Embora o blog eleja como temas principais a música e as novas tecnologias digitais, abro aqui um parêntese para comentar sobre um novo produto cultural das chamadas mídias tradicionais. Trata-se do lançamento da revista gay JÚNIOR. A novidade editorial, criada pelo grupo Mix Brasil, chegou as bancas do Rio e de São Paulo na última Sexta-feira, dia 14, e na próxima Terça-feira, dia 18, deve estar chegando em outras cidades brasileiras. Cabe destacar que a JÚNIOR é atualmente a única revista brasileira direcionada ao público gay que desvia da temática exclusivamente sexual (a revista não apresenta ensaios pornográficos como a G Magazine, por exemplo) para focalizar no comportamento gay de forma geral. Com destaque para moda, saúde e estética, turismo, lazer, cultura, tecnologia e personalidades, a edição é formada por seções comuns a outras revistas, mas sob um viés que atenda as necessidades de seu público-alvo.
Considero importante a chegada dessa revista, pois ela amplia a cena gay para além da orientação sexual, e se parte dela, o que vêm a seguir é todo um mundo de significação e de comportamento que aponta tanto para as especificidades da digamos “classe”, quanto para a similaridade de interesses com outros segmentos. O projeto gráfico da revista revela essa ambição em diferenciá-la das edições eróticas; na capa um modelo devidamente vestido (com uma camiseta regata rosa é claro) cercado por palavras familiares como “mundo digital”, “música”, “músculos” e outros temas afins. Observei também que em todas as bancas a revista tem sido exposta harmoniosamente ao lado de revistas como Rolling Stones, Bizz, TPM e VIP.
No site http://www.revistajunior.com.br/ e no blog é possível ter acesso as seções e aos temas das matérias dessa primeira edição. E lembrando da última reunião do grupo, na qual discutimos a noção de subcultura, é interessante observar que a revista pode ser um objeto de estudo muito interessante uma vez que esta mapeia os hábitos de consumo e os interesses da cena gay.
Um comentário:
O GAY SEM PINTO, de ANDRÉ FISCHER
... ou os filhos mais queridos do Capitalismo de Ficção
Por: NUCOOL - www.4pixel4.com
O capitalismo de ficção descobriu que, apesar de gastarem muito com a boate, a academia, a underwear e o dealer, tem sobrado dinheiro nas mãos da frágil comunidade gay brasileira. Não é atoa que a Editora Abril está de olho nesse mercado, assim como a Editora Peixes e a revista JUNIOR, recém lançada no mercado para os moradores de Ipanema, Moema e Jardins.
Quando eu disse a minha mãe que fazia sexo com outros homens, ela me disse que eu poderia fazer o que quisesse da minha vida, mas que ela não gostaria de ver esse meu estilo de vida de perto*.
Parece que a sociedade não mudou muito, mesmo entre os heteros mais amistosos. A sensação de desconforto é visível, quando duas pessoas do mesmo sexo, deixam o discurso intelectual e partem para o contato físico, sejam simples beijos e abraços.
A Rede Globo, criou gays idiotamente perfeitos na atual novela das 8. Lindos, másculos, amigos, bem sucedidos, mas sem a manifestação dos desejos da carne. A revista JUNIOR, também purificou os gays, atendendo as necessidades do mercado, e lançou o Gay sem Pinto.
O capitalismo de ficção, disse, tá bom vocês podem ser gays, querem sair da marginalidade? Mas eu dito as regras de como vocês devem se comportar. Quero vendê-los ao mercado. Quero o dinheiro de vocês.
Quero só os de tórax perfeito e sedutores (como diria a minha amiga Abusada: SÓ AS TETUDAS!). Ok, podem ser artistas e excêntricos. Mas sem pinto! Essa é a fórmula da revista JUNIOR, que apostou nos descamisados!
A revista é graficamente bonita e não podemos deixar passar a presença de Stéphane Malysse e David Le Breton nesta edição. Claro que já antes citados no PÓS-GAY da NUCOOLEXPERIENCE: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1354445
Meus agentes infiltrados nessas editoras, me contaram que a conversa da cúpula é não apresentar o "gay genital", porque os homens heteros que administram o dinheiro, não gostam de pinto, além do próprio. Para nós leitores, o discurso vem maquiado num tal de "não explícito", mas erótico! Não que eu precise de uma revista para ver homens nus, o papel nunca foi meu fetiche. Tão pouco preciso de uma revista gay! Como disse Dani Umpi, na própria revista, acredito na mescla de mundos e não gosto de guetos. O mundo mudou e ter como referência as revistas Têtu, Out ou a Zero isso ficou nos anos 90! O mundo se transformou, a problemática é humana, quero mais é saber como administrar a vida nesses novos tempos!
A fórmula editorial original da respeitada revista dos "machos", a Playboy, sempre foi conciliar bons textos com peladonas mostrando a buceta, sem medo. Isso é atitude, poder e política!
Por que o sexo e o corpo feminino é elevado a condição de artístico e esse corpo masculino, abaixo da cintura, os próprios gays acreditam ser vulgar? Será que esses oportunistas, disfarçados de militantes querem fazer algo realmente político e informar, ou somente lançarem livrinhos de culinária e revistinhas adequadas para encherem o bolso de dinheiro rosa?
Se vc é um júnior, recém-chegado ao mundo cor-de-rosa, não muito adequado aos padrões estéticos propostos por André Fischer, corra para o supino e ao cirurgião plástico, pelo que a revista mostra não existe espaço para você. Ou se mate!
Inteligente é não pagar para consumir o que vc encontra de graça no mundo virtual!
PASOLINI:
http://www.youtube.com/watch?v=vvedmE74MNc&mode=related&search=
* Anos depois, minha mãe se arrependeu da frase e meu pai tem mais amigos gays do que eu! O texto foi escrito sob o espírito do vinho sul africano ORACLE-SHIRAZ, vendido no Pão de Açúcar.
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