sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Desenrolando a serpentina para 2011

A Sebastiana Associação Independente de Blocos de Rua da Zona Sul, Centro e Santa Teresa promoverá nos dias 13 e 14 de agosto, no Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), no Flamengo, a terceira edição do seminário Desenrolando a Serpentina. Com o objetivo de trocar idéias com os cariocas sobre o crescimento e a organização do carnaval de rua, o evento vai reunir representantes de vários blocos, poder público e sociedade para, juntos, debaterem os principais temas relacionados ao carnaval de rua e seus desdobramentos. O evento, gratuito é aberto ao público, e realizado em parceria com a Rede Globo de Televisão conta com o apoio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

O evento vai reunir 12 dos mais tradicionais blocos da cidade para refletir sobre alguns temas como O Carnaval de Rua e a Cidade, Carnaval de rua, economia e turismo e Propostas para o Carnaval 2011. As propostas apresentadas serão encaminhadas aos representantes do poder público como contribuição para a organização do carnaval de rua de 2011.

Além das mesas de debates, haverá exposições de fotos e camisetas de blocos, venda de livros e CDs, bar temático e shows nos dois dias do evento (vide programação abaixo).

A Sebastiana foi fundada em 2000 e é composta pelos seguintes blocos: Simpatia É Quase Amor, Bloco do Barbas, Suvaco do Cristo, Bloco de Segunda, Imprensa Que Eu Gamo, Escravos da Mauá, Carmelitas, Meu Bem Volto Já, Bloco da Ansiedade, Que Merda é Essa, Virtual e Gigantes da Lira.

III Desenrolando a Serpentina 2010

Data: 13 e 14 de agosto de 2010

Local: Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) Rua do Pinheiro 10, Flamengo RJ

O evento é gratuito e aberto ao público.

Programação:

1º dia 13 de agosto (sexta-feira)

17h30 - Abertura do evento e exposição:

Apresentação do grupo Tempero Carioca. Participações especiais de Nei Lopes e Mariana Baltar

2º dia 14 de agosto (sábado)

11h - Mesa 1: O Carnaval de Rua e a Cidade

14h30 - Mesa 2: Carnaval de rua, economia e turismo

18h - Mesa de Encerramento: Carnaval de 2011 proposta

20h - Show de encerramento: Cordão do Boitatá

Consumo de Música & Estatísticas

Pessoal, não sei se vocês conhecem o site IT Facts, que basicamente pode nos interessar por trazer resultados quantitativos de pesquisas sobre usos e consumo dos mais variados produtos e serviços relacionados à Tecnologia da Informação, como telefones celulares, Ipods, games, Internet e televisão, para citar alguns.


















Ao clicar na categoria "Music", encontrei uma série de pesquisas muito bacanas que mostram, por exemplo, que 33% de toda música vendida em 2008 era digital ou que a música mais ouvida no rádio no mesmo ano foi "No One" da Alicia Keys ou ainda que impressionantes 92% dos jovens entre 14 e 17 anos na Inglaterra têm um mp3 player. (Só achei estranho o fato de só haver pesquisas até 2008. Vai ver ainda não deu tempo de organizar e publicar os dados de 2009).

Fazendo um link com o assunto, ontem vi passar um estudo na Management TV, no qual o pesquisador ia a escolas britânicas para investigar como as crianças e jovens adolescentes consumiam música e praticamente todos, senão todos, tinham aparelhos celulares que tocavam música e/ou mp3 players de última geração e ele mostrava - até onde vi do programa - que ao contrário da premissa que muitos apoiam de que esses gadgets de escuta individual levariam a comportamentos mais individualistas e menos sociais, as crianças interagiam constantemente entre si, comparando aparelhos, mostrando músicas umas para as outras e conversando sobre suas preferências musicais.



De fato, como Tia DeNora mostra no primeiro capítulo do seu livro Music in Everyday Life, a relação entre música e sociedade é muito mais complexa do que Adorno supôs e parece realmente mais interessante, de acordo também com Simon Frith, entender como a música constrói as pessoas e como a usamos para organizar as nossas vidas do que partir da hipótese de que a organização musical é apenas um simulacro para a organização social.



segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Discos (nem tão) novos (assim) de Guillul e Deolinda

A maldição das “segundas obras” costuma ser moeda corrente no discurso da crítica cultural midiática. Parte-se do pressuposto de que, após uma obra de estreia memorável, o artista necessariamente encontrará dificuldades para repetir a dose, e aí a tendência é que o disco, filme ou livro seguinte requente a fórmula que deu certo na primeira tentativa ou, ao contrário, busque um caminho radicalmente novo como forma de contornar o fantasma da repetição.

