domingo, 5 de dezembro de 2010
Brasilidade: Gaby Amarantos e o Tecnomelody
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Melhores do ano... do lado de lá!
Hora de botar o Soulseek pra trabalhar, malta brasileira interessada em descobrir o que há de mais bacana na nova música pop feita em Portugal – e aqui passamos longe da “renovação” defendida por aquela infâme matéria do Bom dia, Brasil, vale destacar. A revista Blitz acabou de divulgar a sua tradicional listinha de Melhores do Ano, da qual participaram Ana Patrícia Silva, André Gomes, António Coelho, Cláudia Marques, José Miguel Rodrigues, Lia Pereira, Luís Guerra, Mário Rui Vieira, Miguel Cadete, Miguel Cunha, Pedro Barbosa da Silva, Pedro Dias da Silva, Ricardo Braz Frade, Ricardo Raínho, Rodrigo Madeira, Rui Miguel Abreu e Theo Thornton, jornalistas e colaboradores regulares da publicação.
Do 30º ao primeiríssimo lugar, que é pra aumentar o suspense...
30. Long way to Alaska – Eastriver
29. Francisco Ribeiro – Desiderata ou a Junção do Bem
28. Peixe:Avião – Madrugada
27. Linda Martini – Casa ocupada
26. Tiago Guillul – V
25. Carlos do Carmo & Bernardo Sassetti – idem
24. Tiago Bettencourt & Mantha – Em fuga
23. Carlos Barreto Lokomotiv – Labirintos
22. Bunnyranch – If you’ve missed the last train
21. Bernardo Sassetti Trio – Motion
20. Storm Legion – Desolation Angels
19. Pedro Abrunhosa e Comitê Caviar – Longe
18. More than a thousand – Make friends and enemies
17. Tigrala – Tigrala
16. The Poppers – Up with lust
15. Soaked Lamb – Hats & chairs
14. Rita Redshoes – Lights & darks
13. Mão Morta – Pesadelo em peluche
12. David Fonseca – Between waves
11. Nuno Prata – Deve haver
10. Paus – É uma água
09. Corações de Atum – Romance/Hardcore
08. Galandum Galundaina – Senhor Galandum
07. Lula Pena – Troubadour
06. Pop Dell’Arte – Contra mundum
05. Orelha negra – Orelha negra
04. B Fachada – Há festa na moradia
03. António Zambujo – Guia
02. Deolinda – Dois selos e um carimbo
01. Camané – Do amor e dos dias
Uma lista que tem o fadista Camané como cabeça-de-cartaz tinha tudo para ser previsível, o que felizmente não ocorre. Há, claro, os suspeitos de costume – David Fonseca, Mão Morta, Zambujo – mas no geral a lista da Blitz apresenta algumas boas surpresas. Primeiro, pelo regresso de alguns nomes que ou andavam sumidos (caso dos ge-ni-ais Pop Dell’Arte) ou não atravessavam uma maré muito favorável junto à crítica e ao público (nunca imaginei que Pedro Abrunhosa voltaria a ser levado a sério após um último disco algo falhado). Segundo, pela confirmação de bandas e artistas cujos primeiros álbuns haviam apontado caminhos promissores (num nível mais massivo, claro, o Deolinda, mas também Rita Redshoes, Peixe:Avião, Linda Martini e Soaked Lamb, que tem um adorável álbum de estreia). Terceiro, pela ausência quase total de nomes vinculados à Flor Caveira/ Amor Fúria, após um 2009 glorioso: apenas o “V” de Tiago Guillul frequenta a lista da Blitz, e mesmo assim um longinquo vigésimo sexto lugar. Nesse sentido, estranho a ausência do “Pequeno almoço continental” dos Pontos Negros, que merecia figurar ao lado do Soaked Lamb e dos Peixe:Avião no quesito “promessas cumpridas”. No mais, é saudar a estreia do Tigrala – banda formada pelo virtuoso guitarrista Norberto Lobo, que ao vivo leva um som lindíssimo – e o regresso de Lula Pena ao estúdio. A apresentação que reuniu o trio e a trovadora no Lisboa Mistura do ano passado foi qualquer coisa para o meu miocárdio.
A fotogaleria da lista pode ser conferida na íntegra aqui. Agora falta só aguardar a lista do Público, outra que também merece ser levada em conta. E como da última vez em que expressei minha opinião sobre listas choveram comentários de vozes dissonantes, ora muito bem, quem começa?
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Namoro no rádio
A rádio Nativa FM (103,7) transmite todos os dias, das 20h às 22h, o programa Paquera Nativa. Há umas semanas venho ouvindo quase todas as noites para entender qual o perfil dos ouvintes que esperam arrumar um namorado ou namorada com a ajuda do rádio. Pelo o que percebi, claro que ainda muito empiricamente, são pessoas na faixa etária entre 40 e 60 anos, das classes C e D, moradores do subúrbio do Rio, que enfatizam, num primeiro momento, que gostariam de um companheiro/a (não falam em namorada ou namorado), e que querem fazer amizade com o possível candidato antes de se comprometerem amorosamente. A emissora tenta equilibrar a participação de homens e mulheres.
