-se muito preocupados em “conquistar” o Rio de Janeiro. Nesse sentido, cantar musicas que sejam “conhecidas” deste publico pouco habituado ao sertanejo é essencial. Daí a preferência pelo repertorio já consagrado no dois discos “ao vivo” da dupla.
Durante o show me diverti bastante, mas de certa forma me decepcionei. Menos com o concerto, a estrutura ou a atitude dos rapazes e mais com a participação tímida do publico. Esperava um atitude menos recatada da platéia, que estava bastante tímida, não conhecia as canções menos famosas e pouquíssimas vezes cantou junto com Leo. Houve momentos que ficou meio constrangedor perceber que o publico não conhecia as letras, apesar dos mineiros tentarem fazer o publico acompanha-los. Por isso fiquei um pouco frustrado. Talvez por que estivesse muito influenciado pelos vídeos vistos via Youtube das apresentações “ao vivo” da dupla, nas quais o publico canta TODAS as musicas, dos antigos sucessos às novas canções. A todo momento ficava claro que eu estava no Rio de Janeiro e não em qualquer cidade do interior do Brasil. Talvez por isso tudo não tenha havido o tradicional ‘bis’. Nem eles ameaçaram fazê-lo, nem o publico exigiu. Foi estranho. Isso não impediu, no entanto, que Victor declarasse ao final do show: “Niteroi: vocês entendem de sertanejo!”.
De fato em diversos momentos Victor e Leo deixam claro essa intenção de romper a barreira estética carioca. Embora já tenham feito shows até na Marina da Gloria (em 24/07/2010), eles raramente se apresentam aqui. No programa “Estrelas” de 28 de novembro de 2009, entrevistados por Angélica em um saveiro no meio da Baia de Guanabara, Leo demarcou esse pouco conhecimento da cidade: “ é engraçado... o básico do ciclo turistico do Rio a gente não conhece ainda... o Pão de Açucar, o bondinho, o Cristo...”. Essa tentativa de se aproximar do Rio de Janeiro vem, nas falas dos irmãos, junto com a tentativa de se legitimar esteticamente como gênero. Afinal, deslocar o Rio de Janeiro como epicentro da cultura nacional é compreensível. Foi no Rio que se construiu o imaginário do samba enquanto símbolo do Brasil. Para ser legitimado enquanto gênero nacional é preciso conquistar esta praça. No entanto, este talvez seja o território mais duro de se conquistar, justamente porque a sociedade carioca resite ser deslocada do ultimo quinhão que resta a essa antiga capital política e econômica, agora reduzida a capital cultural. Mas por quanto tempo ainda serà o Rio a capital cultural brasileira? O axé baiano, o sertanejo, o pagode mineiro, goiano e paulista da década de 1990 jà haviam balançado a preponderância carioca. As investidas de Victor e Leo parecem apontar a continuação desta desestabilização do Rio de Janeiro.
Na ultima premiação do prêmio Multishow de 2010, quando ganharam o titulo de dupla sertaneja do ano, Victor proferiu um discurso para os “resistentes” à musica sertaneja, muitos dos quais cariocas:
“Dentro de um espaço longo de tempo o pessoal comentou sobre do preconceito [acerca] da musica sertaneja, tida por muito como chula... o breganejo... como dizem. Em todos os estilos o que [hà] é a essência, e se houver verdade, as palavras não vão precisar ser ditas. A musica pode ser ouvida e vai dizer muito mais que palavras”.
Logo após a vitoria, Leo escreveu no site da dupla: “Muito mais que uma vitória da dupla Victor e Leo, foi o grande passo dado pela música brasileira, através deste prêmio, que abre espaço e reconhece uma cultura com tanta verdade, raiz e história, como a música sertaneja, que vem do interior do Brasil, especialmente das áreas rurais, e que ganha cada vez mais espaço nos grandes centros. Isso é que precisa ser comemorado e reconhecido. Parabéns aos organizadores do Prêmio por terem aberto este espaço e quebrado uma barreira que está no fim, mas que ainda existe.”
Se em alguns momentos a dupla parece afinar seu discurso às hostes sertanejas, em outros parece querer furar a barreira resistente se afirmando para além da da musica rural. Victor expressou assim essa problemática: “Qualquer pessoa que monte uma dupla no Brasil é sertanejo. Por quê? Não pode ter um estilo próprio? Você não pode ter um estilo próprio? Se você é uma dupla vc é tachado de dupla sertaneja. Eu acho que não é por ai! Até porque a maioria das duplas que são tachadas de sertanejas, não fazem, há muito tempo, uma musica sertaneja sequer!”
