terça-feira, 21 de setembro de 2010

Propaganda interativa no youtube

Não sei se vocês já viram, mas foi postada recentemente no youtube uma propaganda interativa bem legal (cujo título é "A hunter shoots a bear") para vender o TippEx, fita corretora para fazer correções no papel. O enredo da peça publicitária é o seguinte: um caçador (armado) está no meio da floresta e tem um urso revirando sua barraca de acampamento. Uma voz em off, de quem estaria filmando o acontecido, grita para que o caçador atire no urso, mas ele diz que não quer atirar.

Até aí nada de inovador.
O que ocorre realmente de interessante é que o tal do caçador logo após falar que não quer atirar no urso pega o TippEX que está no espaço para publicidade ao lado do vídeo, apaga o verbo "shoots" no título do vídeo e pede para que o telespectador/internauta o ajude a continuar a ação da história. Para isso basta digitar o verbo que se quiser (em inglês, é claro) no espaço apagado do verbo "shoots" e a ação vai ocorrer ou não, dependendo do banco de dados de verbos dos caras.

Há várias questões muito interessantes em jogo aqui:

1) a interatividade tanto com o próprio espaço do youtube quanto com o consumidor;

2) o entendimento dos caras sobre a função de "prosumer" que assumimos com a web 2.0 - nós, potenciais consumidores, damos continuidade à narrativa do filme;

3) a possibilidade de darmos vários finais à narrativa, indo muito além de caminhos binários (do tipo "sim" ou "não" de programas como o extinto "Você decide");

4) o "tosco" ligado à ideia do "do it yourself" encorporado ao filme publicitário;

5) o entretenimento como linguagem e
6) a maneira como o uso do produto foi de fato crucial para o filme.


Acho que essa é uma das primeiras de muitas investidas publicitárias que vão passar por essas questões. Eu particularmente me diverti bastante com o vídeo, só não sei se da próxima vez que precisar de um corretivo vou comprar um TippEx. ;)

Arquivos raros sobre música

O Instituto Moreira Salles (IMS), criado em 1990, tem um projeto super interessante de resgate da memória sonora da música popular brasileira, a Rádio Batuta, que além de disponibilizar gravações raríssimas de músicas do início do século XX, divulga a história da sonoridade de grandes nomes da MPB, como Pixinguinha, Noel Rosa e Ary Barroso.


Lá podemos ouvir as gravações originais que a Casa Edison fez a partir de 1902, como o lundu “Isto é bom”, de Xisto Bahia, cantado por Bahiano, considerada a primeira música gravada no país. Há também gravações de clássicos de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Catulo da Paixão Cearense, Noel Rosa, Carmem Miranda, todas gravadas, na época, em disco de 78 rpm. Aqui percebemos o intenso movimento da indústria fonográfica, em seus primeiros anos, na construção da industrialização da música popular brasileira. O livro “A Casa Edison e seu tempo”, editado pela gravadora Biscoito Fino, conta que a indústria fonográfica buscava os cantores nas ruas, em circos, teatros, para que gravassem aquilo que era produzido pelo povo e que agradasse a ele.


Além disso, a Rádio Batuta traz vários programas, como “Os batutas”, que sempre conta a história de um compositor importante da MPB, como Custódio Mesquita, Adoniran Barbosa e Pixinguinha. No “Vitamina B”, Bia Paes Leme narra a trajetória de músicos importantes para a construção de nossa sonoridade musical e disponibiliza as gravações originais de grandes clássicos.


A Rádio Batuta disponibiliza também documentários e séries sonoras, como o “Sabiás, pardocas e feitiçarias”, sobre a vida de Noel Rosa, e a série “Canção no tempo (1906-1910)”, em que podemos ouvir ano a ano as músicas que fizeram sucesso neste período da história. A rádio disponibiliza também a série de aulas-show “O fim da canção”, em que o cantor, compositor e pianista José Miguel Wisnik e o compositor, violinista e escritor Arthur Nestrovski interpretam ao vivo algumas canções e depois as comentam.


