terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Você já pediu devolução de algum disco?

Pelo menos nos últimos 10 anos? Eu não... Nem penso nisso!

Estou lendo uma monografia de graduação muito legal sobre o Clube da Esquina e sua música "híbrida". O autor, Alan Pessanha (Procult/UFF), que defende sua monografia quinta-feira, faz uma ampla (e ótima) análise sobre o surgimento e consolidação da MPB, com referências políticas e históricas. Uma das informações que não sabia é que em 1972 o Brasil viu ser lançado o disco que teria o maior número de devoluções da história da música brasileira: Araçá Azul, de Caetano Veloso.

O disco teve tanta devolução que rapidamente foi retirado de catálogo e só foi relançado em 1987. O motivo disso reside, segundo Alan, no excesso de experimentalismo que o álbum tinha. Ruídos, arranjos muito esquisitos e letras mais estranhas ainda não agradaram nem os fãs mais apaixonados.

Bem, aí na hora que eu li essas informações, um pensamento apenas me veio: gente, faz MUITO tempo que não se fala em devolução de discos. Por acaso você, leitor, pediu alguma devolução de um disco que não tenha gostado nos últimos 10 anos? Eu não... Nem penso nisso!

E essa mudança se deve, provavelmente, às novas maneiras de consumo musical a que assistimos já faz alguns anos. Enfim, essa mudança na forma como encaramos o disco é apenas um rearranjo cultural sutil que quase não notamos. Mas que está ali, presente, nos dizendo o tempo todo que os tempos são outros. Se Araçá Azul fosse lançado hoje, qual seria o seu destino?

8 comentários:

Tatiana Lima disse...

Acho que ouvintes ainda trocam CDs e DVDs nas lojas. Inclusive após as festas natalinas... Mas o caso de Araçá Azul é mesmo interessante. Os lojistas devolveram os vinis à gravadora, por causa do alto índice de trocas e do encalhe no estoque.

Ari Holzbach disse...

Pois é, Tati, isso é muito interessante e acho que é bem raro hoje em dia. Claro que na década de 70 também não era assim tão comum, mas acho que hoje esse excesso de experimentalismo conseguiria achar seu público de maneira bem mais fácil.

Anônimo disse...

Eu também nunca cogitei a hipótese de devolver um disco. Talvez porque quando comprava (hi, faz tempo) costumava escutar o cd antes. Acredito que no tempo do vinil as lojas não ofereciam essa possibilidade. (???)

Jefferson Chagas disse...

Ah, se fosse hj, já teríamos meia dúzia de comunidades no Orkut. Umas dizendo "Odiei o disco Araçá Azul do Caetano" e outras dizendo "Amei o disco Araçá Azul do Caetano". Nessa última, os integrantes tentariam decifrar as peripécias sonoras do baiano com argumentos prá lá de Marraqueche... kk

Ari Holzbach disse...

Hahahaha, certamente Jefferson!!!

Acho (apenas acho, hehe) que no tempo do vinil já se ouvia um pouco do disco antes de comprá-lo sim. Essa cultura não deve ser de agora, ou da era do CD. Creio que tanto nos anos 70 quanto hoje o fã não ouça o disco antes para ver se vai comprar, mas apenas como forma de degustar. A compra já está embutida (me refiro ao fã fanático). No caso do Caetano, isso sofreu um ruído né?

Tatiana Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tatiana Lima disse...

Algumas lojas de vinil tinham pic-ups com fones para os clientes usarem. Noutras, era preciso pedir ao vendedor para colocar o vinil no som geral. Isso por volta dos anos 80... Não lembro como era nos anos 70. Não sou tão velha assim...rs

Heitor disse...

Tem uma outra coisa a ser considerada: de uns bons anos pra cá, o consumidor poderia copiar e devolver o CD, o que na época do LP era um tipo de trambique inviável para esse malandro...