Como será que Victor e Leo serão lidos caso consigam de fato tomar o Rio de Janeiro na mesma proporção que tomaram o Brasil? Há um processo, sobre o qual já escrevi aqui, que parece ver na dupla uma aproximação com a MPB. Serão eles lidos como MPB no futuro? Serão vistos como sertanejos? Sertanojos? Breganejo? Sertanejo universitário? Caipiras? Raiz?
Não sei. Constato apenas que as disputas pelas categorias de legimidade estão em intensa disputa. Ainda não esta claro quais categorias serão vitoriosas, embora haja alguns sinais bastante contundentes. Como diria o romano Julio Cesar: “Alea jacta est” ou “a sorte esta lançada”!
Notas:
² Lista de preços do show em Niteroi: Pista Feminina Meia: R$ 30,00; Camarote Feminino Meia: R$ 100,00; Pista Feminina Inteira: R$60,00; Camarote Feminino Inteira: R$200,00; Pista Masculina Meia: R$40,00; Camarote Masculino Meia: R$120,00; Pista Masculina Inteira: R$ 80,00; Camarote Masculino Inteira: R$ 240,00.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Primeira reportagem sobre e-mail no Brasil
Enoteca
Esta é uma questão que vem me encucando faz pelo menos cinco meses, desde que precisei me habituar a despertar toda terça e quinta no ingrato horário das 5h40.
Quando regressei de Portugal no início deste ano, tinha pontos junto à Vivo que me permitiram trocar o combalido aparelho liga-e-manda-mensagem por um modelinho da Sony que, entre outras bossas, me habilitava a poder colocar a música que eu bem entendesse como despertador. Aquela cena de abertura do filme "Vanilla sky", quando o Tom Cruise levanta ao som de "Everything in its right place" do Radiohead, me inspirou na minha primeira escolha. Não deu certo, obviamente. Acordar com os miados do Thom Yorke revelou-se profundamente perturbador.
Aí fiz a experiência, durante umas duas semanas, com "The seventh seal" do Scott Walker, que começa com uns trompetes meio mariachi - outra bola fora. Descobri que os trompetes mariachi mais me assustavam do que facilitavam o meu despertar, fora que a voz de barítono jacquesbreliana do Walker contribuía pra que eu já começasse o dia com dor de cabeça. Juro que até cheguei a transferir "Search and destroy" dos Stooges pro chip, mas esta eu decidi que só me arrisco a utilizar como despertador se um dia eu entrar em coma profundo.
Um dia, como quem não quer nada, e diante da constatação de que músicas esquisitas demais me assustavam, intensas demais me deixavam com dor de cabeça e pesadas demais me fariam ter um ataque cardíaco, optei pela coisa mais improvável em se tratando de trilhas sonoras para o bom despertar: a faixa "1-1" do "Music for airports" do Brian Eno - apenas um pianinho emitindo notas sustentadas e aquela atmosfera de... bem, aeroporto ao fundo. Foi uma revelação espiritual. Funcionou que foi uma maravilha, como continua funcionando até hoje, aliás.
Esta semana comecei a ler "On some faraway beach - the life and times of Brian Eno", escrita por David Sheppard, motivado que estava pelo recém-lançado álbum "Small craft on a mil sea", regresso de Eno à ambient music que marcou sua obra nas últimas duas décadas, cinco anos depois do (algo falhado, embora seja um disco que curto bastante) opus pop "Another day on earth". A leitura - um calhamaço de 400 e tantas páginas - é recomendadíssima para quem se interessa por discutir os limites da invenção no âmbito da música pop. Ainda não cheguei à parte que mais interessa (o momento entre a saída do Roxy Music e a concepção do disco "Another green world"), mas pelo que já folheei do livro, todas as inúmeras parcerias de Eno - de David Bowie a U2 - estão lá. E como o livro é recente, ele cobre inclusive a atuação de Eno como produtor do último disco do Coldplay.
Na humilde opinião deste que vos escreve, Brian Eno é simplesmente um dos maiores criadores de paisagens sonoras em atividade. E a trajetória do cara cobre momentos e estilos tão distintos que quase dá pra dizer que, tal como o sal de frutas, há Enos para todos os gostos: a colaboração com David Byrne no clássico e revolucionário "My life in the bush of the ghosts" explora a faceta bricoleur do artista (e num mundo minimamente justo, a faixa "Strange overtones" do último disco que os dois lançaram juntos seria um sucesso radiofônico incontestável); Placebos e Scissor Sisters não existiriam sem os seminais álbuns glam lançados por Eno no início dos 70's (ouçam "Baby is on fire", de "Here come the warm jets" e depois me digam se não tenho razão); por fim, há o Eno da tetralogia "Music for airports", das parcerias com Harold Budd, Robert Fripp e Daniel Lanois, e de "Small craft in the milk sea" - aquele cuja faixa de abertura, "Emerald and lime", tem grandes chances de virar a minha nova música de despertar.
