segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O underground


Parece que quem escreveu esse artigo aí no Wikipédia está atrasado pelo menos uns 20 anos. Isso só prova a completa ignorância por parte do senso comum sobre o assunto “underground”. Primeiro que hoje música alternativa não é a mesma coisa que música underground, botar Cachorro Grande no mesmo saco que o Gangrena Gasosa é a mesma coisa que dizer que cachaça é água, olhando até parece igual, mas se experimentar vai ver que é uma coisa completamente diferente.
 “Esse tipo de música de um modo geral possui pouco ou nenhum apelo de massa”, segundo erro grave. O grunge era um estilo underground, e o Nirvana revolucionou a parada vendendo 400 mil cópias do seu disco Nevermind em apenas uma semana, isso em 1991, ou seja, o underground pode ter apelo de massa, mas isso não depende dele, depende da mídia, da indústria e de uma série de coisas.
Terceiro erro grave: “o underground não tem presença comercial”, quem pensa assim nunca ouviu falar da tal da cauda longa.
Analisar o underground apenas do ponto de vista comercial e musical é deixar de lado todo o resto, toda a questão social, cultural e espacial de onde a cena se desenvolve. É justamente aí que está o diferencial da música underground, nessas especificidades, nas milhares de cenas espalhadas por aí, cada uma com uma história uma característica.
Link para: "Se Deus é 10, Satanás é 666" do Gagrena

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Rede Social

Finalmente fui ver o filme sobre o Facebook. Se alguém não foi ao cinema vale a pena assistir a versão de Hollywood sobre o surgimento do fenômeno. Ficam aqui as minhas considerações para promover um debate sobre o filme a partir do Labcult.

A trama se costura a partir da batalha judicial entre Mark Zuckemberg, criador do Facebook, e seus antigos companheiros de campus na universidade de Harvard.  Zuckemberg é acusado por eles de ter roubado a idéia da rede social.
A partir daí se desenvolve a narrativa que mais me chamou a atenção na estória: a disputa pela autoria. Dois grupos diferentes reinvidicam o mérito de terem "inventado" o Facebbok.  Ao mesmo tempo,o filme ilustra como o Facebook não foi uma idéia brilhante que surgiu de uma maçã caída na cabeça, ou de um choque provocado por uma raio em uma pipa, ou qualquer efeito Erueka.  

Conectar pessoas sempre foi um dos vetores de evolução da internet, e redes sociais que propõe toda forma de contato, a partir da música, trabalho ou outros interesses comuns, sempre se articularam. O Facebook é nada mais que o formato mais bem sucedido de uma série de tentativas. Seu mérito foi saber transpôr (ou remediar,  como prefere Bolter) para o ambiente da internet uma tradicional mídia do ambiente estudantil americano, o Yearbook. A partir dessa idéia inicial, uma série de artifícios foram sendo criados para que essa mídia aproveitasse de todas as novas possibilidades da rede de computadores. Portanto, não se cabe uma discussão sobre propriedade intelectual ou criativa. Até porque, ainda hoje, o Facebokk não tem um formato consolidado e, sendo assim, várias inovações ainda serão acrescentadas à sua plataforma, na tentativa de deixá-la mais completa.

Boa parte dessas inovações não surgirá do "brilhante staff " do Facebook. Talvez sejam inspiradas em outras velhas idéias, como o Yearbook. Sendo assim poderão sair de iniciativas espalhadas pelos mais diversos pontos da rede. E quando se mostrarem atraentes serão incorporadas ao Facebook.


Hoje,  o Facebook está economicamente consolidado e não é por seu potencial de inovação, ou por direito autoral sobre redes sociais, mas porque soube expandir sua base de usuários por todo o mundo e já acumula um banco de informações pessoais suficientes para rivalizar com outros grupos como Google, que também detém informações sobre perfil de consumo de grupos e indivíduos. Não por acaso, Google e Facebook bloqueam-se mutuamente, não deixando que um tenha acesso aos dados no ambiente do outro e atulamente competem pela hegemonia do "número páginas iniciais ", ou seja, qual o primeiro site que você usa quando liga a internet.

O filme ilustra uma passagem importante da história da internet. É quando a rede entra no mundo dos negócios para valer. O ambiente que antes era construído por empreendedores individuais, geralmente incoporados na figura do jovem programador com horas livres para criar ferramentas para a incipiente rede, se torna a mina de ouro dos fundos de capital de risco e provoca uma segunda corrida ao oeste americano. Em busca do California Dream: a idéia que vale milhões. Essa mesma idéia que, como vimos, é mais esforço e atenção ao ambiente que criação genial.

