sexta-feira, 30 de maio de 2008

Alguém me explica?

Era só o que faltava. Já é raro que o Brasil receba o show de algum artista português. Quando acontece, escalam a pessoa pra cantar música brasileira. Depois dessa, alguém ainda tem coragem de dizer que a nossa relação musical com Portugal não é assimétrica?


Cantora do Madredeus, Teresa Salgueiro canta clássicos da MPB em turnê brasileira

Um dos grandes nomes da música portuguesa contemporânea, Teresa Salgueiro apresenta clássicos da MPB em excursão brasileira, com shows em Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, nos dias 24 e 31 de maio e 2 e 3 de junho, respectivamente.

Soprano de notável extensão vocal, Teresa Salgueiro sempre manteve projetos paralelos ao seu trabalho com o Madredeus. Já homenageou a música popular brasileira com o álbum "Você e Eu" (2007) e interpreta clássicos como "Chorando na Roseira" (Antônio Carlos Jobim), "Na Baixa do Sapateiro" (Ary Barroso), "Maracangalha" (Dorival Caymmi), entre outros.

A cantora é acompanhada por um octeto formado por João Cristal (Piano), Paulo Dafilin (guitarra), Marcos Vieira (baixo), Daniel Paula (bateria), Nailor Azevedo (sax e clarineta), Denise Piotto (cello), Adriana Drê e Maria Diniz (vocais).

TERESA SALGUEIRO NO RIO
Quando: 31/5, às 21h
Onde: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Quanto: De R$ 30 a R$ 480
Informações: 0/XX/21/3235-8545

domingo, 25 de maio de 2008

A juventude como conceito

Com uma simples visita à banca de jornal, percebemos que juventude e adolescência se tornaram objeto de investimento de discursos midiáticos e mercadológicos de forma bastante ampla. Revistas especializadas, programas de Tv, sites, linhas de cosméticos e toda uma indústria de roupas e calçados dirigem seus apelos a esse segmento da população. A forma com que isso ocorre é tão intensa que as vezes esquecemos que a invenção de categorias para classificarem seres humanos não é um projeto em nada natural e está sempre envolto em mecanismos de produção de saber. Pelas minhas andanças na internet descobri uma tese de doutorado que parece ajudar muito quem estuda culturas juvenis. Seu objetivo é traçar a construção do conceito de juventude e adolescência como um produto de condições econômicas e sociais particulares, que agem sob a influência de instituições e discursos específicos. Fica aí a dica!

A Tribo das sete cores


Domingo, 25 de Maio de 2008. Dia de Parada Gay em São Paulo. Infelizmente não vou estar presente esse ano, mas acho que a data merece um post aqui no blog, afinal esse é um evento embalado ao som de pura música eletrônica. E é justamente sobre o som que a comunidade gay houve que eu quero falar; o house tribal.
O rítmo marcado por sons latinos e vocais de cantoras poderosas chamadas divas dão o tom do subgênero eletrônico que é o preferido pela cena e que por isso mesmo gera polêmica. Há quem assuma o tribal como a música da cena gay por excelência e há quem não admita estar vinculado ao som, ou pelo menos somente a ele.

O house tribal virou um rótulo para a noite gay. Em matéria do RRaul sobre a parada gay de Sampa, o blogueiro Marcos Carioca, com quem compartilho várias opiniões fez uma breve crítica ao gênero, associando sua preferência a uma suposta alienação e mau gosto dos gays. Tenho que discordar. Verdade seja dita; em se tratando de cena gay o tribal é hegemônico. Todos os djs da cena reverenciam o ritmo e ele domina a pista. Entre os principais nomes do gênero estão o israelense Offer Nissim e o americano Peter Rauhofer, os djs oficiais para remixar os singles da Madonna, além da "novidade" Freemasons que injetou uma sonoridade nova ao rítmo com a adoção de instrumentos de cordas. Aqui no Brasil já temos nossos grandes djs também; Ana Paula toca nas principais festas GLS espalhadas pelo mundo, Patrícia Tribal como o próprio nome denuncia revela sua preferência e o som dela possui vários adeptos (eu sou um deles) e sem falar nos tradicionalíssimos M-vee e Robix e tantos outros da cena carioca que seria impossível dizer aqui nesse breve post de reconhecimento.

