Edição de domingo do New York Times comenta o culto do vinil por culturas de nicho; e Jonathan Sterne fez referência ao fenômeno no blog dele, lembrando de uma piada já meio velhinha que circulou pela internet anos atrás, que dizia que a salvação da indústria fonográfica na era do download já tem nome.
Trata-se de um aparato meio esquisito, que atende por uma sigla:R.E.C.O.R.D. Piadas à parte, acho que o assunto rende muito e por isto ele tem merecido atenção no LabCult. Escrevi um artigo sobre o culto ao vinil para a coletânea organizada pelo Sergio Amadeu sobre a morte do CD (ainda no prelo). Chama-se "O CD morreu: Viva o vinil" - tratando das reapropriações do vinil por várias destas subculturas tais como a da música eletrônica.
E estamos iniciando - eu e Tiago Rubini - uma etnografia com colecionadores de vinil no Rio.
Acho muito interessante pensar no retorno de tecnologias ditas obsoletas e como elas se reconfiguram ao se conectar com as "novas". É o caso do Sleeveface, de que falei em outro post. E também uma das questões que estou trabalhando no projeto sobre os sistemas de recomendação - do tipo Last Fm e outros - que desenvolvo aqui na McGill. E que tem como uma dos interesses analisar a materialidade destas nova formas de consumo de música e a compreensão de com elas "dialogam" ( nos termos de Bolter e GRusin no livro Remediation) com as anteriores - e em especial com o disco e a noção de álbum.
E meu argumento lá no artigo é o de que a materialidade do vinil - ou seja, suas características físicas, materiais, sônicas e estéticas (a capa, o tamanho do disco, os encartes, a forma de colecionar e organizar a música, o "calor" da bolacha na mão dos usuários) vai ser fundamental para entender esta reapropriação.
Um segundo elemento importante é a noção de distinção e de capital (sub)cultural, nos termos discutidos por Bourdieu.. Ou seja, no momento em que os tocadores de MP3 se popularizam, ter um toca-discos e colecionar discos torna-se hype por ser raro, difícil...e isto é bem discutido na matéria do NYT, ao comentar que enquanto os pais apresnedem a usar o Ipod com os filhos, estes retornam aos toca-discos e reviram os discos dos pais.
. Montreal tem lojas de discos para todos os gostos. Lindas, charmosas, undergrounds... (vi um vinil dos Beatles por 5 dólares outro dia...). E um amigo daqui me contou que a cidade é conhecida internacionalmente por suas pechinchas em vinil, atraindo comerciantes de outros paises, que viajam pra cá para comprar mercadoria e revender.O que explica a existência deste guia para colecionadores de vinil, com mil endereços bacanas.
Trata-se de um aparato meio esquisito, que atende por uma sigla:R.E.C.O.R.D. Piadas à parte, acho que o assunto rende muito e por isto ele tem merecido atenção no LabCult. Escrevi um artigo sobre o culto ao vinil para a coletânea organizada pelo Sergio Amadeu sobre a morte do CD (ainda no prelo). Chama-se "O CD morreu: Viva o vinil" - tratando das reapropriações do vinil por várias destas subculturas tais como a da música eletrônica.
E estamos iniciando - eu e Tiago Rubini - uma etnografia com colecionadores de vinil no Rio.
Acho muito interessante pensar no retorno de tecnologias ditas obsoletas e como elas se reconfiguram ao se conectar com as "novas". É o caso do Sleeveface, de que falei em outro post. E também uma das questões que estou trabalhando no projeto sobre os sistemas de recomendação - do tipo Last Fm e outros - que desenvolvo aqui na McGill. E que tem como uma dos interesses analisar a materialidade destas nova formas de consumo de música e a compreensão de com elas "dialogam" ( nos termos de Bolter e GRusin no livro Remediation) com as anteriores - e em especial com o disco e a noção de álbum.
E meu argumento lá no artigo é o de que a materialidade do vinil - ou seja, suas características físicas, materiais, sônicas e estéticas (a capa, o tamanho do disco, os encartes, a forma de colecionar e organizar a música, o "calor" da bolacha na mão dos usuários) vai ser fundamental para entender esta reapropriação.
Um segundo elemento importante é a noção de distinção e de capital (sub)cultural, nos termos discutidos por Bourdieu.. Ou seja, no momento em que os tocadores de MP3 se popularizam, ter um toca-discos e colecionar discos torna-se hype por ser raro, difícil...e isto é bem discutido na matéria do NYT, ao comentar que enquanto os pais apresnedem a usar o Ipod com os filhos, estes retornam aos toca-discos e reviram os discos dos pais.
