sexta-feira, 25 de setembro de 2009

LABCULT NO 5º MUSIMID NA USP


Entre quarta e sexta-feira da semana passada, rolou na USP o 5º MUSIMID, congresso no qual, representando o LabCult, apresentei um trabalho (“Produtores Musicais: legitimidade e autoridade cultural na música midiática contemporânea”), fruto ainda das minhas reflexões iniciais para o projeto de doutorado que enviei para UFF (em constante revisão...hehehe). Ainda que tendo sua participação agendada, Simone não pôde estar presente, mas um outro membro do grupo, o nosso colega Marcelo Garson, aproveitou que está morando na capital paulista e me deu uma carona para o último dia do congresso, no qual apresentei o trabalho. No mesmo dia à tarde, participamos de discussões em uma mesa na qual se perceberam muitas interfaces entre o reggae maranhense e o funk carioca em suas conformações locais em meio a outros trabalhos ligados a cenas locais - como uma (n) etnografia sobre o choro em Porto Alegre.


O evento primou pela quantidade de pesquisas com características bastante distintas (incluindo aí produtos musicais frutos de bolsas de pesquisas artístico-culturais) e valeu a pena por colocar em contato pesquisadores com diferentes formações e perspectivas. O destaque maior, do meu ponto de vista, vai para a mesa especial da quinta-feira, formada por Eduardo Vicente e Márcia Tosta Dias, que centralizaram os debates em torno dos rumos da indústria da música na atualidade a partir da análise da história da música gravada.


Na quarta-feira, uma aluna de Estudos de Mídia da UFF, Inês Ferreira, também apresentou trabalho no evento (intitulado “Dan Deacon, experimentalismos eletrônicos contemporâneos e a paisagem sonora hipermediada das grandes cidades”) e fruto das discussões da aula da Simone na pós-graduação que ela participou como ouvinte.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

beatles digitais

Há um tempo atrás, o Luiz Adolfo fez um post sobre a comoção que a Electronic Arts causou neste ano na E3, o evento de games mais visado do mundo. O assunto era o lançamento da edição do game Rock Band especial dos Beatles.

Realmente, a interface e o desenrolar deste jogo são um prato cheio para quem gosta dos Fab Four, ou até mesmo para quem não curte muito mas quer conhecê-los melhor. A carreira deles, desde os pubs de Liverpool até o estrelato, é o enredo que o jogador encontra ao tocar as músicas. Conforme o jogo avança, peças biográficas como fotografias e videos são liberadas, além de cada fase (ou música) ter um tema visual que casa com momentos específicos da banda, desde colinas floridas em Here Comes the Sun até o vesturário e diferentes cortes de cabelo dos integrantes.

Dhani Harrison, filho de George, incentivou a Harmonix Music System a fazer o jogo há alguns anos atrás, em 2006, um pouco depois desta empresa de desenvolvimento de games ter sido incorporada pela MTV.

O lançamento do jogo coincidiu com o do lançamento de albuns remasterizados, no dia 9 de setembro.

Pra ter uma idéia, aqui vai Octopus's Garden, fechada com 100% de acerto (por alguém que não sou eu, fué). Reparem na semelhança dos avatares com os integrantes.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Avante, camaradas!

Onde mais, senão no Palco 25 de Abril?


Cansados ficavam os seus avós!

Lado a lado, em algum lugar do Panteão Cosmodemoníaco dos Ídolos Pop


Aqui a tradição ainda é o que era



Lá vem o Brasil, descendo a ladeira




Já dizia o Variações que portugueses em geral são chegados numa boa discussão. Se a discussão tiver algum cunho político, então, nem se fala. Não sei se em virtude dos anos de repressão e silêncio sob o jugo do Estado Novo, parece haver por estas bandas um apreço especial por manifestações e reivindicações em geral, nas quais a palavra liberdade dá a tônica dos debates. Já havia me dado conta dessa característica singular quando, em meio às Festas Populares da Margem Sul, me deparei com estandes dos partidos políticos dividindo espaço com as barraquinhas de farturas e churros. E semana passada, durante a tradicional Festa do Avante, minha impressão apenas se reforçou.


O Avante é o jornal do Partido Comunista Português que, anualmente, no primeiro final de semana de setembro, organiza um mega-evento na Quinta da Princesa, lá pras bandas do Seixal. São três dias de música, atividades culturais, bebedeira desenfreada e, claro, discussões políticas. Por incrível que pareça, a mistura não apenas não desanda como também se revela um bocado divertida, possibilitando que uma mesa redonda sobre a situação hondurenha conviva pacificamente com um show do Blind Zero. E embora os artistas selecionados para o line up compartilhem, em maior ou menor grau, algum tipo de postura política de esquerda – você jamais verá o Tony Carreira ou as Just Girls numa Festa do Avante – a coisa é equilibrada de modo que o lado mais panfletário do evento fique reservado para o Comício de encerramento (particularmente explosivo este ano, já que faltam pouco mais de 15 dias para as eleições legislativas).