Sim, pois o que estou tentando fazer nesse post é reconhecer o house tribal como o som da comunidade gay e dizer que não há mal nenhum nisso. O fato de o Brasil ser o único país onde os gays se identificam tanto com um subgênero eletrônico é bastante significativo e revela como o house tribal funciona como porta-voz da comunidade legitimando sua presença dentro de uma cena mais ampla que é a da ME. Que temos vontade de ouvir outros sons, beleza, temos sim. Mas acho que o house tribal tem garantido uma identificação na cena gay eletrônica e isso tem que ser reconhecido.

sábado, 24 de maio de 2008

Profissões por um Fio

Como já foi noticiado anteriormente aqui no blog, neste mês de maio estarei apresentando uma série de palestra nas cidades de Salvador e Rio de Janeiro. Depois de marcar presença na UNEB no último dia 09 de maio, com a palestra "Games e Marketing Viral" agora é vez de apresentar meu trabalho na Faculdade Dois de Julho, aqui em Salvador. Durante os dias 26, 27 e 28 deste mês, o curso de Comunicação Social promove o Policom – Congresso de Comunicação Social e Políticas Culturais. Em meio às mostras de documentários, seminários e exposições, estarei apresentando a palestra “Profissões por um fio: novas perspectivas para o mercado de Comunicação Social”. A minha idéia é mostrar como a internet vem habilitando novas profissões e que cargos como gerente de palavras-chave, animador de rede, coordenador de comunidades virtuais e puppetmaster são opções reais à disposição do profissional de Comunicação Social.
É interessante ressaltar que o conteúdo da palestra é resultado do acompanhei durante meu período de mestrado e minha experiência em estágio docente no Curso de Estudos de Mídia, ambos na UFF. Ainda neste evento, pretendo apresentar parte do meu trabalho na produção de games, especialmente no ARG Obsessão Compulsiva, relacionado ao filme “Meu Nome Não é Johnny”. Quem quiser conferir a programação do Policom basta clicar aqui. E no próximo dia 02 de junho, será a vez de me apresentar no programa Fluxo da Eco/UFRJ, que em breve estarei divulgando também neste blog.

Da consciência do mito (sobre "O reino da caveira de cristal")


[O post a seguir contém alguns spoilers. Se você ainda não assistiu ao filme ou é daqueles que se incomoda em saber coisas do tipo "o personagem do Bruce Willis estava morto em 'O sexto sentido'" ou "em 'Clube da luta', o personagem do Brad Pitt só existe na imaginação do personagem do Edward Norton", por favor me ignore a partir de agora]

Não contendo a expectativa e tendo comprado ingresso antecipado, fui assistir a "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" na última quinta-feira. Havia lido alguns comentários a respeito e sabia mais ou menos o que esperar do filme. Só não esperava que, depois de 20 anos, Spielberg, Lucas & cia. tivessem amadurecido uma consciência tão plena do valor simbólico contido no material com o qual estavam lidando. Desde a sua primeira aparição, apanhando o clássico chapéu no chão, até a cena final, passando por incontáveis enquadramentos em contra plongée que redimensionam a figura imponente de Indiana Jones, não há margem para dúvidas: estamos diante de um Mito, daqueles que a Cultura da Mídia e do Entretenimento tão habilmente constroem, alimentam e que constantemente se reconfiguram diante dos nossos olhos. Com o perdão do exagero, ter a oportunidade de testemunhar um desses momentos de reconfiguração dá uma sensação de relevância histórica daquelas...