A novidade deste programa, no entanto, é que o contato do público com o rádio é mediado pela internet. Primeiro os interessados em participar fazem um cadastro na internet e a produção do Paquera Nativa liga para aqueles que se cadastraram. Aí os ouvintes entram ao vivo no ar, descrevem como são fisicamente e ainda narram como desejam que seja a pessoa com a qual querem se encontrar. Aí dizem o número do celular (é engraçado que muitas vezes antes mesmo do locutor terminar o papo com o participante, a gente ouve o celular da pessoa tocar. Um exemplo de que há um retorno). Tradicionalmente, e ainda em muitos programas hoje em dia, os ouvintes ligam diretamente para a emissora a fim de participarem.
Enquanto eu escuto o Paquera Nativa, fico pensando porque existe no rádio um programa deste tipo, já que esse formato de programação fazia e ainda faz muito sucesso na TV . Lembro do Silvio Santos com o “Namoro na TV” e o “Em nome do amor” (com o famoso e tosco bailinho). Até a MTV, há uns poucos anos investiu no “Fica comigo”, e atualmente o Rodrigo Faro transmite o “Vai dar namoro”. E cada vez mais a internet é uma ferramenta utilizada para juntar casais, nos bate-papos e as redes sociais. Uma diferença é que no rádio e na internet os candidatos não levam um fora na frente de milhares de telespectadores, como acontecia com esses programas na TV.
Enfim, uma das questões legais do Paquera Nativa é a nova forma que o rádio está encontrando para lidar com os ouvintes ao utilizar a internet, que no caso deste programa, é a porta de entrada. Antigamente era o telefone. Fiquei refletindo nas mudanças que as novas tecnologias podem ter trazido para a comunicação massiva. Ou seja, pensei que pode haver uma segmentação ainda maior de público no rádio em virtude da mediação pela internet. E, obviamente, uma transformação da programação ao disponibilizar a internet para um cadastro prévio dos ouvintes antes deles participarem ao vivo.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
My Chemical Romance: Uma experiência musical para além da música

Sobre a mediação:
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Minha nova obsessão
Uma das bandas que eu mais me arrependo de não ter conferido ao vivo durante a minha sejour lisboeta no ano passado foi o Tiguana Bibles. Ao efetuar o download – gratuito, vale reforçar – do EP “Child of the moon” no site da Optimus Discos, fui imediatamente cativado pela mistura de romantismo neo-noir e rockabilly onírico que transborda das cinco faixas do álbum. Uma em especial – a versão lentinha de “Lost words” – se tornou a minha música favorita das últimas três semanas, após ter se convertido, meio sem querer, em peça fundamental no processo de pré-produção do curta-metragem que estou parindo. Nunca fui muito dado a escutar coisas em modo repeat, e sempre achei que o melhor botão de um CD Player (sim, ainda sou do tempo destas traquitanas) era o eject, que me permitia trocar de disco e variar a trilha sonora; esta é a razão pela qual, em toda a minha curta vida apenas duas faixas foram capazes de se tornar obsessões nesse sentido. Sendo “First of the gang to die” do Morrisey a outra faixa, e tendo Boz Boorer, produtor dos Tiguana, já colaborado com o gênio inglês, posso afirmar com alguma certeza que minha obsessão por “Lost words” não é de todo incompreensível, certo?
Victor Torpedo (guitarra), Pedro Serra (baixo) e Carlos Mendes (bateria) possuem ótimos antecedentes: em algum momento pré-TB, fizeram parte das excelentes bandas Bunnyranch, Tédio Boys e Parkinsons, todas nomes fundamentais daquela que ficou consagrada como “cena de Coimbra”, a mesma de onde saíram É mas foi-se, Belle Chase Hotel, Wraygunn, Legendary Tigerman, d3Ö, Sean Riley and the Slowriders e tantas outras ao longo dos últimos dois decênios e meio. E depois, há a voz da londrina Tracy Vandal, mais nova integrante da lista de vozes-femininas-que-eu-gostaria-de-ouvir-cantando-pra-mim-quando-eu-chegasse-no-céu – existindo céu e tendo o Criador bom gosto musical, naturalmente. Ouçam-na no mesmo EP entoando os versos de “Lonesome town” e tentem adormecer em paz depois. Ou atraquem-se de uma vez por todas com o videoclipe de “Lost words”.
(Eu por cá continuo na torcida por um longa-duração do Tiguana Bibles, da mesma forma que espero pelo debut do Governo, a banda capitaneada por valter hugo mãe que igualmente compõe o rol de descobertas-musicais-que-fazem-o-doutorado-valer-a-pena. Um concerto no Circo Voador reunindo os dois não seria totalmente despropositado, não?)