Assim, a internet sai do ambiente universitário e passa a ocupar todos os lugares, inclusive o mundo das grandes cooporações. E pela ilustração do filme, nesse novo ambiente do capital digital, não existem ideais comunitários, liberdade do código fonte ou qualquer  tecnoutopia. No filme estão todos, sem excessão, de olho nas novas minas de silício. Alguns com estratégias ultrapassadas e outros percebendo a inovação e o stay cool como tática.

Mas como não se fazem roteiros sem mocinhos e bandidos, o papel do vilão, aquele que extrapola as regras da boa conduta e passa por cima de todos é ironicamente dado ao fundador do Napster!!! Acredite se quiser, o rapaz mais perseguido pela velha indústria da mídia, por ajudar a por em funcionamento a nova, é representado como o jovem dinâmico e inescrupuloso que se encaixa perfeitamente no perfil dos novos investidores dos hedge funds, conceito que virou uma instuição natural do mercado digital.

Até que ponto o Sean Parker do filme corresponde ao personagem real ou à sua caricatura construída pela mídia não consigo saber. Mas, uma vez mais, tenho simpatia pelo vilão e passo a confundi-lo com o herói.


De rebelde mesmo, só a voz de John Lennon fechando o filme. Tocar "You are a Rich Man" foi um comentário interessante do diretor a respeito do que havia acabado de ser projetado na sala do cinema.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Na pista


Não sei se isso também acontece como vocês, mas às vezes a gente adquire determinado material (com fins de investigação acadêmica ou não), coloca ele na gaveta e só depois de um tempo, quase sempre do nada, o dito cujo cruza o nosso campo de visão e a gente pensa “como eu nunca dei importância para isso antes?”. Fenômeno congênere ocorreu comigo semana passada quando, ao vasculhar a minha estante de álbuns adquiridos durante a estadia em Portugal à procura de algo novo para escutar, deparei-me com o “3 Pistas – volume 2”. O disco já é meio velhinho (foi lançado em 2009), mas só agora sinto-me capaz de tecer algumas considerações sobre ele.


O projeto “3 Pistas” foi idealizado pelo radialista Henrique Amaro como rubrica do programa “Portugália”, da Antena 3. Cada banda convidada tem à sua disposição três pistas de áudio para gravar duas canções – uma de própria lavra e uma versão. O que poderia funcionar como limitação técnica, muito pelo contrário, parece estimular a criatividade dos artistas no sentido de construir releituras minimalistas de determinadas músicas (tarefa na qual algumas bandas se saem melhor do que outras, nomeadamente aquelas que já possuem uma estética lo-fi logo à partida).


Mas o mais bacana do projeto “3 Pistas” fica reservado às versões. Poucas coisas são tão reveladoras dos graus de filiação e parentesco que determinado artista deseja estabelecer com outros músicos, e do modo como esse mesmo artista busca se inserir numa dada linha genealógica do universo pop, quanto uma aparentemente inocente versão (álbuns de duetos também são excelentes objetos nesse sentido). Pena que, para o público brasileiro, boa parte da graça advinda de um disco como o “3 Pistas” dependa de um conhecimento mínimo do quem-é-quem da música portuguesa durante os últimos 40 anos (a exceção que muito nos toca talvez seja a releitura quase fiel – inclusive no sotaque – que JP Simões faz do “Retrato em branco e preto” de Chico Buarque e Tom Jobim). Tiago Guillul gravando “A glória do mundo” dos Heróis do Mar e trazendo para primeiro plano a atmosfera religiosa que já habitava a versão original; Linda Martini pegando na canção “Adeus tristeza” de Fernando Tordo e transformando-a numa toada épica de mutilar o coração; ou ainda Os Pontos Negros revisitando com tintas strokeanas a festivalesca “Esta balada que te dou”, de Armando Gama: as implicações de tais escolhas infelizmente permanecem obscuras pra nós. Restam-nos, a título de consolo, as releituras no âmbito do pop/rock anglófono que nos são muito mais familiares: nesse quesito, o volume 2 do “3 pistas” alterna casamentos quase óbvios (Sean Riley & the Slowriders com Bruce Springsteen, The Vicious Five com AC/DC e, por que não dizer, JP Simões com Chico Buarque) com flertes verdadeiramente surpreendentes (D3ö e Amy Winehouse, Dapunksportif e Billy Idol, Clã e Klaxons).


