Reflita durante alguns segundos sobre a expressão “música portuguesa”. Qual destas imagens ou sonoridades passou mais vivamente diante de seus olhos e ouvidos?
(a) o fado melancólico de Amália Rodrigues
(b) o infame “vira” de Roberto Leal
(c) bolinhos de bacalhau (ok, eles não têm muito a ver com música, mas enfim...)
(d) Vasco da Gama (o time de futebol, e não o navegador)
Aos que assinalaram a opção (a) ou (b), uma conferida no site/blog http://rockemportugal.blogspot.com/ pode servir para oxigenar as idéias. Seu criador, Aristides Duarte, além de atuar como professor do Ensino Fundamental (!) no Distrito da Guarda (Concelho de Sabugal – em Portugal, onde mais?), acabou de lançar a terceira edição, revista e actualizada, do livro Memórias do rock português. Funcionando para o “rock de tamancos” como o BRock de Arthur Dapieve funciona para o “rock de bermudas” (estereótipos à parte), o livro parte de uma breve trajetória histórica do rock and roll em Portugal desde os anos 60 até hoje, para em seguida se deter nas biografias das bandas e artistas mais representativos, como os veteranos do Xutos & Pontapés, GNR, UHF e Rui Veloso, bem como os novos Clã e Mão Morta.
Em que se pesem as eventuais derrapadas que toda obra gestada no peito e na raça geralmente apresenta (como foi editado pelo próprio autor, o livro é bastante problemático no quesito revisão), as Memórias... de Aristides acabam se configurando como referência bibliográfica indispensável sobre o assunto, já que A arte eléctrica de ser português – 25 anos de rock’n Portugal (1984), de Gonçalo Duarte, está esgotado há décadas. O blog, por sua vez, disponibiliza vídeos, fotos e capas de alguns discos clássicos. É curioso perceber como as trajetórias midiáticas destes dois “rocks nacionais” em muito se assemelham, embora saibamos muito pouco ou quase nada a respeito do rock d’Além-Mar.
A pesquisa “Ruídos e assimetrias no intercâmbio Brasil-Portugal: consumo musical e identidades juvenis entre a ‘modernidade’ e a ‘tradição’”, que desenvolverei como aluno do doutorado em Comunicação da Universidade Federal Fluminense a partir deste ano, gira em torno destas e de outras questões, relacionadas à música popular massiva portuguesa contemporânea, sobretudo em seu diálogo (às vezes silencioso, na maioria das vezes inexistente) com o imaginário musical brasileiro. Lançar uma luz sobre esse rock português, virtualmente desconhecido entre nós, será um dos objetivos das minhas intervenções neste espaço do LabCULT.
Sejam bem vindos à discussão, ó pá.
(a) o fado melancólico de Amália Rodrigues
(b) o infame “vira” de Roberto Leal
(c) bolinhos de bacalhau (ok, eles não têm muito a ver com música, mas enfim...)
(d) Vasco da Gama (o time de futebol, e não o navegador)
Aos que assinalaram a opção (a) ou (b), uma conferida no site/blog http://rockemportugal.blogspot.com/ pode servir para oxigenar as idéias. Seu criador, Aristides Duarte, além de atuar como professor do Ensino Fundamental (!) no Distrito da Guarda (Concelho de Sabugal – em Portugal, onde mais?), acabou de lançar a terceira edição, revista e actualizada, do livro Memórias do rock português. Funcionando para o “rock de tamancos” como o BRock de Arthur Dapieve funciona para o “rock de bermudas” (estereótipos à parte), o livro parte de uma breve trajetória histórica do rock and roll em Portugal desde os anos 60 até hoje, para em seguida se deter nas biografias das bandas e artistas mais representativos, como os veteranos do Xutos & Pontapés, GNR, UHF e Rui Veloso, bem como os novos Clã e Mão Morta.
Em que se pesem as eventuais derrapadas que toda obra gestada no peito e na raça geralmente apresenta (como foi editado pelo próprio autor, o livro é bastante problemático no quesito revisão), as Memórias... de Aristides acabam se configurando como referência bibliográfica indispensável sobre o assunto, já que A arte eléctrica de ser português – 25 anos de rock’n Portugal (1984), de Gonçalo Duarte, está esgotado há décadas. O blog, por sua vez, disponibiliza vídeos, fotos e capas de alguns discos clássicos. É curioso perceber como as trajetórias midiáticas destes dois “rocks nacionais” em muito se assemelham, embora saibamos muito pouco ou quase nada a respeito do rock d’Além-Mar.
A pesquisa “Ruídos e assimetrias no intercâmbio Brasil-Portugal: consumo musical e identidades juvenis entre a ‘modernidade’ e a ‘tradição’”, que desenvolverei como aluno do doutorado em Comunicação da Universidade Federal Fluminense a partir deste ano, gira em torno destas e de outras questões, relacionadas à música popular massiva portuguesa contemporânea, sobretudo em seu diálogo (às vezes silencioso, na maioria das vezes inexistente) com o imaginário musical brasileiro. Lançar uma luz sobre esse rock português, virtualmente desconhecido entre nós, será um dos objetivos das minhas intervenções neste espaço do LabCULT.
Sejam bem vindos à discussão, ó pá.



E lá vem eu com mais uma daquelas listinhas questionáveis e por isso mesmo divertidas. É que em comemoração aos 30 anos da parada gay de Sidney, que reuniu na última edição 300 mil pessoas, o site australiano Same Same realizou uma enquete entre seus leitores para saber quais músicas são consideradas as mais gays de todos os tempos. O que a princípio seria uma listinha hilária, acaba por se revelar realmente pertinente.
cena gira em torno da música (pra variar... eletrônica). Assim, a idéia de eleger canções que representem o estilo de vida gay, legitimando canções, gêneros musicais e artistas, reafirma a importância de se investigar a lógica da relação dos gays com a música. Outra curiosidade é que em se tratando de listas, gays ou não, todas tendem a assumir uma postura conservadora. Assim, mesmo para uma cena relativamente nova a opção por clássicos em detrimento dos atuais hits prevalece.