[Como este post menciona uma quantidade considerável de músicas que talvez muitos não conheçam, e é de trilhas sonoras que ele se trata, fiz essa playlistizinha aqui. Espero que curtam!]
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
O rádio nas músicas
Nos anos 1980, temos muitos exemplos do rádio como mediador das afetividades. Uma série de letras inclui o rádio como um meio que desperta a lembrança, como em Rádio Blá (1987), de Lobão, “Eu ligo o rádio e blá, blá, blá, blá, blá blá, eu te amo” , ou em “Vitrine”, de Ruban (1986) “eu ligo o rádio e tento te esquecer e uma canção antiga me lembra você”, e na letra de “Sintonia” (1986), de Moraes Moreira, “Escute esta canção que é para tocar no rádio, no rádio do seu coração”.
Percebemos, nos trechos das músicas, a percepção do imaginário coletivo sobre o papel do rádio no romantismo, nas lembranças, enfim, nas sensibilidades. As letras demonstram essas significações na vida prática, criadas pelo rádio. As músicas nos possibilitam perceber a presença do rádio no universo dos ouvintes e as relações que estabelecem com este meio de comunicação.
São muitos os sentidos criados pelo rádio e um deles é a função do locutor, que sempre é visto como companheiro e como mediador daquilo que se quer dizer à pessoa amada quando não se sabe onde ela está. Na música “Amigo locutor” (2008), de Léo Magalhães, isso fica bem claro no refrão “Vai locutor, diz que eu tô completamente apaixonado, louco de amor, diga por favor, fala aí no ar, não sei viver sem ela...”
Na música “Do outro lado do rádio” (2010), de Daniel, vemos um sentido semelhante estabelecido entre o ouvinte e o rádio: “Hei, você do outro lado do rádio, escute esta canção que fala de um amor que talvez nunca tenha amado, a voz de um coração não cala, você talvez não tenha escutado”.
Penso que essas letras que incluem o rádio como elemento mediador das afetividades nos informam muito a respeito de práticas, materialidades, formas de aproximação do meio que podem ser ótimas fontes para entendermos a história do veículo e de suas funções como meio de massa ao longo das décadas.
Gestão colaborativa das marcas e web 2.0
Vemos muitas empresas que entram nesses sites sem saber muito bem o que fazer. Às vezes parece que elas acham que basta ter um perfil no Twitter, por exemplo, para ganhar mais visibilidade. Como se fosse algo automático. Como se o Twitter da empresa fosse um cartão de visita mais informal dela. Mas, é claro, não é bem assim. Cada site de rede social tem sua própria dinâmica de funcionamento e seus próprios valores, pois cada um é apropriado de maneira distinta pelos sujeitos e também, não podemos esquecer, numa perspectiva mais micro, cada comunidade de usuários vai se apropriar desses ciberespaços de maneira diferente também.

Voltando ao Twitter, temos que perceber que sua dinâmica é bastante (ainda que não só) conversacional. Ou seja, as pessoas em geral usam o microblog para trocar ideais. E de maneira bem direta e simples (até porque ou justamente porque tem-se o limite dos 140 caracteres por mensagem). Ou seja, não adianta a empresa ter perfil no Twitter e ficar falando sozinha, enviando mensagens meramente institucionais, por exemplo. Não. Tem que conversar, tem que ouvir o cliente, tem que responder. Tem que ser realmente uma comunicação bidirecional.
E, mais ainda, tendo em vista que a web 2.0 é marcada por produções coletivas e pela participação ativa dos usuários - que, claro, nunca foram "passivos", mas agora contam com ferramentas que facilitam a expressão de suas opiniões e a criação de conteúdos próprios - chegou-se num momento em que as marcas devem prestar mais atenção que nunca às demandas dos consumidores e devem propor uma gestão colaborativa: empresa + consumidor pensando juntos. Afinal, um tem interesse no outro, então o ideal é que sua relação seja win-win, ou seja, ganham os dois lados.
Dambrós e Reis (2008) ressaltam em seu artigo que as empresas devem:
1. Valorizar esse movimento de troca na Internet e, mais do que isso, participar mesmo dele (comunicação de mão dupla e não de mão única);
2. Estar atenta ao que os clientes dizem, ouvi-los e responder-lhes;
3. Aproveitar e estimular sua participação na gestão da marca;
4. Criar uma relação de confiança e tornar a empresa cada vez mais relevante.
Um exemplo ótimo de empresa que tem buscado fazer tudo isso é a Fiat, que recentemente lançou o "primeiro carro colaborativo" da história: o Fiat Mio. Esse case já está super conhecido, mas pra quem ainda não conhece trata-se do seguinte: a Fiat criou um blog coletivo onde as pessoas podiam enviar suas ideias, opiniões, sugestões etc. para criar um carro junto com a Fiat. O resultado foi o Fiat Mio, lançado (mas infelizmente ainda não comercializável) agora em novembro no 26º Salão do Automóvel em SP. Creio que cada vez mais novas ações desse tipo vão surgir, mas sinceramente o que me preocupa ainda mais é a questão do atendimento ao cliente, que em geral ainda tem muuuuito a melhorar...