Minhas faixas favoritas incorrem neste último domínio, aliás. Embora depois que a gente escute a relação faça todo o sentido, dificilmente alguém imaginaria “Where is my mind” do Pixies aparecendo assim quase nua, coberta apenas por um tecladinho Casio manhoso (encontrado na rua, reza a lenda) e pela voz de David Santos como o Noiserv imaginou. E encerrando o álbum de forma majestosa, temos At Freddy’s House despindo “Dancing in the dark” de Bruce Springsteen de qualquer vestígio épico e convertendo-a numa balada de insuspeita melancolia.


***


E como dizia o outro, quando menos se espera, chega o (Pai) Natal.

Um feliz 2011 – também conhecido como o ano da tese – para todos.

E que as Musas Lusas nos protejam.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Dicas de presentes: livros sobre música




Como ninguém escapa de ter que comprar pelo menos um presente de Natal nem de ler sobre "os melhores" de 2010, resolvi juntar as duas coisas neste post. Sim, leitores, era mesmo inevitável...

Mas, desde que comprar Cds para os amigos ficou old fashion, passei a privilegiar as livrarias da cidade e por isto pensei numa lista de livros sobre música. Era pra ser só dicas de livros recentes. O pior é que me empolguei e a lista virou a dos meus livros favoritos sobre música da década. Ou melhor: os livros que eu li nesta década e que gostaria de recomendar, descartada a bibliografia acadêmica, que faz parte do nosso trabalho (aí não tem graça para o leitor não especialista). Pensei em 10 livros que dão prazer, divertem, emocionam, polemizam fazem pensar e mudam a nossa vida (juro, em alguns casos extremos isto já aconteceu comigo).A lista está dividida em duas partes: os meus favoritos, que recomendo sem restrições; e a lista dos que não li e gostaria de ganhar de Papai Noel.


I) Meus Favoritos da década
Na categoria romance não tem para ninguém. Nick Hornby é o cara! Seus dois romances: Alta Fidelidade e Juliette Nua e Crua são geniais. O universo do rock e da cultura pop, dos fãs, do underground e no caso de Juliette também das redes sociais - descrito a partir de um ponto de vista amoroso, irônico e perspicaz é a marca do escritor inglês. Tenho total identificação geracional com ele e estes livros são bíblias pra mim. Mas, vamos citar só Juliette, uma vez que Alta Fidelidade é da década passada.

Na categoria biografias, tem um monte, mas também fico com dois. O primeiro é um amor recente: o livro Só Garotos, escrito pela minha musa Patti Smith, que li nos últimos dias. A cena musical e artística da Nova York dos anos 60 e 70; o caso de amor e amizade dela com o artista plástico Robert Maplethorppe; a presença de Andy Warhol e do pop valem cada página. Chorei pra cacete, é lindo e emocionante, ainda que não tenha nada de triste.

O segundo livro é a biografia do Tim Maia escrita pelo Nelson Motta há alguns anos. Pra contrabalançar o anterior, neste as lágrimas são de riso. O livro é é hilário, genial, engraçado, delicioso, afetivo e de quebra recheado de fatos e dados históricos importantes sobre a indústria da música no Brasil

Nesta categoria, apesar de ter sido retirada de circulação por mandato judicial, recomendo a biografia Roberto Carlos em Detalhes, escrita pelo Paulo Cesar Araujo em 2008. Trabalho de historiador, com fontes meticulosamente pesquisadas e respeito desmedido pelo biografado, o trabalho pode ser encontrado numa gogleada. Ponto a favor de Paulo Cesar e única bola fora do Rei, que, inexplicavelmente, processou os editores e copnseguiu retirar a obra de circulação. Mesmo para quem não gosta de Roberto, também é um livro importante sobre a consolidação da indústria fonográfica e a cultura de massa no Brasil. Imperdível!
Na categoria "relatos de cenas musicais" - tem um monte e vou citar quatro dos quais gosto muito. O primeiro é o calhamaço do Simon Reynolds sobre a cultura da música eletrônica, chamado Ecstasy Generation (infelizmente sem traduçaõ no Brasil). Foi lançado em 1999 mas só li em 2001, por isto entra na minha lista pessoal da década. O segundo é o Heavy Metal com Dendê, de Jeder Janotti sobre a cena metaleira de Salvador - livro super interessante que relata as dificuldades da cena do metal baiano tentando se organizar apesar do onipresente axé.
O terceiro é o Babado Forte, da Erika Palomino, que descreve a cena clubber paulistana dos anos 80/90, numa visão muito pessoal e idiossincrática, mas deliciosa. Detalhes e fofocas do mundo fashion, da montação das drags e doors é o forte. Também é de 1999, lido por mim circa de 2001/2002.E o quarto é o Batidão, livro do jornalista Silvio Essinger sobre a cena de funk carioca.