Não, "O reino..." não está pra tetralogia de Indiana Jones como "A ameaça fantasma" estava pra saga de Star Wars. É um filme muito mais contido em sua tentativa de atingir as novas platéias. Sei que vou soar como um velho reaça agora, mas me arrisco a dizer que é precisamente nos momentos em que o filme tenta parecer "moderno" que ele mais derrapa. O que sempre me fascinou nas aventuras do arqueólogo interpretado por Harrison Ford foi a sua habilidade em conjugar a inverossimilhança mais descarada com um pezinho na, digamos assim, realidade objetiva das coisas. Dito de outra forma: a sensação de "cara, que caô" convivia de maneira relativamente harmônica com uma impressão de que aquilo ali poderia estar acontecendo. No âmbito da técnica, os efeitos mecânicos e o uso de dublês ajudavam - e muito - a reforçar essa impressão de realidade (coisa que decerto não se verifica em emulações recentes do universo jonesiano, como em "O retorno da múmia" ou nos filmes da série "National treasure", com o Nicolas Cage). Em "O reino...", essa harmonia é diversas vezes comprometida pela praga do CGI. Toda a seqüência que começa no Rio Amazonas e termina nas Cataratas do Iguaçu (sic), com direito a ataque de formigas selvagens e um passeio de cipó na companhia de macacos, é exemplar nesse (mau) sentido.

Eu dizia que Speilberg, Lucas & cia haviam amadurecido a compreensão do valor simbólico materializado no personagem Indiana Jones. Sob essa perspectiva, entre mortos e feridos, "O reino..." tende a ser mais agradável para que já era fã da antiga trilogia do que para aqueles que estão conhecendo o herói agora. E o mais legal é que o filme não se furta de acenar carinhosamente tanto pros antigos quanto pros novos fãs, embora eu tenha a impressão de que os primeiros certamente irão se divertir mais (como esse lugar de fala de "fã das antigas" é o espaço que me cabe, temo não ser capaz de efetuar uma leitura diferenciada). As constantes menções a personagens queridos porém ausentes (o Dr. Jones de Sean Connery decerto ocupa um lugar de destaque neste panteão, mas quem recebe as homenagens mais bacanas, ao meu ver, é o Marcus Brody de Denholm Elliot, já falecido) são a manifestação mais evidente desse desejo, mas como diria o Álvaro Garnero, "O reino da caveira de cristal" ainda tem muito a oferecer: eu confesso que fiquei arrepiado quando, na seqüência inicial, os russos abrem a porta daquele depósito e na trilha sonora toca um trecho do tema que, no primeiro filme da série, anunciava a aparição da Arca Perdida. É uma associação tão sutil que talvez só consiga ser percebida por aqueles que assistiram à saga incontáveis vezes. Neste preciso momento, dar uma risadinha no cinema é uma forma de demonstrar, para si mesmo e para os demais presentes, que você foi capaz de "pescar " uma informação que a grande maioria muito provavelmente não conseguiu. Ponto para Bourdieu.

Não quero transformar esta esboço de, vá lá, crítica numa demonstração ostensiva de capital cultural, mas só pra concluir, gostaria de destacar a maneira precisa como o quarto filme se insere na lógica dos demais episódios. Andaram criticando o fato de "O reino da caveira de cristal" misturar arqueologia e alienígenas, mas se a gente parar pra pensar, faz todo o sentido: se nos três primeiros filmes Spielberg dialogava com a matriz cultural do filme-de-aventuras da década de 30, o episódio atual se apropria da matriz cultural da ficção científica dos anos 50, o que é perfeitamente coerente com a época em que a(s) trama(s) se ambienta(m). E tanto "Caçadores da Arca Perdida" quanto "O templo da perdição" e "A última cruzada" incorporavam explicações de ordem mística no desfecho de suas tramas: se antes os Nazistas derretiam ao se confrontarem com o Poder de Deus; se corações eram arrancados e o sujeito continuava vivo; e se beber a água do Cálice errado levava ao envelhecimento acelerado, por que não atribuir a origem da Caveira de Cristal a um ser de outro planeta? Se é Deus, ok, mas com ETs fica forçado? Eu hein.

