domingo, 30 de setembro de 2007

Pirataria de Tropa de Elite


Eu bem que tentei.Tava conseguindo ficar longe da discussão sobre Tropa de Elite. Ficar quietinha, sem ter que tomar partido frente ao que tem cheiro de bobagem - que o filme é "de direita", "fascista", porque apresenta o ponto de vista de um capitão do BOPE sobre a violência. Meu argumento era fácil: não tinha visto ainda, ia ver no cinema.
Mas, sucumbi. Assisti no fim de semana. Pirata, na casa de uma amiga.
Resultado: não falei de outra coisa, perdi o sono, achei o filme do cacete, entendi porque as elites não gostaram de tropa...mas não é sobre isto que vou falar aqui.
Como o nosso blog é sobre cultura digital, o que me interessa é retomar uma das importantes discussões, que o Marcelo já tinha tocado em post anterior:pirataria.

Foi no almoço de sábado que resolvi assistir. Tava na rua, com esta tal amiga, que só falava do filme.Ela comprou a cópia no Flamengo, quase na esquina de onde estávamos.Na saída do restaurante, passamos em frente. Ela cumprimenta o vendedor e pergunta se ainda tem.
Ele responde: não estamos dando conta, a procura tá demais.Mas, ainda tem:e mostra uma cópia, passando no DVD player portátil.
Nesta hora, uma voz de mulher pergunta pelo "Tropa 2".A primeira impressão - e pode ser só impressão, mesmo! - é de alguém que o IBGE classifica como de "classe D/E". Que talvez não tenha grana para entrar no São Luiz, que é o cinema do bairro e cobra por volta de 15 pratas pela inteira. O vendedor diz que tem... mas se ela não quer o Tropa 1. Ela diz que já viu, gostou muito, e quer o 2.(Conforme Marcelo já disse, o 2 é o "Notícias de uma guerra particular" do João Moreira Sales - documentário também muito bacana, lembram?).

Não consigo deixar de admirar o interesse dela pelo filme. Bacana! eu comentei na hora, esta discussão sair do mundinho dos formadores de opinião e estar na boca do povo.
Imagine agora se, ao invés de estar sendo vendido em camelô, esta mesma compradora tivesse oportunidade de entrar numa lan-house no Flamengo, baixar o filme pela Internet e assistir lá mesmo, numa cabine. Ou fazer uma cópia pra ver em casa - pela qual ela tivesse pago legalmente à produtora sem a intermediação de piratas.
Isto é um exemplo de aplicação da "cultura do acesso", que a indústria dos games já utiliza há muito tempo. O Luiz Adolfo discute a questão na dissertação dele sobre o game Stars Wars Galaxies: o jogador pode piratear a mídia à vontade, mas para jogar precisa de uma senha - e tem que pagar por ela.
No caso dos filmes, a senha dá acesso ao próprio filme - e se custar menos que o do camelô, porque não pagar por ele?
Não ganho dinheiro com a indústria do entretenimento - só pensando sobre ela na Universidade. Sou contra a pirataria. Mas, me parece tão óbvio que não dá para combatê-la com argumentos morais e sim entendendo que o espírito da cultura digital é o de disseminação da informação de forma barata e veloz.
Mas, neste caso, os cinemas vão deixar de existir?
Bem, para início de conversa, sabemos que um dos problemas de distribuição no Brasil é que o território nacional é grande. Em muitos municípios, não há casas de cinema e os cinéfilos vivem de locação de DVDs.
Por outro lado, tem lan-house em todo lugarejo da nação.
Eu outro dia comentava aqui no blog que, em recente viagem pro Tocantins, vi lan-houses nos lugares mais inusitados. Onde não tem sinal de celular, em aldeia indígena, em tudo quanto é pequena cidade que não tem cinema nem outra diversão, a lan tá presente e é objeto de desejo, principalmente da garotada.
Pois é. Através do acesso pago, legal, o Brasil inteiro estaria vendo Tropa de Elite e o José Padilha, a produtora e os patrocinadores estariam ganhando por isto.

Por outro lado, ir ao cinema ainda é apreciado como um ritual, uma "experiência" diferenciada. Eu mesma tentei ver Tropa no Festival do Rio, não consegui; mas estou doida para estrear no cinema para ver de novo. Aliás, também vale conferir a média de público do filme, para ver se a pirataria atrapalhou a carreira do filme...ou se ajudou.

Não tem jeito. Não somos a favor da pirataria. Nem contra o pagamento de direitos autorais (viu, Fernando Brant!). Mas, tá claro que toda a estratégia de produção e distribuição de cultura que tem que ser repensada. Ou a indústria do entretenimento se liga, ou então, como diria o capitão Nascimento: "Perdeu, perdeu!"