O nono livrro da lista é a reunião das críticas viscerais do lendário Lester Bangs para a nata das revistas tais como Creem, Rolling Stone (dos bons tempos) Village Voice, New Music Express, dentre outras - chamado Reações Psicóticas. Rock na veia, no tempo em que se fazia crítica cultural de verdade em revistas especializadas. De quebra, uma viagem de volta aos anos 70.

E o décimo é um livro bem bizarro, o Alucinações Musicais: relatos sobre a música e o cérebro, do neuro-cientista Oliver Sacks, que discute experiências humanas intrigantes ligadas a reações inusitadas do cérebro á música. (por ex: uma síndrome que torna acomete crianças, tornando-as hiper-musicais).
Colocando as sugestões em ordem, minha top ten fica então assim:
10) Alucinações Musicais - Oliver Sacks - (Cia das letras; 2007)
9) Reações Psicóticas - Lester Bangs (Ed. Conrad, 2005)
8) Babado Forte: moda, música e noite - Erika Palomino (Ed Mandarim, 1999)
7) Batidão - Uma história do funk - Silvio Essinger (Ed, Record; 2005)
6) Heavy Metal com Dendê: Rock Pesado em tempos de globalização - Jeder Janotti Jr (Ed. E-Papers, 2004)
5) Vale tudo: O Som e Fúria de Tim Maia - Nelson Motta (Ed. Objetiva; 2006)
4) Roberto Carlos em Detalhes - Paulo Cesar Araújo (Ed. Planeta; 2006)
3) Generation Ecstasy: into the world of techno and rave culture - Simon Reynolds (Routledge; 1999)
2) Juliette Nua e Crua - Nick Hornby (ed. Rocco; 2009)
1) Só Garotos - Patti Smith (Cia das Letras-2010)

E sobre a minha cesta de Natal? Bem, na minha wish list só tem biografias. Sobre o contexto brasileiro,"50 anos a 1000, a biografia do Lobão (discordâncias e polêmicas à parte, deve ser um ótimo panorama da música nos anos 80)"; mais a auto-biografia do Erasmo Carlos; e também a do André Midani, chamada "André Midani, Música, Ídolos e Poder - do Vinil ao Download”, contando os detalhes da sua história nos bastidores das gravadoras. Fora das terras brasilis, quem resiste a ler sobre a vida do Keith Richards?Mas, esta não preciso ser presenteada, pois já entrei na fila de empréstimo de um amigo que ganhou o livro esta semana...
Completam a lista os livros do Lou Reed e do Nick Cave e lista fechada.
Discordem, comentem, façam suas próprias listas e Feliz Natal!



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Totalmente fumado


Algumas das coisas mais bacanas da música portuguesa contemporânea surgiram e continuam surgindo por intermédio de pequenas gravadoras. Nos anos 80, a vertente mais arrojada do rock português não teria existido sem a articulação de companhias discográficas como a Dansa do Som e a Ama Romanta. No contexto atual, veja-se o caso das “primas” Flor Caveira e Amor Fúria, cada uma a seu modo contribuindo para a oxigenação do pop/rock lo-fi made in Portugal. Ou mesmo a Merzbau (de Tiago Sousa), que entre 2005 e 2009 consolidou-se como referência no âmbito da música experimental/exploratória, e por onde Noiserv, B Fachada (pós-FC), Jesus the Misunderstood e Walter Benjamin (!) lançaram CDs e EPs recomendadíssimos. Com o fim da Merzbau, quem parece ter herdado sua reputação é a Mbari, cujo elenco inclui Tó Trips (a metade sem cartola do Dead Combo), Norberto Lobo, Lula Pena, Tigrala e... B Fachada, que num ritmo intenso de dois álbuns por ano, acaba de soltar no mundo mais uma obra (“B Fachada é pra meninos”, um primor de título).

Longe de mim estar aqui aproveitando este espaço para fazer uma defesa dos pequenos contra os grandes, do “underground” contra o “mainstream” ou coisa que o valha, até porque a gente tá careca de saber que os territórios são menos demarcados do que se supõe. Contudo, me parece que a relação menos tensa que tais empresas desenvolvem com determinados imperativos de mercado pode, em alguns casos, fomentar estudos de caso interessantes.


