sábado, 30 de maio de 2009

chris marker

Dica rápida sobre uma mostra legal que está acontecendo no CCBB.

Desde o dia 26 de maio, filmes de Chris Marker estão sendo exibidos por lá. Pra quem não conhece, ele é fotógrafo, escritor, cineasta e artista multimídia. E no seu currículo ainda tem estudo de filosofia com Jean-Paul Sartre.


A mostra acontece até o dia 7 de junho. Destaque para o dia 6, em que serão exibidos a sua obra-prima La Jetée (imagem acima) e A.K Portrait d’Akira Kurosawa, documentário sobre o cineasta japonês. Programação aqui.


Tosco mode on!

O Maria Vitória é um dos últimos bastiões lisboetas do teatro de revista, gênero que aqui no Brasil deixou os palcos e foi criar raízes na televisão, em programas como Zorra Total ou A Praça é Nossa. Note-se, no impagável cartaz de Piratada à portuguesa, a referência explícita ao filme Piratas do Caribe, aqui deglutido num espírito nitidamente gozador.


Quem me conhece sabe que eu nutro um apreço todo especial por coletar tosqueiras nos lugares por onde passo. E quando falo em tosqueiras, não vai aí nenhuma conotação pejorativa, por mais estranho que isso pareça: da mesma forma que o baixo corporal bakhtiniano, para mim o tosco faz parte da eterna dinâmica segundo a qual atribuímos valor a coisas e pessoas, e talvez seja essa visão de mundo que me permita emendar uma sessão de Jean Rouch na Cinemateca do MAM com o Sabbá Show.
O fato é que ao visitar um país estrangeiro, meu radar de tosqueira parece se tornar duas vezes mais sensível. Quando visitei a Itália, em férias, meu interesse pelos programas musicais da RAI Uno chegava às raias da obsessão. O que há de mais fascinante na tosqueira é que, muitas vezes, debaixo de um aparente descompromisso com a forma ou com o conteúdo, escondem-se camadas e mais camadas de significações num primeiro momento impensáveis.
Estava flanando pela FNAC do Chiado (Lisboa) quando avistei na prateleira dos lançamentos o CD aí do lado. Meu primeiro impulso foi conferir que diabo de canções uma coletânea chamada Luso Pop, cuja capa fazia uma referência mais-que-explícita ao clássico disco Velvet Underground & Nico assinado por Andy Warhol, traria em seu repertório. Longe de possuir uma proposta alternativa-vanguardista – chave de leitura que muitos utilizam para perceber um disco como o do Velvet – Luso Pop vai de GNR a Marco Paulo, passando por José Cid, Amália Rodrigues, Herman José, Rádio Macau e mais uma série de artistas cuja procedência desconheço. A título de (pífia) comparação, seria mais ou menos como se a Som Livre editasse uma coletânea chamada Pop Brasil que tivesse Roberto Carlos, Moacir Franco, Kid Abelha e Legião Urbana, e cuja capa ostentasse uma frondosa palmeira verde e amarela.

Passada a gargalhada inicial, comecei a pensar numa série de questões: que, por exemplo, nem todo mundo talvez seja capaz de perceber de imediato à referência ao disco do Velvet, e se essa correspondência fundamental porventura escapa ao indivíduo, 90% da graça de Luso Pop desce pelo ralo. Depois, há a possibilidade de você pescar a referência ao Velvet e justamente por isso esperar que Luso Pop se trate de um álbum em alguma medida vinculado ao espírito daquele disco, o que não me parece ser o caso. Em terceiro lugar, há um emprego consciente do estereótipo – o bacalhau representando metonimicamente a identidade Lusa e a referência a Andy Warhol dialogando com a idéia de Pop – o que de alguma forma me remeteu tanto ao conceito de “essencialismo estratégico” de Spivak (ou seja, aqueles momentos em que aderir ao estereótipo parece mais vantajoso do ponto de vista da auto-representação do que tentar desconstruí-lo), como também ao LP OutraVolta na Música Portuguesa, já comentado aqui neste blog. Por fim, há o próprio conceito de pop, que aqui parece complexificado ao extremo.

Se eu me arrependi de não ter comprado o CD? Acho que sim. Mas me arrependo mais de não ter visto Piratada à portuguesa – afinal de contas, em julho Luso Pop continuará à venda na FNAC, mas a Piratada... muito provavelmente já vai ter saído de cartaz... :-(

sexta-feira, 29 de maio de 2009

johnny lee

Johnny Chung Lee, um pesquisador da Microsoft especialista em interações do ser humano com dispositivos eletrônicos, ensina como transformar equipamentos do Wii em soluções pra lá de sofisticadas.

O projeto Head Tracking for Desktop VR Displays using the WiiRemote é um exemplo. Ele transforma a experiência de olhar para um dispositivo audiovisual (vulgo televisão ou monitor) em observar, literalmente, uma janela: dependendo do ponto do ambiente (sala, escritório etc) em que o espectador estiver, ele terá uma perspectiva diferente do conteúdo da tela.