Gravadora MaxPop investe na dance music nacional


Que a música eletrônica vêm dominando a noite nas capitais brasileiras já não é novidade. Boates de diversos segmentos se multiplicam no espaço urbano e hit após outro, o gênero é um dos mais executados nas rádios do país. Festas eletrônicas cada vez mais freqüentes e lotadas tem apontado para a hegemonia das pick-ups ou melhor; CDjs. Tanta popularidade do ritmo acaba impulsionando artistas nacionais a se arriscarem no gênero dominado por estrangeiros. Basta ouvir os programas de dance music para constatar que o Brasil importa os grandes sucessos da balada, e a nossos djs resta remixar. A gravadora MaxPop Music quer mudar essa história. Dirigida a menos de seis meses pelo quinteto formado pelo cantor Latino, seus sócios e empresários Christovam Neumann e José Carlos “Kaká” Silva e os produtores e djs Fabianno Almeida e Ian Duarte, a gravadora vêm investindo na dance música nacional e já conta com um elenco bastante ativo na produção de hits que caíram no gosto dos baladeiros. O Ramada, por exemplo, emplacou “Clap your Hands” e já segue com nova música de trabalho “Stand up” destaque na trilha sonora da novela "Sete Pecados" da Rede Globo. Outros nomes são Kassino e Tati Medeiros que com "A Noite Inteira", música em português, uma rara exceção, vem obtendo bons resultados nas rádios. No site da gravadora dá pra ouvir as músicas e comprovar que a noite está cheia de canções nacionais disfarçadas de hit americano.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Video Games Live

Para quem não sabe, domingo passado (23) foi dia de Video Games Live. O projeto que toca músicas de games clássicos e recentes veio para o Rio pela segunda vez tocar com a Orquestra Sinfônica da Petrobrás e contou, não só com a apresentação descontraída de Tommy Tallarico, mas com os esperados cosplays e jogos no palco com participação de alguns sortudos da platéia.

Músicas dos jogos Final Fantasy, Super Mario Bros., Zelda, Halo e Medal Of Honour não podiam ficar de fora. Quase meia hora do show, que durou mais de três horas (sem contar o intervalo entre atos que durou 20 minutos), foi dedicado a músicas da série Final Fantasy, o que reacendeu minha chama nerd que havia se perdido algum tempo. Nem preciso dizer que a primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi colocar o FF VIII pra rodar no computador. Fui matar um pouco as saudades.

Um dos momentos impagáveis do show aconteceu um pouco mais pro final, entre os vários intervalos entre uma música e outra, quando Tallarico, em toda a sua graça de fanfarrão, virou pra platéia e disse "Bem, eu estava lá atrás no backstage, conversando com duas meninas, e elas me disseram que eu deveria dançar pra vocês". Do nada, Tallarico começa a fazer a famosa Dança do Siri, do Pânico na TV. Ficou chocado com a gritaria generalizada que veio a seguir no Citibank Hall. De tão surpreso, qualquer interrupção era um pretexto para fazer a tal dança que "What the hell. I don´t know what that means, but it´s fun".

O dvd que o Video Games Live irá lançar contará com músicas tocadas nas duas apresentações do Rio (2006 e 2007), segundo eles, a platéia mais barulhenta que já tiveram. Deu orgulho. O trailer pode ser visto clicando aqui. Vale a pena.

Aqui, um vídeo do final apoteótico com One Winged Angel, também conhecida como Sephiroth´s Theme, de Final Fantasy VII.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Ainda dá tempo

Apesar de Tropa de Elite ter ofuscado o resto da programação do Festival do Rio, ainda há muito o que conferir.
A dobradinha música e cinema está presente em uma penca de filmes ou eventos.
Vejam as boas e confiram as informações sobre os cinemas no site:

1)Mostra "Cinema ao vivo" - A partir de hoje, todas as noites, até sábado. Sempre á meia-noite, no Odeon Br - manipulações de imagens e sons por Djs e videoartistas. Cada noite um programa diferente. Parece tudo de bom, especialmente no fim de semana.

2)Mostra Pocket films - Filmes feitos com celulares. Vale pela novidade e deve ter coisas legais. Acaba hoje, mas sempre tem uma repescagem...é ficar de olho.

3) "Controle, a história de Ian Curtis" - Pra quem não ligou o nome à pessoa, é sobre o - desculpem o clichê - "lendário" vocalista do Joy Division (na mostra Midnight Movies)

4)"I´m not there" - Ficção biográfica sobre Bob Dylan. Cinco atores - inclusive Cate Blanchet - representando o cara; direção do Todd Haynes (de Velvet Goldmine - filme excessivamente glam - quase trash, lembram) Hum? Será que isto vai dar certo?. Bem, fica a dica, na mostra Panorama.

5) Várias opções de documentários sobre MPB bacana - Martinho da Vila em " A Magia do Samba"; "Pixinguinha e a velha guarda do samba"; "Cartola - música para os olhos". Já rolaram esta semana e tem que ficar de olho para alguma repescagem.

