terça-feira, 6 de janeiro de 2009

2009 - Ano "oficial" do funk...

O deputado Chico Alencar do PSOL-RJ apresentou um projeto de lei que visa definir o gênero carioca como "forma de manifestação cultural popular", garantindo assim, que o Poder Público passe a participar oficialmente com incentivos a produção e democratização do estilo musical. O projeto vem gerando muitas críticas, a maioria ainda apoiada nos argumentos de que o funk é patrocinado pelo tráfico, ou que as letras, com suas conotações sexuais, não devem ser associadas a cultura brasileira. A proposta também virou notícia nos principais veículos musicais no exterior que apontam como a lei vem enfrentando resistências. Defendendo a lei, Alencar lembrou perfeitamente como o samba, hoje um dos gêneros mais bem conceituados e legitimados do mundo, já sofreu preconceito. "Houve época em que, no Brasil, era proibido sambar! Hoje, é o funk que enfrenta toda ordem de preconceitos e tentativas de desmobilização por parte de segmentos da sociedade que discriminam manifestações culturais das classes menos abonadas, sobretudo as ligadas à cultura negra".

Assumindo posição, o DJ Marlboro lembrou os empregos gerados pela cultura funk e citou a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que apontou cerca de R$127,2 milhões movimentados por ano em torno do gênero. O DJ também falou como os funkeiros são os novos ídolos da favela em contrapartida aos traficantes e como o estilo tem se popularizado nas pistas de dança no exterior. Segundo o jornal britânico The Guardian, o gênero vem se expandindo e já garantiu seu lugar no mainstream.

2 comentários:

Adriana Amaral disse...

nada contra o funk, mas será q é preciso uma lei para legitimá-lo? sinceramente nao vejo necessidade disso.. o rock, a música eletrônica, o rap etc tb sofreram (e ainda sofrem) preconceitos e nao vi nenhuma legislação dizendo que eles são patrimônio cultural da humanidade.. até pq esses processos são apropriações.. enfim.. só pra polemizar um pouco

Jefferson Chagas disse...

Oi Adriana, tb concordo... a legitimação é um processo sócio-cultural que dificilmente será atribuído ao funk por conta de uma aprovação de lei. No entanto, alguns argumentos usados pelos representantes do gênero parecem coerentes. O DJ Marlboro por exemplo, citou algumas cidades (me lembro de Teresópolis) em que a prefeitura não permite sua execução em eventos públicos. Verdade que estou me baseando no que ele disse, mas me parece justo que se o Poder Público destina verbas para o fomento de eventos culturais de diversos gêneros nacionais, o funk também merece seus incentivos. Lógico que ainda existirão os que olham torto para o estilo, assim como vc mesmo citou, maldizem o rock e a música eletrônica (este com rave proibida no reveillon e Ipanema inclusive), mas bem ou mal, possuem seus festivais, seus concursos culturais, tocam em eventos públicos, etc. Se a lei garantir um maior equilíbrio no que se refere aos incentivos da produção e distribuição do gênero (ou seja,questão estritamente burocrática) acho que pode ser interessante, e justo. Mas, mais uma vez, quanto a valoração do gênero, essa é uma outra história.