Sabe quando alguém tenta desviar fisicamente dos morcegos quando está jogando The House of The Dead em algum fliperama, por exemplo? É como se este ângulo fosse possível.

Conferir é viver:



Mais soluções ambiciosas para periféricos de Wii neste link. E é legal lembrar que para a maioria dos projetos não é necessário ter o console do videogame, só os controles e a barra sensorial.


quinta-feira, 28 de maio de 2009

daan brinkman

Na última edição do FILE, dentre outros muitos trabalhos, figurava o Skinstrument.

O Skinstrument é uma mesa de som construída a partir do circuito de amplificação sonora LM386, um aparato bem cotidiano. Ele está em muitos dos modelos de caixa de som para computador do mercado, por exemplo. Eu já comentei sobre este trabalho especificamente num outro post, e deixei lá um video desta instalação de Daan Brinkman. Vale bastante a pena!

Voltei a conferir o canal do youtube do artista holandês de 26 anos. Ele vê na tecnologia uma possibilidade de interação e sociabilidade.

Na instalação Lines, que lembra uma reactable, o deslocamento das pessoas sobre um certo espaço provoca respostas visuais no chão, e também sonoras. A idéia de trabalho em grupo é presente mesmo quando o espaço da instalação é ocupado por quem não se conhece. Difícil ignorar a presença de alguém!




Outro trabalho bem legal de Brinkman é o 16 pillars, uma instalação de luz e som. Ele reage conforme os movimentos do ambiente, os processando com um software que gera som e dita o comportamento das luzes.




quarta-feira, 27 de maio de 2009

ops!

A Adidas House Party, que aconteceu em várias metrópoles brasileiras (Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo), mandou um quê a mais na capital carioca.

O esquema para a entrada na festa era feito pela mediação de um grupo seleto de "curadores" que escolhiam outros 40 VIPs. Um convidado em especial percebeu algo a mais que o clima hipster das roupas descoladas e da música in da festinha. João Paulo Cuenca, escritor e jornalista d'O Globo, reparou em detalhes da decoração que fugiram da atenção (segundo o que todos nós cremos, ou pelo menos esperamos) da produção do evento. Entre as beldades, formadores de opinião e fashionistas ao som de Glass and Glue figuravam várias indumentárias nazistas da mansão alugada para o evento, que o jornalista fotografou e publicou neste link do jornal.

águas turbulentas


A repercussão foi bem comentada pela internet, além de um pedido de excusas feito pela Adidas e uns comentários que fizeram no blog de Cuenca.


domingo, 24 de maio de 2009

Damo Suzuki - amanhã

Já divulgamos desde semana passada. Mas, agora com o release oficial do evento, só para lembrar do bate-papo com Damo Suzuki no Oi Casa Grande, amanhã, as 19 horas

" A ESPM-RJ, através do PANMEDIA LAB - Laboratório da ESPM de Pesquisas e Análises em Mídias, Entretenimento, Design e Intervenções Artísticas, e o Globo Universidade, com o apoio cultural dos programas de pós graduação em comunicação da UERJ, da UFF, da UFRJ, da PUC-Rio e do CAEPM, realizam nesta segunda-feira, dia 25 de maio, a 3ª edição do ciclo de debates do Consórcio de Entretenimento e Cultura Contemporânea(CECC).

O tema deste mês é "Entretenimento e Audibilidades Contemporâneas" e terá como convidado especial o músico Damo Suzuki, ex-vocalista da banda alemã Can, trazido ao Rio de Janeiro em parceria com a Plano B ( http://planob.net/ ) A proposta básica deste encontro é - através de um diálogo entre Simone Pereira de Sá (antropóloga e professora do PPGC-UFF), o músico Jean-Pierre Caron, o jornalista Arthur Dapieve e o músico Damo Suzuki - pensar a transformação das audibilidades contemporâneas. Esta transformação pode ser apreendida através dos novos suportes de escuta musical (como os mp3 e os celulares), de novos códigos sonoros como aqueles trazidos pelos gadgets e games, de movimentos culturais como a noise music e o circuit bending, de novas práticas de entretenimento como as salas de cinema multiplex e seus sistemas imersivos de distribuição de sons, de novas linguagens publicitárias, como aquelas que propõem o desenvolvimento de logos sonoras etc.

De uma maneira geral, iremos explorar o cenário sonoro contemporâneo a partir, fundamentalmente, das práticas correntes de entretenimento. A idéia é tentar lançar um pouco de luz sobre como as audibilidades se transformam hoje, inaugurando novos códigos sonoros que, por fim, afetam as práticas de comunicação e a própria cultura contemporânea.

Ao final do debate o músico Damo Suzuki realizará uma performance apresentando o seu conceito de instant composing, junto com os seus sound carriers (ver texto sinopse sobre o músico, abaixo) que utilizarão instrumentos musicais e gadgets variados (celulares, brinquedos eletrônicos, games etc), para acompanhar o músico.