E há toda a questão da passagem do tempo, dos laços familiares, da figura paterna pela qual Spielberg é obcecado desde o início de sua carreira como cineasta. Há um trecho particularmente tocante que é quando o reitor interpretado por Jim Broadbent diz para Indy que eles entraram naquela idade em que as coisas mais importantes começam a ser perdidas. Menos de 10 minutos depois, Indy conhece aquele que, futuramente, será revelado como sendo seu filho (aliás, "conhecimento" é uma palavra chave para se ler "O reino da Caveira de Cristal": a idéia está presente tanto nas revelações de insuspeita paternidade quanto na motivação dos alienígenas ao construirem o Templo). Perdas e ganhos. Rupturas e continuidades. Modernidade e tradição. Quem foi que disse que um blockbuster de Hollywood não dá o que pensar?


PS.: by the way, a propósito de toda a polêmica envolvendo a representação estereotipada dos russos (como comunistas bebedores de vodka e dançarinos de balalaika) pelo filme, uma coisa eu fiz questão de comemorar: que bom que os 19 anos longe das telas não tiraram de Indiana Jones a boa e velha incorreção política...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Dj Magal


E prá quem ainda acredita na máxima do Pierre Lévy que diz que a arte na era digital é democrática permitindo a qualquer um ser produtor de seus próprios conteúdos, extrapolando assim a comunicação unidirecional dos meios massivos, eis que nos deparamos com um texto assim:


Na onda dos DJs-bizarros, Sidney Magal assume o som

PARECE que esse negócio de DJ está meio fora de controle. Nesta terça, quem assume o som da festa semanal Musique, que rola no Boox (rua Barão da Torre 368 - Ipanema. Tel: 2522-3730) é o cigano de plantão Sidney Magal. Sabe Deus o que ele vai tocar e o que o povo vai dançar, porque o material de divulgação informa que uma escola de yoga e os atores de uma peça de teatro estarão comemorando inaugurações, estréias e afins na pista. Reza e vai. De preferência com uma máquina fotográfica.

O texto tá no Globo Online por Ronald Villardo e revela que para além da utopia de Lévy, a arte/ cultura ainda está apoiada sobre as distinções. Ainda existem vozes clamando pelo direito de legitimação. Quem pode ser dj? Quem não pode? A palavra "controle" me saltou os olhos... E o pior é que a festa já rolou! Agora é torcer por uma reedição... rs

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Larry Tee também ama o funk!!!




Do Dj Larry Tee, em entrevista ao Rraurl hoje, por conta de sua chegada ao Brasil: "Quando eu vou pro Rio, eu sempre ligo a rádio e piro. Eu AMO funk. No entanto, meus hosts no Rio não gostam então eu tenho que implorar para eles deixarem eu ouvir a rádio no carro. Eu fiz uma música com o Perez Hilton chamada "My Penis" e é muito influenciada pelo baile funk. Tem bastante batuques, palmas e beatbox! A música brasileira é uma grande influência minha ultimamente. EU estou morrendo para ir numa festa de funk no Rio. Alguém me leva?"

Que tal, povo LabCult? Vamos oferecer um tour por alguns bailes? O cara deve ser bem divertido.

Confiram a entrevista completa no site.

Defesa do Heitor

É com alegria que convido a todos para mais uma defesa sob minha orientação. É do LabCultiano Heitor da Luz Silva, que defende a dissertação " Rock, Rádio e Rio de Janeiro: Uma incursão da Fluminense " A Maldita" e da Cidade " A Rádio Rock" no domínio das guitarras".
Contando com o auxílio luxuoso de uma banca bacana - Jeder Janotti Jr e Marildo Nercolini.
Im-per-dí-vel!

Amanhã (ou hoje, pois já passa da meia noite), no PPGCOM/UFF (Rua Tiradentes, 148) - as 11 horas.