segunda-feira, 24 de março de 2008

Holodeck para todos!

Para aqueles que não perderam as esperanças de experimentar o holodeck (aquele do Star Trek, lembra?), vale conferir a última edição da The Escapist.
Sob o título "How to build a holodeck", o artigo de Tom Rhodes aponta uma série de tecnologias que levam a crer que talvez ele não esteja tão longe assim de se tornar realidade... (ou atualidade!).

quinta-feira, 20 de março de 2008

Não é piada

Reflita durante alguns segundos sobre a expressão “música portuguesa”. Qual destas imagens ou sonoridades passou mais vivamente diante de seus olhos e ouvidos?

(a) o fado melancólico de Amália Rodrigues
(b) o infame “vira” de Roberto Leal
(c) bolinhos de bacalhau (ok, eles não têm muito a ver com música, mas enfim...)
(d) Vasco da Gama (o time de futebol, e não o navegador)

Aos que assinalaram a opção (a) ou (b), uma conferida no site/blog http://rockemportugal.blogspot.com/ pode servir para oxigenar as idéias. Seu criador, Aristides Duarte, além de atuar como professor do Ensino Fundamental (!) no Distrito da Guarda (Concelho de Sabugal – em Portugal, onde mais?), acabou de lançar a terceira edição, revista e actualizada, do livro Memórias do rock português. Funcionando para o “rock de tamancos” como o BRock de Arthur Dapieve funciona para o “rock de bermudas” (estereótipos à parte), o livro parte de uma breve trajetória histórica do rock and roll em Portugal desde os anos 60 até hoje, para em seguida se deter nas biografias das bandas e artistas mais representativos, como os veteranos do Xutos & Pontapés, GNR, UHF e Rui Veloso, bem como os novos Clã e Mão Morta.

Em que se pesem as eventuais derrapadas que toda obra gestada no peito e na raça geralmente apresenta (como foi editado pelo próprio autor, o livro é bastante problemático no quesito revisão), as Memórias... de Aristides acabam se configurando como referência bibliográfica indispensável sobre o assunto, já que A arte eléctrica de ser português – 25 anos de rock’n Portugal (1984), de Gonçalo Duarte, está esgotado há décadas. O blog, por sua vez, disponibiliza vídeos, fotos e capas de alguns discos clássicos. É curioso perceber como as trajetórias midiáticas destes dois “rocks nacionais” em muito se assemelham, embora saibamos muito pouco ou quase nada a respeito do rock d’Além-Mar.

A pesquisa “Ruídos e assimetrias no intercâmbio Brasil-Portugal: consumo musical e identidades juvenis entre a ‘modernidade’ e a ‘tradição’”, que desenvolverei como aluno do doutorado em Comunicação da Universidade Federal Fluminense a partir deste ano, gira em torno destas e de outras questões, relacionadas à música popular massiva portuguesa contemporânea, sobretudo em seu diálogo (às vezes silencioso, na maioria das vezes inexistente) com o imaginário musical brasileiro. Lançar uma luz sobre esse rock português, virtualmente desconhecido entre nós, será um dos objetivos das minhas intervenções neste espaço do LabCULT.

Sejam bem vindos à discussão, ó pá.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Literatura eletrônica na sala de aula

Foi lançado agora em março o novo livro de N. Katherine Hayles, autora de How we became posthuman e uma das editoras da Electronic Literature Collection.

O livro leva o nome de
Electronic Literature: New Horizons for the Literary e acompanha não só um CD com a coleção, como um website com (alguns) trabalhos de autores diversos, ementas de cursos relacionados ao tema, biografia dos autores da coleção e um blog (ainda incipiente).

A idéia é que o
site sirva para auxiliar alunos e professores de literatura digital. Uma iniciativa muito bacana, ainda que a idéia do site complementar não seja nova. :)

sábado, 15 de março de 2008

Revolução do mp3?