Guiar-se pela Quinta da Princesa em dia de Avante merece um capítulo à parte. Os palcos – além do 25 de Abril, que sedia as atrações principais, há uma infinidade de palcos menores, como o Auditório 1º. de maio e as tendas dedicadas à música regional portuguesa – não ficam exatamente próximos uns dos outros, e a Quinta da Poeira, quer dizer, da Princesa é grande que só vendo. Como os shows acontecem em simultâneo, nunca dá pra ver tudo – e embora eu tenha ido para a Festa com o intuito de conferir várias atrações musicais, é óbvio que fui vencido pela preguiça, e no final das contas, só consegui assistir do princípio ao fim às apresentações de Vitorino e do Clã.

No resto do tempo, dividi-me entre a Área Internacional (para onde os países do mundo que possuem partidos comunistas levam suas danças, artesanato e comidas típicas, numa espécie de Feira da Providência Vermelha – e onde é possível encarar uma cachupa caboverdiana com suco de tamarindo por módicos 10 euros) e os palcos regionais, cuja programação ia de divertidos Corais de velhinhos do Alentejo até Ranchos Folclóricos do Norte de Portugal. Aí também há protesto: no caso, contra a invisibilidade destas “formas tradicionais” na assim chamada “grande mídia”. Curioso, porque em alguns programas televisivos, sobretudo os matinais e durante o verão, volta e meia manifestações de cariz supostamente popular aparecem retratadas, sob a forma de danças, cantos e artistas “típicos”, no contexto da visita dos apresentadores do programa e questão a aldeias do interior onde há algum tipo de festa ou romaria. Que tradição é esta que tais programas colocam em pauta e contra a qual os ranchos do Avante protestavam, então?


Vale a pena registrar, ainda, a eficiência do sistema de transportes da Margem Sul, que em parceria com os comboios Fertagus ou com o Transporte Fluvial, garante que a galera que não veio com disposição para acampar consiga chegar do outro lado do Tejo sã e salva após a Festa.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Era dos Games

A Revista Universitária do Audiosvisual (RUA) deu um belo presente para quem quer se inteirar da discussão sobre jogos eletrônicos, no Brasil. O periódico, que é vinculado ao curso de Imagem e Som da Universidade Federal de São Carlos, publicou nos últimos dias a “Era dos Games”, uma edição especial totalmente dedicada às pesquisas sobre o tema.
Os números apresentados no seu editorial chegam a impressionar os leitores mais desinformados ou aqueles que ainda insistem em considerar os games um simples passatempo para jovens. No Brasil, por exemplo, existem cerca de 560 profissionais, empregados em 42 empresas, trabalhando exclusivamente com games ou produzindo softwares para estes produtos. Segundo da Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos (ABRAGames), o produto nacional bruto do setor gira em torno de 87 milhões de reais e o salário médio da categoria é próximo de 2.200 reais. Ainda é pouco, comparado com que existe lá fora – mas estamos engrenando!
A “Era dos Games” brinda seus leitores com textos produzidos por pesquisadores e docentes de renome no Brasil, como Lúcia Santaella, Vicente Gosciola e Lynn Alves. Aproveito para saudar publicamente toda equipe da RUA, pela profícua contribuição que esse número especial insere nos estudos de games, em nosso país.

domingo, 20 de setembro de 2009

O fim do download?

Muito boa a matéria que o Jornal A Tarde, de Salvador, fez sobre as práticas de consumo musical na rede. O gancho era a pergunta sobre o fim do download, uma vez que a tendência de ouvir música em streaming tem sido bem forte.

Entrevistaram um monte de gente - eu inclusive - e levantaram uma ótima discussão.

Publico aqui a íntegra do artigo que escrevi a pedido deles - e que na matéria, saiu editado.


"A pergunta de um milhão de dólares?


Qual a saída para a indústria fonográfica? E para os novos artistas, que disputam a atenção dos potenciais ouvintes sem o capital cultural traduzido por milhares de fãs arrecadados na era “de ouro” das gravadoras, que já ficou para trás?


Para desapontamento do mercado, não existem fórmulas nem mesmo uma resposta única para o que é considerado a “crise” das grandes gravadoras. O futuro chegou. Mas, ao invés de destruir as velhas mídias, ele instaurou relações muito mais complexas entre o novo e o antigo.