Até bem pouco tempo essa memória da música era viável apenas no papel, pela existência das partituras, ou pela interpretação de artistas novos das canções antigas. Graças às novas tecnologias, podemos ter acesso aos registros sonoros originais, e estudar de forma mais consistente a sonoridade tão particular do início do século XX.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Performance



A performance faz parte da música ela está estreitamente ligada a noção de gênero musical, de modo que criamos expectativas a cerca da performance assim que ouvimos determinada música. Nós já sabemos o que esperar, assim que temos o conhecimento de que tal grupo faz um “samba de raiz”, assim como sabemos a reação do público.
"A performance, ou seja, o ato de tocar, cantar e interpretar uma canção estão conectados aos diversos cenários presentes de forma virtual nos gêneros musicais e materializados nas canções."*
Pensando no Funk carioca, as questões vão muito além do “batidão”, o funkeiro tem um jeito de se vestir característico, um vocabulário característico e a música fica como elemento principal na formação dessa identidade. Tem as dançarinas, os dançarinos os MCs, a forma como eles se comunicam com o público e como o público responde, tudo faz parte de performance.
A questão vem para mostrar música não é só para ser ouvida, tem a ver com vivenciar, com experiência, não despertar apenas a audição, mas os outros sentidos também, a todo momento estamos geramos visualizações para aquilo que estamos ouvindo, quem nunca ficou arrepiado em ouvir determinada música?
*Jeder Janotti Junior. Mídia, música popular massiva e gêneros musicais, a produção de sentido no formato canção a partir de suas condições de produção e reconhecimento_Compós 2006

domingo, 19 de setembro de 2010

Comédia MTV

Aproveitando o embalo do último post sobre a reunião de sexta, trago outra conversa paralela também referente à MTV, mas desta vez, sobre o programa Comédia MTV que tomou conta da programação de humor da emissora depois da saída da insana e não menos engraçada trupe de Hermes & Renato, que por muito tempo me causou intensas crises de riso. Os quadros do Comédia incluem paródias da TV aberta como Luciana Gimenez e seu shake no Super Trash, Dr. Boiollywood – plágio do reality show do doctor Ray – deprê show, um psicólogo sem misericórdia alguma, entre números musicais de todos os tipos, que vai desde o incrível Gaiola das Cabeçudas até releitura do Restarte. Pro domingo terminar feliz, sugiro algumas pérolas desse programa que tem dado espaço para uma galera muito boa e criativa animar nossos dias com um monte de besteiras geniais. Salve Adnet e sua turma!

Pro dia nascer feliz???


Na última reunião do LabCult, a acalorada discussão paralela foi sobre as bandas de happy rock que tomaram de assalto o rock nacional e que ganharam visibilidade a partir das premiações do Mulstishow e do VMB da MTV. Em ambos, a banda Restart - desta foto aí em cima - foi premiada, provocando protestos e vaias da facção oposta - a dos emos, agora batizados, segundo minha fonte adolescente, de "From U.K".

Coloridinhos, bonitinhos, com seus cabelos rigorosamente desgrenhados por um ótimo hair stylist e escrevendo suas letras que não rimam amor com dor, o happy rock canta pra quem quer ser feliz. Tudo ao contrário da outra febre adolescente mais ou menos recente: a dos emos, para quem o cultivo da melancolia, o franjão e o olho preto esfumaçado são de lei.

Ficamos horas na no LabCult discutindo os valores e a sub-cultura destas duas tribos; e, se ainda restou alguma transgressão ao velho e bom rock and roll a partir destas atualizações que parecem, ambas, tão arrumadinhas, tão "família. Ou será que este comentário que faço não seria apenas um resmungo preconceituoso e datado de alguém que cresceu cultuando Bowie, Lou Reed, Ramones, Sex Pistols, The Clash, Madonna, Michael Jackson e os tantos que levaram o lema do "to die young is to live forever" ao pé da letra (Jimi Hendrix, Janis Joplins, Kurt Cobain, etc)? E que, portanto, não consegue pereceber atitude e autenticidade nestas bandas um tanto - aos meus ouvidos - insossas, juvenis e deja-vue.