Tocador "portátil" para vinil


O fato de muita gente apontar o iPOD como uma aparelho ultar-inovador, responsável por uma verdadeira revolução musical, deve-se ao fato de ignorarem que artigos anteriores como o discman e o walkman, associado as fitas cassetes, já apontavam rumo à uma personalização do som. Em "The Audible Past", o teórico Jonathan Sterne faz um histórico dos aparelhos de reprodução musical revelando "parentesco" entre eles, o que implica em pensar os atuais hábitos de consumo menos como ruptura e mais como um processo de continuidade.
Legitimando ainda mais essa teoria, eis que tive acesso a um singular aparelho chamado de Mister Disc. Trata-se de um tocador de LPs portátil lançado em 1983 pela Audio-Thecnica. Quando vi o aparelho logo imaginei a inconviniência em sair por aí com um disco de vinil girando preso a sua cintura. Mas, o Mister Disc limitava essa mobilidade podendo ser ouvido apenas com o aparelho estático e sob plano reto. Pintou curiosidade? Segue o link pro site da New Launches com direito a manual amarelado e consumido pelas traças depois de duas décadas engavetado.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Sexo no Second Life

Clique aqui para abrir o link de uma reportagem sobre a perda da virgindade de uma repórter no Second Life:

Um trechinho da matéria: "Devidamente paramentada, à imagem e semelhança de Eva, abro a janela de busca e sou bastante explícita no meu pedido: SEXO. Cruzo com mulheres e homens nus pelas ruas virtuais. Eles zanzam para lá e para cá com a mesma naturalidade com que gente de carne e osso ruma ao trabalho ou vai passear no parque (vestida, é claro). Eis que caio em um lugar chamado Floresta Proibida e - pior (ou melhor!) - dentro de uma sala de orgias. Dois casais bem animados se divertem sem pudor algum sobre um conjunto de almofadas. Um avatar nu vem seco em minha direção, pronto para o ataque. Careca, musculoso e coberto por cintos espinhudos, ele exige sexo. Saio correndo. Medo."

Site do MusiMid

Caros "Especternautadores" do nosso blog,
Repasso aqui a informação que acaba de chegar na minha caixa de e-mails sobre o endereço do site do MusiMid (Núcleo de Estudos de Música e Mídia), vinculado ao Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da USP, que parece ter acabado de entrar no ar: http://www.musimid.mus.br/

sábado, 22 de setembro de 2007

Algumas novidades sobre Mutantes e outras bandas dinossauras

ZÉLIA DUNCAN E ARNALDO BATISTA DEIXAM OS MUTANTES

Em dois comunicados divulgados nesta quinta-feira (20) pelo colunista Jamari França, do jornal "O Globo", a cantora Zélia Duncan e o músico Arnaldo Baptista anunciaram que não fazem mais parte dos Mutantes. Matéria completa disponível em http://musica.uol.com.br/ultnot/2007/09/20/ult89u8017.jhtm
E quem volta para uma apresentação única é a lendária LED ZEPPELIN. O show será realizado no dia 26 de novembro na O2 Arena, em Londres, em benefício da Ahmet Ertegun Education Fund, que financia bolsas de estudo nos EUA, Inglaterra e Turquia. Ahmet Ertegun foi um executivo da Atlantic Records que teve papel fundamental na carreira do Led Zeppelin, bem como no crescimento da soul music e de artistas como Neil Young, Ray Charles e Dire Straits. Amante do futebol, ele também foi co-fundador do time norte-americano New York Cosmos. Além dos três integrantes originais (Robert Plant, Jimmy Page e John Paul Jones), subirá ao palco Jason Bonham, o filho do baterista original John Bonham. O Led Zeppelin só se apresentou duas vezes após a morte de John Bonham, em 1980: uma no mega-concerto Live Aid, em 1985, com Phil Collins e Tony Thompson na bateria; e outra em 1988, no aniversário de 40 anos da Atlantic Records, já com Jason nas baquetas. Coincidindo com a apresentação, serão lançados no dia 12 de novembro o CD duplo "Mothership", com 24 sucessos da banda remasterizados, e no dia 19 do mesmo mês uma nova edição do filme "The Song Remains The Same" (que registra um show do Led Zeppelin no Madison Square Garden de Nova York, em 1973) nos formatos DVD, Blu-Ray e HD-DVD, com seis faixas inéditas. Ambos os produtos serão lançados no Reino Unido um dia antes do resto do mundo.
Também se apresentam no show do dia 26 de novembro Pete Townshend, Foreigner, Paolo Nutini e possivelmente Mick Jagger, todos acompanhados pela banda de um ex-baixista dos Rolling Stones, Bill Wyman And The Rhythm Kings.Coincidindo com a apresentação, serão lançados no dia 12 de novembro o CD duplo "Mothership", com 24 sucessos da banda remasterizados, e no dia 19 do mesmo mês uma nova edição do filme "The Song Remains The Same" (que registra um show do Led Zeppelin no Madison Square Garden de Nova York, em 1973) nos formatos DVD, Blu-Ray e HD-DVD, com seis faixas inéditas. Ambos os produtos serão lançados no Reino Unido um dia antes do resto do mundo.