No entanto, se não há receita pronta para o combate à crise, aposto em três elementos que devem ser levados em conta para entendermos o novo cenário.


O primeiro deles é o de que o principal papel da indústria fonográfica sempre foi o de filtragem dos talentos, aproximando artistas de seu possível público. Este papel, de mediação, não desapareceu com a cultura digital.


Assim, se artistas e público estão mais próximos, uma vez que qualquer banda pode disponibilizar seus trabalhos on-line, os desafios permanecem. Quem vai ouvir, como atingir o público certo; e, dilema dos dilemas, como ganhar dinheiro com isto?


A graça deste momento é que estes mediadores se multiplicaram, descentralizaram e transformaram a filtragem numa atividade compartilhada. Eles estão nos blogs de críticos não profissionais, no twitter, nos nossos perfis de Orkut ou Facebook.E também na grande maioria dos serviços em streaming, por isto mesmo também chamados de sistemas de recomendação musical. Serviços que não fazem outra coisa senão mediar a experiência dos ouvintes ao recomendar novas músicas a partir do perfil do usuário; e assim, construir uma experiência musical que é central à cultura digital.


Outros recursos presentes nestas plataformas de música on-line são também importantes como ferramentas de mediação. Penso nas possibilidades de acesso a informações enciclopédicas sobre as músicas e artistas. Ou na criação de perfis de usuários, a partir dos quais estabelecemos redes sociais com base no gosto em comum, estimulando o florescimento da cultura participativa central a qualquer experiência de entretenimento na atualidade.


Como segundo ponto, aposto que uma das novidades deste momento é que meios de comunicação e conteúdos se “descolaram”. Assim, um suporte ou meio físico pode transportar diversos serviços, tal como demonstra o celular multi-funções a cada momento de nossa vida.


Por outro lado, um mesmo serviço, como por exemplo uma rádio, pode ser acessada a partir de diversos suportes ou meios, tais como o celular, a Internet ou o próprio rádio “físico”, cada um deles propiciando uma experiência que é única.


Finalmente, como consequência da pista anterior, chamo atenção para o fato de que, cada vez mais, estamos interessados em múltiplas experiências de consumo musical. Assim, o download e armazenamento das músicas favoritas para serem ouvidas no player; a escuta de novidades em streaming através dos sistemas de recomendação de músicas; as rádios on-line; as idas a shows ao vivo; e até mesmo a escuta de discos de vinil em pick-ups são algumas das formas de fruição da música hoje – cada uma delas proporcionando um prazer específico e complementar.


É preciso, portanto, levar em conta, então, que nossas escolhas se dão a partir da funcionalidade, do prazer estético, do nosso afeto por alguns artistas, da possibilidade de compartilhamento com amigos – dentre outras razões. Tudo isto pesa na hora de se discutir estratégias para o lançamento de um produto musical, tornando a cadeia de produção, circulação e consumo mais complexa, instável e imprevisível. Ao mesmo tempo, o cenário abre oportunidades inusitadas.


Decididamente, o tempo das fórmulas se foi. Mas, conforme cantava o R.E.M numa velha canção – é o fim do mundo como nos o conhecemos – e eu me sinto bem!"


RIP: Um manifesto remixado

O Festival de Cinema do Rio começa dia 24 e a programação desse ano está excelente - como sempre né?

Já estou montando a minha programação pra tentar ver a maior quantidade possível de filmes, já que muitos deles nem entram no circuito de cinema fora do festival.

Aproveitando pra dar uma dica, corram pra ver o filme RIP: Um manifesto remixado. Entre tantas discussões sobre a reconfiguração da Indústria Fonográfica, direitos de propriedade intelectual etc., o filme parece ser um bom acréscimo à discussão.

Sinopse
Na era da informação, em que a distância entre produtores e usuários está sendo progressivamente abolida, as poderosas multinacionais da indústria de entretenimento americano fazem valer o seu direito nos tribunais. O fundador do Creative Commons, o crítico cultural Cory Doctorow e o ex-ministro Gilberto Gil são alguns dos entrevistados do diretor. Grande pesquisador e militante da livre circulação de conteúdos pela web, ele forma, junto com Girl Talk - artsita que faz successo com músicas realizadas a partir de samples - uma poderosa frente de batalha pelo remix.


Trailer



Vejam também o site oficial do filme que é bem bonito, além de ter mais informações sobre o filme. E pode deixar que se eu topar com outro legal, mando aqui pro LabCult pra vocês ficarem sabendo.