Esta discussão nos leva ao tema tão caro ao LabCult de entender que não existe apreciação musical "neutra" e que todo prazer estético liga-se a valores sócio-culturais - entenda-se aí o background geracional, artístico, regional, etc - que enquadra nossa apreciação musical.

Na sequência do papo, a Ariane mandou pra gente link de matéria do Clipestesia sobre o happy rock, que vale conferir.

O outro assunto Lado B do grupo na mesma reunião foi o modelito usado por Lady Gaga na premiação VMA, da MTV americana - cuja foto abre este post - domingo passado. A moça ainda conseguiu surpreender o blasé mundo do pop, ao surgir vestida, nada mais nada menos do que de carne.

Esta eu adorei, por alinhar este gesto à melhor tradição de Madonna, Bjork e Marilyn Mason. O que nos leva, de novo, à premissa de que não há música sem o entorno extra-musical. E que tanto as roupinhas coloridas do happy rock quanto o traje carnívoro da Senhora Gaga são elementos fundamentais da construção de sentido de seus projetos musicais, reforçando as estratégias de endereçamento para os públicos "certos".

PS - Comos o leitor pode perceber, o LabCult de sexta esteve animado e disperso. Culpa dos rapazes, que faltaram em bando e deixaram a conversa predominantemente mulherzinha, não fosse a chegada posterior de Jefferson e Lucas.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Tropicalismo caipira

por Gustavo Alonso


Um dos discos da MPB mais dificeis de ser encontrados (eu pelo menos ainda não encontrei) em sebos ou sites é o LP “Nhô Look” de Rogério Duprat. Trata-se de um LP produzido pelo grande maestro tropicalista, que visava dar continuidade às fusões antropofágicas do famoso movimento. Se no auge do tropicalismo o maestro havia se esforçado para fazer dialogar a música erudita e o rock, a partir de 1970 ele tentou travar conversas com a música rural.

Duprat então saiu a campo para pesquisar as “raízes” da música rural brasileira. Depois de semanas viajando pelo interior do Brasil, voltou à cidade com opinião formada sobre as possibilidades de incorporação da música sertaneja/caipira.

Duprat fazendo "trabalho de campo" com os músicos caipiras

Em entrevista sobre o projeto, o maestro manifestou suas intenções: “A idéia da contaminação estava contida no próprio repertório sertanejo. Pelo menos esse da cidade, comercializado. Nossa idéia foi atiçar, acirrar essa contaminação. Nos nossos contatos e no disco. No disco, a base única é feita com guitarra e baixo elétrico. Por que evitar isso? Os metais às vezes parecem Bacharach, as flautinhas podem parecer as trilhas de novela, uma coisa assim”.

Sobre o canto dos sertanejos, Duprat via uma possível contribuição: “Do ponto de vista da execução de voz, por exemplo, há muita coisa a aprender com os caipiras. O lugar onde eles colocam a voz, a empostação da música sertaneja, eu acho sensacional. Parece que geograficamente ficou eliminado o barítono. Todo mundo é tenor. É raríssimo encontrar um cara com voz grave”.

Empolgado com o projeto, Duprat parecia abrir novos caminhos para o tropicalismo. O LP "Nhô Look" foi concebido para ser um produto de venda massiva, com faixas interpretadas por uma orquestra com base de guitarras e baixos, um coral e uma viola. Os arranjos contemplaram jóias caipiras/sertanejas, como "Tristeja do Jeca", "Beijinho Doce" e "Boneca Cobiçada".

Diante da incorporação do Tropicalismo pelas esquerdas e a classe média após o exílio de Caetano Veloso e Gilberto Gil, o maestro buscava novos ares de experimentação na cultura de massa: “Depois da experiência com o Caetano, vejo todo mundo fazendo soul e iê-iê-iê e eu não quero mais saber disso. Não é porque eu quero ser bacana nem nada. Simplesmente já me encheu”.