Dois dos nomes mais expressivos da atual vaga da música pop made in Portugal lançaram discos no mês passado, e em ambos o fantasma da segunda obra se faz notar. Após o surpreendente êxito de “Canção ao lado”, o Deolinda regressa com “Dois selos e um carimbo”. Da usina criativa da Flor Caveira, por sua vez, emerge “V” – o sucessor do bem sucedido (!) “IV”, disco que projetou Tiago Guillul para além do circuito underground luso e que, embora não se configure como uma “segunda obra” na acepção clássica do termo, arrisco dizer que simbolicamente ele talvez o seja.

As estratégias são diversas. Enquanto o Deolinda parece ter optado pela máxima do “em time que está ganhando...”, o novo disco de Guillul é radicalmente distinto de seu último trabalho, que por sua vez já estava alguns passos adiante dos três primeiros álbuns que apenas meia dúzia de três ou quatro ouvintes-fiéis (ou fiéis-ouvintes, dado que Guillul milita como pastor na Igreja Batista de São Domingos de Benfica) tiveram o privilégio de fruir. O que não necessariamente significa que “V” seja arrebatador enquanto que “Dois selos e um carimbo” ofereça mais do mesmo. Há momentos do álbum do Deolinda que a vontade de emular o que deu certo no primeiro disco incomoda um bocado – por mais que tente, “A problemática colocação de mastro” (os títulos das faixas são ótimos!) nunca será uma espécie de “Movimento perpétuo associativo – parte II”, embora seja charmosa a seu modo. No cômputo geral, contudo, a sensação de familiaridade que o disco provoca no ouvinte cria uma espécie de aconchego que convida à nova audição, nem que seja para conferir infinitas vezes a beleza de letra que é “Alvalade e as portas de Benfica”.

No caso do “V” o buraco é mais embaixo. Não escondo de ninguém que sou um tremendo entusiasta da produção da Flor Caveira, e que o disco anterior de Guillul figura da minha lista de melhores álbuns portugueses de 2008. O “problema” é que em 2009 a FC deu ao mundo pérolas do quilate do “Virou!” do Diabo na Cruz ou do já clássico “Nem lhe tocava” de Samuel Úria, elevando a fasquia da gravadora para alguns níveis acima do que ficara registrado no ano anterior. Diante de concorrência tão pesada, “V” empalidece um pouquinho, embora seja, de longe, o disco mais manhoso a brotar com o selo da gravadora. Por manhoso, entendam-se batidas retrô, palminhas a granel e um balanço esquisito que atravessa todo o álbum, sintetizado em faixas como “Sacundido o pó dos meus pés”, “Praia verde” e “Canção para a Maria não furar as orelhas” (!). A profusão de convidados especiais também sinaliza a relação simbiótica que a FC estabelece com o mainstream poptuguês – conforme anunciado pelo Henrique Amaro no Portugália da semana passada, o dueto com Rui “GNR” Reininho (na faixa “Nabucodonosor”) é algo que já se previa há algum tempo. E a cameo de Joaquim Albergaria, ex-Vicious Five, dá um fôlego todo particular ao crescendo final de “São sete voltas p’ra muralha cair”, uma das melhores do disco.

É curioso, porque – confesso – só escutei cada disco uma única vez, mas de “Dois selos e um carimbo”, que me cativou de cara, só consigo me recordar isoladamente de duas ou três faixas, enquanto que todos os tracks de “V” de alguma maneira ficaram registrados em minha memória, embora à primeira audição o disco não tenha particularmente me empolgado. Fica a sensação de que “V” vai ser daqueles álbuns que, a exemplo do “In rainbows” do Radiohead – ou do “Fim de semana no pônei dourado”, de B Fachada, só pra ficar nos portugueses – cresce um bocadinho a cada nova escuta.

(No MySpace do Deolinda, é possível escutar quatro faixas do novo disco. No de Guillul, apenas “São sete voltas...” está disponível, mas com alguma paciência tanto “Dois selos e um carimbo” quanto “V” já podem ser encontrados nos Soulseeks da vida.)

sábado, 7 de agosto de 2010

A nova aventura musical do Pato Fu


Para minha imensa alegria o Pato Fu está de volta, e para variar, diferente! Música de brinquedo, novo disco da banda mineira já está pronto e seu lançamento será feito esse fim de semana no Rio de Janeiro. Como o título e o pôster abaixo denunciam, Fernanda Takai e companhia utilizaram dessa vez diversos brinquedos sonoros para gravar esse que é o décimo primeiro disco do grupo mineiro. No site, John explicou a inspiração para o projeto: “E se gravássemos um disco inteiro só usando instrumentos de brinquedo? Não um disco de música infantil, mas um disco de música ‘normal’ filtrada por essa sonoridade.”