domingo, 5 de dezembro de 2010
Brasilidade: Gaby Amarantos e o Tecnomelody
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Melhores do ano... do lado de lá!
Hora de botar o Soulseek pra trabalhar, malta brasileira interessada em descobrir o que há de mais bacana na nova música pop feita em Portugal – e aqui passamos longe da “renovação” defendida por aquela infâme matéria do Bom dia, Brasil, vale destacar. A revista Blitz acabou de divulgar a sua tradicional listinha de Melhores do Ano, da qual participaram Ana Patrícia Silva, André Gomes, António Coelho, Cláudia Marques, José Miguel Rodrigues, Lia Pereira, Luís Guerra, Mário Rui Vieira, Miguel Cadete, Miguel Cunha, Pedro Barbosa da Silva, Pedro Dias da Silva, Ricardo Braz Frade, Ricardo Raínho, Rodrigo Madeira, Rui Miguel Abreu e Theo Thornton, jornalistas e colaboradores regulares da publicação.
Do 30º ao primeiríssimo lugar, que é pra aumentar o suspense...
30. Long way to Alaska – Eastriver
29. Francisco Ribeiro – Desiderata ou a Junção do Bem
28. Peixe:Avião – Madrugada
27. Linda Martini – Casa ocupada
26. Tiago Guillul – V
25. Carlos do Carmo & Bernardo Sassetti – idem
24. Tiago Bettencourt & Mantha – Em fuga
23. Carlos Barreto Lokomotiv – Labirintos
22. Bunnyranch – If you’ve missed the last train
21. Bernardo Sassetti Trio – Motion
20. Storm Legion – Desolation Angels
19. Pedro Abrunhosa e Comitê Caviar – Longe
18. More than a thousand – Make friends and enemies
17. Tigrala – Tigrala
16. The Poppers – Up with lust
15. Soaked Lamb – Hats & chairs
14. Rita Redshoes – Lights & darks
13. Mão Morta – Pesadelo em peluche
12. David Fonseca – Between waves
11. Nuno Prata – Deve haver
10. Paus – É uma água
09. Corações de Atum – Romance/Hardcore
08. Galandum Galundaina – Senhor Galandum
07. Lula Pena – Troubadour
06. Pop Dell’Arte – Contra mundum
05. Orelha negra – Orelha negra
04. B Fachada – Há festa na moradia
03. António Zambujo – Guia
02. Deolinda – Dois selos e um carimbo
01. Camané – Do amor e dos dias
Uma lista que tem o fadista Camané como cabeça-de-cartaz tinha tudo para ser previsível, o que felizmente não ocorre. Há, claro, os suspeitos de costume – David Fonseca, Mão Morta, Zambujo – mas no geral a lista da Blitz apresenta algumas boas surpresas. Primeiro, pelo regresso de alguns nomes que ou andavam sumidos (caso dos ge-ni-ais Pop Dell’Arte) ou não atravessavam uma maré muito favorável junto à crítica e ao público (nunca imaginei que Pedro Abrunhosa voltaria a ser levado a sério após um último disco algo falhado). Segundo, pela confirmação de bandas e artistas cujos primeiros álbuns haviam apontado caminhos promissores (num nível mais massivo, claro, o Deolinda, mas também Rita Redshoes, Peixe:Avião, Linda Martini e Soaked Lamb, que tem um adorável álbum de estreia). Terceiro, pela ausência quase total de nomes vinculados à Flor Caveira/ Amor Fúria, após um 2009 glorioso: apenas o “V” de Tiago Guillul frequenta a lista da Blitz, e mesmo assim um longinquo vigésimo sexto lugar. Nesse sentido, estranho a ausência do “Pequeno almoço continental” dos Pontos Negros, que merecia figurar ao lado do Soaked Lamb e dos Peixe:Avião no quesito “promessas cumpridas”. No mais, é saudar a estreia do Tigrala – banda formada pelo virtuoso guitarrista Norberto Lobo, que ao vivo leva um som lindíssimo – e o regresso de Lula Pena ao estúdio. A apresentação que reuniu o trio e a trovadora no Lisboa Mistura do ano passado foi qualquer coisa para o meu miocárdio.
A fotogaleria da lista pode ser conferida na íntegra aqui. Agora falta só aguardar a lista do Público, outra que também merece ser levada em conta. E como da última vez em que expressei minha opinião sobre listas choveram comentários de vozes dissonantes, ora muito bem, quem começa?