DATA:Dia 25 de abril, segunda-feira;HORÁRIO: 19h.LOCAL: Teatro Oi Casa Grande: Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon. Rio de Janeiro.Entrada franca - Inscrições no site www.espm.br. Mais informações pelo telefone (21) 3523-2323

Curtas portugueses no Cachaça Cinema Clube

Aí, meu povo! Programão pra noite da próxima quarta (alguma dúvida de que o filme-surpresa vá ser João César Monteiro na veia? Eu aposto no Quem espera sapatos de defunto morre descalço, que andou sendo exibido recentemente numa mostra do CCBB sobre juventude, mas confesso que Passeio com Johnny Guitar no telão do Odeon também não seria maus)...

"Caros amigos,convidamos para o Cachaça Cinema Clube do dia 27 de maio, dedicado ao cinema português. De Portugal, herdamos a língua e toda a herança cultural dos colonizados, mas precisamos de tradução para compreender o que falam e sensibilidade para captar a melancolia que parece habitar o espírito português. E conhecemos pouco o cinema feito além-mar...

Apresentaremos 3 curtas metragens de jovens diretores que nos marcaram a retina nos últimos anos, experiências incisivas de cinema que agora temos prazer em compartilhar: Perímetro, de Miguel Seabra Lopes, A serpente, de Sandro Aguilar; e Lost in art: looking for Wittgenstein, de Luís Alves de Matos e João Louro. Para completar, um filme surpresa, uma obra genial do mais radical e libertino dos cineastas lusitanos.

Após os filmes, a noite segue com apresentação de Negro Léo e Trio Extraordinário. A banda, formada por Negro Léo, Daniel Fernandes, Gabriel Balleste e Pedro Dantas, aposta na Tropicália, Bossa Nova, jazz e vanguardas musicais e artísticas em geral. Coisa fina.

Antes e após o show, DJ H tocará rock de Portugal da década de 1960, música brasileira das décadas de 60 & 70, além de grupos nacionais e internacionais influenciados pelo jazz e por seus subgêneros. Tudo isso regado `a tradicional degustação da Aguardente Claudionor.

Dia 27 de maio, às 21h, no Cinema Odeon Petrobras.
Quem espera por sapatos de defunto, morre descalço.
Venham todos.
Abraços,
Cachaça Cinema Clube
entender é parede: procure ser árvore
www.cachacacinemaclube.com.br"


PS #1: um obrigado transbordando de afeto a todos aqueles que se lembraram deste que vos blogueia ao saberem da sessão do CCC...

PS #2: e a propósito do tema "curtas portugueses", uma boa notícia que acabou de sair do forno - Arena, de João Salaviza, levou o prêmio de melhor curta-metragem do recém-terminado Festival de Cannes. Por pouco muito pouco pouco mesmo não conferi o filme no último Indie Lisboa, do qual também saiu premiado. A edição on line do jornal Público fez uma boa cobertura da vitória de Arena - meio ufanista, é verdade, mas nessas horas tem que ter orgulho mesmo! Agora é ficar na torcida para em algum momento a gente ter a chance de conferir esse filme, né?

sábado, 23 de maio de 2009

iggy imprevisível

Não deu pra uma das últimas do Iggy Pop passar despercebida.

Ele fez a campanha da seguradora de carros Swiftcover. No comercial para a TV (um pouco brega), que já foi tirado do ar, ele dança sem camisa fazendo caras e bocas. E isto distorce um detalhe muito sórdido a respeito da Swiftcover: ela se recusa a aceitar músicos como segurados. Pode?

E ele continua sendo o garoto-propaganda, apesar de tudo. A diretora de marketing do swiftcover.com disse para o jornal britânico Telegraph que Iggy foi escolhido para a campanha porque "ele ama a vida, e não porque ele é um músico". Que desculpinha hein!

Outra contradição do iguana, mas uma muito mais ponderável: o álbum novo dele, Préliminaires, que está para sair no dia 25 de maio.


A arte da capa e do encarte é da cartunista franco-iraniana Marjane Satrapi, autora de Persépolis, que fez amizade com Iggy desde que ele participou como dublador na versão animada da história.

A contradição está no fato de ele dizer estar cansado de "ouvir broncos idiotas com guitarras tocando músicas ruins". Préliminaires tem uma levada mais tranqüila e jazz. Ele, inclusive, fez uma versão de uma música do Tom Jobim, Insensatez, que foi traduzida para How Insensitive.

Amo o Tom, mas confesso que não consigo ficar sem pensar "que é isso, Iggy?" por um momento.

Pelo menos, ele não abriu mão da identificação que tem com cachorros. Na faixa King of The Dogs, o eu-lírico é um cachorro que fala sobre o quanto é melhor estar na pele dele do que na de um ser humano.