Imerso que estava no universo da Flor Caveira e família, confesso que nunca dei a devida atenção à portuense Meifumado. Até que outro dia comecei a receber umas newsletters da gravadora anunciando o lançamento de mais uma banda nova – chamada Guta Naki – e resolvi fazer justiça à malta. A editora discográfica, que faz 7 anos em 2011, vem se destacando pelo ecletismo de sua proposta e pelo caráter de ponta de seus lançamentos. Enquanto na FC e na Amor Fúria o conceito estético que reúne os artistas a elas vinculados parece algo evidente (por exemplo, no diálogo com o imaginário tradicional ou na invocação de certas marcas de portugalidade, e em que se pese a diferença entre, digamos, Tiago Guillul, João Coração e Os Golpes), no caso da Meifumado o buraco é muito mais embaixo. Não há nada, a princípio, que aproxime os trabalhos de Mc Jihad, Abstrat SirQ (os nomes são um capítulo à parte) ou Paco Hunter a não ser uma certa tendência ao minimalismo mutante e a multiplicidade de propostas. Mesmo nomes como Paulo Zé Pimenta, um dos fundadores da Meifumado, parecem assumir diversas personalidades dependendo do projeto em que estão engajados.


Conheci a Meifumado meio por acaso, ao esbarrar num disco espertamente intitulado “5 anos, 13 merdas” enquanto garimpava CDs pelos sebos de Lisboa ano passado. De cara, a tosquíssima arte da capa chamou a minha atenção, e passado o estranhamento sonoro inicial, logo logo tornei-me fã de algumas faixas, como “Foz girl” (PZ) e “Pensacola” (Paco Hunter). Vasculhando no site da gravadora para escrever este post, surpreendi-me ainda mais. Primeiro, pela varidade do “catálogo”. Em um segundo momento, pelas estratégias que a Meifumado utiliza para fazer circular tão vasta produção. E aí não consegui evitar as comparações com o caso Flor Caveira, que aqui seguem sem qualquer juízo de valor, vale ressaltar – apenas dão conta de propostas diferentes. Lembro que, ao adquirir os discos da Flor Caveira, havia me surpreendido com o esquema mezzo do-it-yourself mezzo artesanal da editora: CD-Rs com o nome do disco escrito à mão e que não raro travavam nos aparelhos leitores, mas que ao mesmo tempo vinham embalados em capas cuidadosamente elaboradas do ponto de vista do design gráfico. No caso da Meifumado, depois de escutar as faixas em streaming no próprio site da gravadora (coisa que recomendo efusivamente, sobretudo se a sua parada são as sonoridades eletrônicas), você tanto pode adquirir o CD, o MP3 ou efetuar o download de faixas isoladas por módicos 0,99 de euro. Como se não bastasse, ainda é possível assistir a uma série de vídeos, cada um mais criativo do que o outro, só perdendo em termos de arrojo para as criações de Paulo Furtado na persona do Legendary Tigerman.


Ao visitarem o site da Meifumado, não deixem de clicar no link “Info”. É onde vocês podem compartilhar da missão da gravadora, exposta num português mais-claro-impossível:


“A Meifumado continua a cagar na precaução...

Com o mesmo utópico objectivo:
a criação e edição de boa música (conceito original, não?)

Todas as convenções implícitas de uma editora são orgulhosamente ignoradas.

Venham ver o barco a afundar !”


Afundemos todos juntos, ora pois. E com muito gosto.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Os 100 mais do MySpace (Brasil)

Aproveitando o mote da lista dos mais mais no Youtube esse ano, fica aqui também um link para a lista das páginas mais acessadas no My Space em 2010, destacando a forte presença de artistas novos (que apareceram na grande mídia nos últimos anos) nas primeiras colocações (Maria Gadu, Justin Bibber, Strike) e a liderança absoluta do "happy rock" no "pódio", com ouro para Restart, prata para Cine e bronze para Hori. Os dez mais são: 1° Restart 2° Cine 3° Hori 4° Hevo 84 5° Replace 6° Justin Bieber 7° Strike 8° Maria Gadu 9° Fresno 10° Felguk
Resta saber quais estratégias utilizadas pelas bandas que bombam no myspace e se o sucesso nessa rede está realmente mais relacionado ao "bom" uso da plataforma ou às particularidades do perfil do público que a acessa, bem como qual a relação (e o impacto do MySpace) no sistema midiático contemporâneo. Enfim...Resta saber muita coisa.