Visitei o site do grupo e lá estão disponíveis algumas faixas do repertório composto por grandes sucessos como “Sonífera Ilha” dos Titãs, “Primavera” do Tim Maia e “Love me Tender” do Elvis. Também é possível assistir ao making off e ver fotos capturadas com os celulares dos próprios músicos que revelam as rotinas de gravação num clima bem caseiro, como o de costume.

Vale comentar a prática de circuit bending, que consiste em modificar aparelhos eletrônicos, principalmente brinquedos, para criar novos sons e instrumentos musicais. Em um dos posts a banda fala sobre a experimentação com sintetizadores e da dificuldade em registrar esses efeitos sonoros no estúdio.

A aventura musical já foi comentada por vários jornais, blogs e revistas especializadas, e nós, os fãs, poderemos conferir esse trabalho ao vivo hoje e amanhã (7 e 8 de agosto) no Teatro Nelson Rodrigues no espaço Caixa Cultural - Centro - a partir das 19:30hs. Prometo voltar aqui para falar da apresentação.



terça-feira, 3 de agosto de 2010

Lançamento do livro Rumos da Cultura da Música

Todos convidados!








Organização: Simone Pereira de Sá
Autores: Adriana Amaral, Benjamin Piekut, Bruno Nogueira, Felipe Trotta, Jason Stanyek, Jeder Janotti Jr, Jonathan Sterne, José Claudio Castanheira, Kiri Miller, Lucas Waltenberg, Marildo Nercolini, Micael Herschmann, Rafael Sarpa, Santuza Cambraia Naves, Simone Pereira de Sá, Tatiana Bacal, Vinicius Andrade Pereira

Infos: www.editorasulina.com.br





quinta-feira, 29 de julho de 2010

Música e exercício tem tudo, tudo a ver!

Como alguns sabem, há anos sou fascinada não apenas por videoclipe e música, mas por exercício. Desde  a pré-adolescência pratico todo tipo de atividade física, o que já incluiu, por exemplo, balé, dança de salão, vôlei, basquete, natação, handball, hidroginástica, aeróbica (!) e até judô e taekwondo. Atualmente, sou totalmente apaixonada por corrida e ciclismo indoor. E olha que sou daquelas que compra sapatilha e bermuda de ciclismo, que acompanha a evolução cardíaca através do frequencímetro e gasta horrores num tênis de corrida competente.


Sempre tive a quase certeza de que exercício físico tem tudo a ver com música. Além de um puxar o outro - a música frequentemente "chama" a dança - ambos melhoram o humor, relaxam, ajudam a pensar, trazem ótimas sensações durante e após sua execução e fazem muito bem pra saúde (nem lembro quando foi a última vez que fiquei gripada ou qualquer coisa do tipo). Por causa disso, não fiquei surpresa ao ler essa reportagem muito legal no site da revista Runners que relacionada a performance da corrida com a música!


De acordo com pesquisas científicas, a música não apenas ajuda na concentração, mas sobretudo melhora a performance do corredor. Há muito tempo eu já havia comprovado isso: muitas vezes estou hiper esgotada de uma corrida e de repente começa a tocar no meu iPod alguma música que amo de paixão. Na mesma hora o cansaço praticamente desaparece e eu até consigo aumentar meu ritmo, e isso obviamente não pode ser explicado apenas fisiologicamente.


Na matéria, há a "fórmula da canção perfeita" para corrida e, nela, o ritmo e as batidas por minuto são fundamentais. Os pesquisadores descobriram que são necessários exatamente 120 BPM para que a música promova uma resposta física por parte do corredor. "Erva Venenosa", de Rita Lee, tem 128 BPM, por exemplo, e é ideal para o corpo começar a se mexer.


Outros elementos fundamentais são a melodia, a harmonia, o significado da letra (por exemplo, músicas que falam de vitória, velocidade e superação) e, principalmente, a afetividade que o corredor tem com ela. 


Eis minhas músicas prediletas pra manter um ótimo nível na corrida. Vamos correr?



Shivers. A evolução rítmica me faz enlouquecer, principalmente na hora do refrão. Arrepio do início ao fim.



