segunda-feira, 13 de julho de 2009

Gravadoras se rendem à cultura da web?

A matéria publicada na capa do Segundo Caderno do jornal O Globo da última sexta-feira (somente assinantes podem acessar aqui) traz o título "Música digital 2.0 - Gravadoras se rendem à cultura da web e começam a fazer as pazes com o século XXI".
O texto, do jornalista Leonardo Lichote, diz que estamos em um "momento de virada da relação da indústria [fonográfica mundial] com o meio digital" e que este momento tem reflexos no Brasil. A virada significaria que a indústria começa a "trabalhar com o internauta na lógica da web na qual ele foi acostumado, usando a mesma oferta virtualmente infinita encontrada nos serviços de download ilegal, sem cobrar nada ou a um preço baixo".
Exemplos dessa mudança na indústria da música seriam:
  • O site brasileiro Sonora (www.sonora.com.br), que, na lógica da cultura do acesso, permite escutar as músicas gratuitamente, e cobra R$ 19,90 mensais para o download.
  • O site Spotify (www.spotify.com), que permite que os usuários escutem as músicas, junto com anúncios publicitários, gratuitamente, e sem anúncios publicitários a 9,99 libras mensais (o serviço ainda não está disponível no Brasil, mas o vídeo de propaganda do site está disponível no endereço acima).
  • O site Qtrax (www.qtrax.com), que permite o download gratuito.
  • Celulares, como o Nokia 5800 que, quando comprados, permitem que os consumidores baixem músicas por um período de um ano. Os arquivos são protegidos, não sendo permitido gravar as músicas em outros suportes, como um CD.
  • Músicas vendidas em pen drive, como as coletâneas Pen Music da EMI.
  • Músicas vendidas em estações digitais semelhantes a caixas automáticos, que podem ser baixadas para pen drives ou MP3 players, como a que existe na Fnac.
Para os gerentes de novas mídias das gravadoras que servem como fonte da matéria, o problema maior da música digital no Brasil não é licenciamento, mas os altos impostos cobrados sobre músicas vendidas no celular e na internet.
Deixo as análises para os pesquisadores de música do LabCULT.

Um comentário:

Jefferson Chagas disse...

E mais essa do Coldplay (post acima). Os tempos são outros mesmo e a indústria fonográfica vai ter que se reinventar. Na verdade ela já está fazendo isso.