. Montreal tem lojas de discos para todos os gostos. Lindas, charmosas, undergrounds... (vi um vinil dos Beatles por 5 dólares outro dia...). E um amigo daqui me contou que a cidade é conhecida internacionalmente por suas pechinchas em vinil, atraindo comerciantes de outros paises, que viajam pra cá para comprar mercadoria e revender.O que explica a existência deste guia para colecionadores de vinil, com mil endereços bacanas.
Em suma - há toda uma movimentação econômica e cultural em torno do vinil, que merece análises mais apuradas do que a interpretação de que isto seria somente nostalgia, tal como Plaskettes propôs em seu artigo sobre o tema. Abaixo, uma lista de sugestões de leituras sobre o assunto.E tb as referências dos trabalho de Bolter e Grusin e Bourdieu citados neste post. Boa leitura!
BOLTER. J. e GRUSIN. D. – Remediation.Understanding New Media. E.U.A., MIT Press, 2000.
BOURDIEU, P. – Distinção. Crítica Social do Julgamento.SP, EDUSP, 2007.
FERREIRA, P. P. – O Analógico e o Digital: a politização tecnoestética do discurso dos DJs, ANAIS da XXIV reunião da ANPOCS, Caxambu, MG. 2004
FRAGA, Danilo Dantas - MP3, A MORTE DO ÁLBUM E O SONHO DE LIBERDADE DA CANÇÃO? – Encontro da ULEPICC
YOCHIM, E. C. e BIDDINGER, M. - It kind of give you that vintage feel; vinyl records and the trope of death, IN: Media, Culture and Society, Vol. 30(2) 183-195; Los Angeles, London,. New Delhhi, Singapore, 2008.
KEIGHTLEY, Keir – Long Play: Adult-Oriented Popular Music and the temporal Logics of the Post-War Sound Recording Industry in the U.S.A. In: Media, Culture & Society, vol. 26, 375-391. London, Thousand Oaks, New Delhi. 2004.
MAGOUN, Alexander B. – The origins of the 45-rpm Record at rca Victor, 1939-1948. In: Braun, Hans-Joachim(org.) – Music and technology in the twentieth century. pp 148-157 Baltimore and London. John Hopkins Univ. Press, 2002
PLASKETTES, G. (1992) ‘Romancing the Record: The Vinyl De-evolution and Subcultural Evolution’, Journal of Popular Culture 26(1): 109–22.
SÁ, Simone Pereira de - A música na era de suas tecnologias de reprodução. Revista E-Compós, n. 8 – agosto 2006. – Brasília, 2006
SÁ, Simone Pereira de - O vinil morreu? Viva o vinil!!! (Texto no prelo – para a
coletânea: A música depois da morte do CD – org de Sergio Amadeu)
BOLTER. J. e GRUSIN. D. – Remediation.Understanding New Media. E.U.A., MIT Press, 2000.
BOURDIEU, P. – Distinção. Crítica Social do Julgamento.SP, EDUSP, 2007.
FERREIRA, P. P. – O Analógico e o Digital: a politização tecnoestética do discurso dos DJs, ANAIS da XXIV reunião da ANPOCS, Caxambu, MG. 2004
FRAGA, Danilo Dantas - MP3, A MORTE DO ÁLBUM E O SONHO DE LIBERDADE DA CANÇÃO? – Encontro da ULEPICC
YOCHIM, E. C. e BIDDINGER, M. - It kind of give you that vintage feel; vinyl records and the trope of death, IN: Media, Culture and Society, Vol. 30(2) 183-195; Los Angeles, London,. New Delhhi, Singapore, 2008.
KEIGHTLEY, Keir – Long Play: Adult-Oriented Popular Music and the temporal Logics of the Post-War Sound Recording Industry in the U.S.A. In: Media, Culture & Society, vol. 26, 375-391. London, Thousand Oaks, New Delhi. 2004.
MAGOUN, Alexander B. – The origins of the 45-rpm Record at rca Victor, 1939-1948. In: Braun, Hans-Joachim(org.) – Music and technology in the twentieth century. pp 148-157 Baltimore and London. John Hopkins Univ. Press, 2002
PLASKETTES, G. (1992) ‘Romancing the Record: The Vinyl De-evolution and Subcultural Evolution’, Journal of Popular Culture 26(1): 109–22.
SÁ, Simone Pereira de - A música na era de suas tecnologias de reprodução. Revista E-Compós, n. 8 – agosto 2006. – Brasília, 2006
SÁ, Simone Pereira de - O vinil morreu? Viva o vinil!!! (Texto no prelo – para a
coletânea: A música depois da morte do CD – org de Sergio Amadeu)
Um comentário:
contem comigo pra ser etnografado, rs. sou daqueles que se a Patroa diz "Ou os vinis ou eu", fico com os vinis, hehe.
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