Last of The Wilds. Rock na medida certa.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O FESTLIP 2010 e suas lacunas (ou Lusofonia 75%)

Começa amanhã (quarta, dia 14) e vai até o dia 25 deste mês de julho a 3ª edição do FESTLIP, o Festival de Teatro da Língua Portuguesa. O evento abarca desde espetáculos teatrais até uma "mostra gastronômica" com espécimes culinários dos países participantes - a saber, e em ordem alfabética, que é para não haver problemas: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, todos falantes da última flor do Lácio em suas mais diversas configurações - passando por workshops e um espetáculo musical, o Festlipshow, que rola dia 17, no Teatro Odisséia, às 23h.

Ano passado não deu pra conferir o FESTLIP por causa da FLIP; em 2010, graças à bendita Copa do Mundo, os eventos foram alocados em datas diferentes. Ótima oportunidade para conferir uma programação que engloba linguagens, encenadores e propostas totalmente desconhecidos por estas bandas. A grade completa pode ser conferida aqui. Pelo menos a duas peças eu gostaria imensamente de assistir: "Agosto - contos da emigração", do lendário grupo português A Barraca, e "Chovem amores na rua do matador", que o Grupo (também de Portugal) Trigo Limpo concebeu a partir de texto de Mia Couto e José Eduardo Agualusa, destaque do Festival de Teatro de Oeiras no ano que passou.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas... Para um Festival que se propõe a colocar em diálogo as manifestações culturais dos países falantes de Língua Portuguesa, me parece no mínimo estranho (e, na pior das hipóteses, uma omissão grave), a ausência de algumas bandeiras no line up do Festlipshow. Com Teresa Cristina e a Orquestra Voadora representando o Brasas, o Cheny Wa Gune Quarteto defendendo a camisa de Moçambique, Abel Duëre atacando por Angola e Hélio Ramalho por Cabo Verde, fica a pergunta: cadê Guiné, cadê São Tomé, cadê Portugal nessa história? Não havia um mísero músico capaz de representar cada um destes países e, assim, tornar a proposta do evento mais coerente consigo própria?

É por estas e outras que eu tenho alguns problemas com o conceito de Lusofonia, ou pelo menos com o modo tal e qual ele costuma ser apresentado e desenvolvido. A começar pela etimologia da própria palavra, que produz uma incômoda sensação de que o sentimento lusófono é algo que parte de Portugal - luso, sacaram? - e se espraia inocentemente pelo resto do mundo, o que dá margem a discussões estéreis sobre o berço da língua e sobre o local onde ela supostamente é mais pura, por vezes redundando em questionamentos tostines do tipo "quem tem sotaque, o português, o brasileiro ou o angolano?" - sotaque é coisa que apenas o Outro possui, nunca Eu. Depois, dependendo de quem se apropria do conceito, a Lusofonia, longe de dar conta da pluralidade de matrizes e expressões culturais e simbólicas atravessadas pelo falar da Língua Portuguesa, acaba se tornando um novo tipo de etnocentrismo, pautado não pela valorização da diversidade, mas sim pela exaltação do comum a partir de um ponto de vista determinado. Dito de outra forma, a Lusofonia made in Portugal é diferente da made in Brasil que é diferente da made in Angola e por aí vai. E se já tinha algumas restrições em relação à primeira, a escalação do Festlipshow me deixou com a incômoda sensação de que a Lusofonia made in Brasil também tem um bocado de problemas. Sendo impossível, pelo menos por enquanto, dissolver as identidades nacionais num Todo Lusófono vagamente utópico, o ideal e esperado seria que, pelo menos, todo os países falantes da Língua Portuguesa fossem contemplados de alguma forma.

Curiosamente, a lacuna que eu apontei no parágrafo anterior não se verifica na Mostra teatral, apenas na escalação do show musical, o que me deixou com a impressão de que foi a produção do evento que marcou bobeira. Custava pesquisar mais um pouquinho a fim de descobrir se não havia um Timorense levando um som bacana que pudesse enriquecer ainda mais o line up do show? E já agora falando do meu lugar de pesquisa (porque não há ser humano que consiga conhecer a produção musical de todos os países do mundo, embora seja possível conhecer um pouquinho em profundidade a produção daquele que ocupa nossa cabeça durante quatro anos de doutorado): uma vez que a proposta do FESTLIP é promover a integração e a mistura e etc e tal (vejam que não estou defendendo a presença do Rancho Folclórico de Miranda do Douro, embora isso também me pareça perfeitamente viável), custava sondar um JP Simões, um Terrakota, um Cacique 97, um Batida, ou mesmo um Diabo na Cruz, uns Quais, uma Márcia, enfim, artistas, bandas e coletivos portugueses que andam pensando as tais pontes sonoras que nos poem em contato uns com os outros?

Fica a dica para 2011...