A dica desse filme veio da Carol Câmara, pela lista dos alunos e professores de Estudos de Mídia da UFF. Valeu, Carol.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

RADIOHEAD ORCHESTRA

Depois de ter lançado gratuitamente o álbum In rainbows para download antes do CD, o Radiohead, prepara mais uma. Por enquanto os caras desistiram do formato álbum, como afirma o vocalista Thom Yorke a revista The Beliver:

“Nenhum de nós quer voltar a essa bagunça criativa de um disco de longa duração novamente. Funcionou em ‘In rainbows’ porque nós tínhamos uma idéia fixa sobre o que queríamos. Mas todos nós concordamos que não podemos entrar em uma dessas de novo. Isso nos mataria.”

A idéia agora é lançar singles e EP’s, (formato que tem entre quatro e oito faixas e duração de 15 à 35 minutos). Os trabalhos já começaram e vão de vento em popa. No dia 5 de agosto, disponibilizou a faixa digital "Harry Patch", que arrecadou fundos para a Legião Britânica. No dia 17 do mesmo mês, o Radiohead lançou uma nova música, "These are my twisted words", para download grátis em seu site. Já no presente mês de setembro, Thom Yorke lançou em vinil o single solo “All For The Best” numa tiragem limitada de 2000 copias, dia 7. E para o dia 21 de setembro estará disponível para download gratuito mais duas musicas inéditas.

Todos esses lançamentos passaram, ou passarão, por diferentes processos de comoditização. O último anunciado logo acima, sairá em vinil e terá uma versão paga para download a partir do dia 6 de outubro, de acordo com o comunicado do blog da banda:
http://www.radiohead.com/deadairspace/

Diferentes empresas serão responsáveis pelo serviço de hospedagem dos arquivos de música, assim como diferentes gravadoras se ocuparam da comercialização do disco (a produção musical do fonograma já é outra historia).

A questão que fica é: quais configurações mercadológicas e quais hierarquias de consumo estão sendo estruturadas com isso. Acredito que cada projeto tem sua lógica interna.

No blog da banda, o post que vem em seguida ao do lançamento do single do dia 21 divulga o filme The age of stupid que aborda questões relativas às mudanças climáticas. A exibição estréia coincidentemente na mesma data disco em 50 paises. No site do filme é possível comprar o ingresso. Haveria uma convergência com o cinema ai?

Teremos que esperar até dia 21 para conferir se o significado das as canções FeelingPulledApartbyHorses e The Hollow Earth batem com o significado do filme The age of stupid. Ou será que conseguiríamos descobrir algumas coisas antes pesquisando sobre o Radioread na Internet???


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Black Eyed Peas protagoniza maior flash mob do mundo, até agora.

Recentemente o Black Eyed Peas tinha disponibilizado seu novo álbum para download gratuito. Seguindo a postura "cool", agora o grupo americano foi ao programa de Oprah Winfrey mobilizar 20 mil pessoas numa coreografia do hit "I Gotta Feeling". Primeiro Will.i.am criou a coreografia e a passou para 800 pessoas, essas pessoas, por sua vez, repassaram para as outras 20 mil que se reuniram num show ao ar livre.
Segundo foi anunciado em vários blogs e sites de notícia, esse seria o maior flash mob criado no mundo até hoje. O evento foi na verdade produzido pela T-Mobile, empresa alemã de telefones celulares que tem se especializado em promoções a partir de flash mobs. A empresa que segue em sua campanha "Life's for Sharing" já havia surpreendido com um flash mob na estação de metrô de Londres e conseguido reunir 13.500 pessoas para cantar a música "Hey Jude" dos Beatles na Trafalgar Square, também em Londres.
Entre as várias coisas bacanas que podemos analisar nesses eventos está a força da música na mobilização de pessoas. Não fiz uma pesquisa aprofundada, mas me parece que a coreografia de canções populares tem sido o propulsor dos mais interessantes flash mobs.
Também é importante observar como esses eventos tem sido articulados de forma cada vez mais profissional. No show do BEP, coreógrafos bem localizados na frente do palco imprimiram o ritmo, já no videokê em Londres, foram chamados 200 cantores profissionais que infiltrados na multidão evitaram que os outros desafinassem prejudicando a ação.
Outra questão interessante é que o flash mob, evento comunicativo associado as novas tecnologias por sua interatividade e cooperação coletiva, tem se mostrado um evento massivo por excelência, atraindo redes de TV que de certa forma atuam como meios complementares. Afinal, qual a graça de participar de um flash mob se a TV não vai cobrir? Para empresas que usam tal estratégia para reforçar suas marcas, a reunião de milhares de pessoas em uma coreografia é só uma etapa de um processo que se complementa com a transmissão televisiva ou a veiculação em canais de vídeo na internet como o You Tube. Se alguém souber de algum me avisa tá...