Em relação ao uso mercadológico de suas experimentações, Duprat impacientava-se. Em entrevista à Revista Veja manifestou desconforto com a grande verba investida pela Philips no projeto:

“Veja: Já existe alguma infra-estrutura publicitária para o movimento?
Duprat: No caso do disco, é claro que a Philips está muito interessada em vender. Eu não me preocupei com isso. Se eles quiserem que façam. Mas justamente as coisas começam a aborrecer quando são envolvidas por todo esse Sistema aí. Mas não é só isso, quando a coisa faz sucesso começam as injunções: ‘Não, você deve fazer isto, fazer aquilo’. O empresário e todo este staff que garante o sucesso é impiedoso. Ou o cara fica dentro do esquema ou está fora”

Apesar do refugo do maestro, a gravadora investiu verba considerável no que poderia ser um novo movimento na MPB. Um série de shows foram organizados em São Paulo na feira de Utilidades Domésticas do ano de 1970. Nela participaram grandes nomes da musica caipira/sertaneja e artistas da música urbana foram contratados para divulgação. Um deles foi Rita Lee e Os Mutantes, que se exibiram lado a lado com a dupla Tonico e Tinoco. O disco conseguiu certa repercussão na mídia, apesar de ter sido um fracasso de vendas.


Rita Lee entre Tonico e Tinoco, 1970

A fase de experimentação de Duprat com a música caipira/sertaneja não se estendeu. Frustrado, o maestro desenvolveu uma certa repulsa pela música rural.

Em 1978, ele renegou a experiência. Diante do sucesso de duplas como Milionário & José Rico e Léo Canhoto & Robertinho ele foi chamado a refletir sobre sua experiência oito anos antes. Foi incisivo: “Todo o trabalho de campo foi uma coisa do maior constrangimento. A gente só encontrava velhos, de mais de 50 anos, curtindo aquelas modas de viola, e tome nhem-nhem-nhem-nhem... O diabo é que o pessoal entrou numa que só pode encordar os instrumentos na época da Folia de Reis, senão dá azar. Então o resultado é que, como não treinam, cada ano tocam pior. A música sertaneja é um repertório desse tamaninho, sempre a mesma choradeira, com letras machistas e reacionárias, naquela de defender o patrão mesmo”.

Duprat claramente renega sua experiência, apagando de sua biografia uma outra possibilidade de modernização através do tropicalismo. No entanto, o que é ainda mais curioso e sintomático da incorporação tropicalista na sociedade, é que este disco foi apagado de sua biografia por pesquisadores que estudaram sua carreira.

A pesquisadora paulista Regiane Gaúna analisou a obra do maestro sem no entanto citar uma palavra sobre o LP Nhô Look (Gaúna, Regiane. Rogério Duprat: Sonoridades múltiplas. Ed. UNESP, SP, 2002). A obra foi autorizada pelo maestro, como o próprio relatou em entrevista ao site Cliquemusic:

“CliqueMusic – Como foi para o sr. ver sua obra virar tema de tese de mestrado?
Duprat – A Regiane (Gaúna) acabou com a minha privacidade (risos). No início eu não gostei da idéia. Acho meio chato ficar falando sobre o meu passado. Porém, apesar de um pouco ressabiado, acabei relaxando depois de perceber que ela não era uma pesquisadora chata, pentelha. Acabei curtindo e foi prazeroso. O pesquisador tem um olho melhor do que o objeto da pesquisa.
CliqueMusic – A tese já tem sua autorização para virar livro?
Duprat – Sim. Gostei do jeito que a Regiane organizou o seu trabalho. Detestaria que ela fizesse uma análise teórica aprofundada sobre minha obra, acho um saco isso. Nunca pactuei com a vida acadêmica, com a rigidez das orquestras, com a caretice dos músicos eruditos e não seria agora que iria me tornar um grande teórico. Sempre levei a música como uma grande brincadeira.
CliqueMusic – O sr. já tem uma idéia de como a tese será apresentada?
Duprat – O primeiro capítulo será reservado ao meu perfil biográfico. No segundo, serão apresentados os manifestos e movimentos de que fiz parte – a Música Nova, a Tropicália; as minhas trilhas para o cinema, os jingles etc. Por fim, na terceira parte, eu e a pesquisadora analisamos juntos cinco obras representativas – uma composição popular, uma composição erudita, um arranjo, uma orquestração e uma trilha sonora.”

