O deputado Chico Alencar do PSOL-RJ apresentou um projeto de lei que visa definir o gênero carioca como "forma de manifestação cultural popular", garantindo assim, que o Poder Público passe a participar oficialmente com incentivos a produção e democratização do estilo musical. O projeto vem gerando muitas críticas, a maioria ainda apoiada nos argumentos de que o funk é patrocinado pelo tráfico, ou que as letras, com suas conotações sexuais, não devem ser associadas a cultura brasileira. A proposta também virou notícia nos principais veículos musicais no exterior que apontam como a lei vem enfrentando resistências. Defendendo a lei, Alencar lembrou perfeitamente como o samba, hoje um dos gêneros mais bem conceituados e legitimados do mundo, já sofreu preconceito. "Houve época em que, no Brasil, era proibido sambar! Hoje, é o funk que enfrenta toda ordem de preconceitos e tentativas de desmobilização por parte de segmentos da sociedade que discriminam manifestações culturais das classes menos abonadas, sobretudo as ligadas à cultura negra".Assumindo posição, o DJ Marlboro lembrou os empregos gerados pela cultura funk e citou a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que apontou cerca de R$127,2 milhões movimentados por ano em torno do gênero. O DJ também falou como os funkeiros são os novos ídolos da favela em contrapartida aos traficantes e como o estilo tem se popularizado nas pistas de dança no exterior. Segundo o jornal britânico The Guardian, o gênero vem se expandindo e já garantiu seu lugar no mainstream.
2 comentários:
nada contra o funk, mas será q é preciso uma lei para legitimá-lo? sinceramente nao vejo necessidade disso.. o rock, a música eletrônica, o rap etc tb sofreram (e ainda sofrem) preconceitos e nao vi nenhuma legislação dizendo que eles são patrimônio cultural da humanidade.. até pq esses processos são apropriações.. enfim.. só pra polemizar um pouco
Oi Adriana, tb concordo... a legitimação é um processo sócio-cultural que dificilmente será atribuído ao funk por conta de uma aprovação de lei. No entanto, alguns argumentos usados pelos representantes do gênero parecem coerentes. O DJ Marlboro por exemplo, citou algumas cidades (me lembro de Teresópolis) em que a prefeitura não permite sua execução em eventos públicos. Verdade que estou me baseando no que ele disse, mas me parece justo que se o Poder Público destina verbas para o fomento de eventos culturais de diversos gêneros nacionais, o funk também merece seus incentivos. Lógico que ainda existirão os que olham torto para o estilo, assim como vc mesmo citou, maldizem o rock e a música eletrônica (este com rave proibida no reveillon e Ipanema inclusive), mas bem ou mal, possuem seus festivais, seus concursos culturais, tocam em eventos públicos, etc. Se a lei garantir um maior equilíbrio no que se refere aos incentivos da produção e distribuição do gênero (ou seja,questão estritamente burocrática) acho que pode ser interessante, e justo. Mas, mais uma vez, quanto a valoração do gênero, essa é uma outra história.
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