Mesmo sem compactuar com a “caretice” da academia, Duprat compactuou com a imagem louvável do herói tropicalista reforçada pela obra.

O que é curioso é que o silêncio sobre “Nhô Look” não aconteceu apenas na obra autorizada pelo maestro. Os sites-enciclopédia da MPB como o Cliquemusic.com.br e o Dicionario MPB (do pesquisador Ricardo Cravo Albin-http://www.dicionariompb.com.br/) também se “esqueceram” do polêmico disco. Neles aparecem discos do Duprat-arranjador de LPs “louváveis” da música popular, como os três primeiros dos Mutantes, o LP Tropicália – Panis et Circensis e o disco vangardista de Walter Franco, Ou não, de 1973.

O silêncio dos pesquisadores parece legitimar, além da própria opinião do maestro, uma história “louvável” do tropicalismo, uma linha evolutiva de inovações e rupturas. A música sertaneja caipira parece ser um problema para estes pesquisadores. Diferentemente de Roberto Carlos, a música sertaneja não foi incorporada tão cedo pela MPB, o que pode explicar o desconforto dos pesquisadores. No entanto há um paradoxo aí. O esforço de se manter uma memória “louvável” de um gênero que justamente tentava romper com a “boa música”, a “boa arte” e as “pessoas na sala de jantar”, parece não fazer muito sentido.

Pra aliviar a tensão

Como muita gente, eu tive uma semana excepcionalmente estressante. Por um lado foi ótimo: perdi um quilo inteiro em quatro dias e agora estou abaixo do meu peso, ou seja, preciso ganhar dois quilos!!! Por outro lado, meu cérebro está cansado demais e, por isso, só consegui lembrar de uma coisa pra gente discutir no post de hoje: a maneira como a cultura participativa transforma o sentido dos objetos culturais.


Há uma corrente na internet que usa os trailers - cuja linguagem é secular e já foi apreendida por todos - para transformar os sentidos dos filmes. Comédias viram filmes de terror, dramas viram comédias e por aí vai. Olha o que um usuário da internet conseguiu fazer com o filme Mary Poppins, um clássico infantil de 1964:





Genial hein? Sem usar nenhuma imagem que não fosse do filme, Mary Poppins se transformou numa bruxa que amedronta criancinhas. Esse vídeo tem mais de 10 milhões de visualizações no YouTube.


Outro clássico do gênero é o hilário "Brokeback to the Future", que transforma os protagonistas do clássico filme De Volta para o Futuro num casal homossexual que sofre por amor:


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Encontro de música e mídia

Por Rafael Dupim Souza


De São Paulo,


Está acontecendo na ECA - USP o 6o Encontro de Música e Mídia. Na inusitada mesa redonda "Música e Linguagens Performáticas" sentaram hoje o Dj Ze Pedro (aquele mesmo) e a cantora Anna Maria Kieffer. Ela apresentou um pouco dos seus 40 anos dedicados à música e a experimentação, falando sobre "o intérprete como co-autor". Um de seus trabalhos foi com o grande músico experimental americano John Cage. Ela conta que gravou uma música em estúdio aqui no Brasil a partir de cartas trocadas com ele. A história é sensacional se pensarmos que Cage foi precursor da relação entre música e meios de comunicação). O trabalho foi finalizado e apresentado por John Cage na Bienal de São Paulo, em 1985. Bem interessante.


Achei um relato da vinda de John Cage ao Brasil nesse link