Tanto falamos em mp3 player, e seu preço se torna cada vez mais acessível, que às vezes perdemos de vista que o primeiro tocador do gênero comemora 10 anos de vida. EM 1998 chegava ao mercado um aparelho que armazenava 32 megas de músicas. De fabricação coreana, o MPMan chegou ao mercado custando 250 doláres, um quantidade de dinheiro que hoje nos permite adquirir versões com uma capacidade de armazenamento 1oo vezes maior. No entanto, é muito precipitado falar que a "revolução" do mp3 tenha aí se iniciado. Falar nesse processo é muito mais do que se referir à chegada de um produto no mercado. Modificações significativas só se observam quando o Mp3 se torna um formato amplamente conhecido para a troca de músicas. Quando, ao se falar em música a imagem que nos vem à cabeça não é a de uma loja de cds e sim de um programa de troca de arquivos. Imaginamos também, instantaneamente, o que poderemos fazer com aquela musica, que no formato digital se torna facilmente manipulável. Ringtone? Trilha sonora para um vídeo do youtube? As possibilidades são múltiplas. Mesmo assim, não devemos cair no erro de achar que, dadas as possibilidades do formato digital, todos o utilizarão em larga escala. O consumo de música que se aproxima do tradicional, ou seja, baixar um album e escutá-lo do início ao fim, sem pular faixas, ainda não está de total abandonado. É inegável reconhecer uma mudança enorme na forma de produção, circulação e consumo da música com a chegada do Mp3. Talvez por isso, rótulos como "revolução" não sejam bem vindos pois costumam obscurecer o fato de que, em se tratando de tecnologia, tudo que é "novo" se constroi nas "ruínas" de formas anteriores e assim ainda conserva algumas de suas características que o caracterizam como artefato cultural.

quinta-feira, 13 de março de 2008

As 20 maiores mancadas da Indústria Fonográfica

E já que estamos falando de listas, porque não falar das maiores mancadas da indústria fonográfica?

A revista Blender levantou vinte pontos que, segundo eles, são as situações mais vergonhosas no mundo da música.

A gravadora de Neil Young entrou com um processo contrar ele porque começou a fazer músicas pouco comercias. Onde já se viu isso?

Uma outra investiu milhões na carreira de uma cantora irlandesa - incluindo distribuição de discos e apartamento na Califórnia - que não chegou a vender 400 cópias do album de estréia em 3 meses. Detalhe: hoje, essa mesma cantora é uma das favoritas para ganhar a sétima edição do American Idol. Veja aqui embaixo Carly Smithson cantando Come Together.



A segunda maior mancada segundo a revista Blender, se trata do produtor que recusou a contratação dos Beatles a partir de uma audição realizada pelos músicos quando ainda tentavam dar a grande virada em suas vidas. Precisamos mesmo comentar o quanto esse sujeito deve se odiar até hoje?



E primeira mancada, aquela que ninguém nunca vai superar, e, para a alegria do LabCULT, um assunto que adoramos discutir, se trata da demora do reconhecimento do setor em ver a troca de músicas pela internet como um mecanismo eficiente no ganho de dinheiro, simbolizado pelo fechamento do Napster, programa pioneiro na troca de arquivos P2P. Segundo a revista, se a indústria tivesse percebido o potencial que esse mecanismo tem, as arrecadações anuais e vendas de CDs não estariam cada vez mais baixas, pois teriam sido feitos investimentos para controlar melhor a situação.

A lista completa está aqui, em inglês.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Música Gay?!

E lá vem eu com mais uma daquelas listinhas questionáveis e por isso mesmo divertidas. É que em comemoração aos 30 anos da parada gay de Sidney, que reuniu na última edição 300 mil pessoas, o site australiano Same Same realizou uma enquete entre seus leitores para saber quais músicas são consideradas as mais gays de todos os tempos. O que a princípio seria uma listinha hilária, acaba por se revelar realmente pertinente.
Há algum tempo venho observando as particularidades do entretenimento voltado ao público GLS e como a sociabilidade dessa cena gira em torno da música (pra variar... eletrônica). Assim, a idéia de eleger canções que representem o estilo de vida gay, legitimando canções, gêneros musicais e artistas, reafirma a importância de se investigar a lógica da relação dos gays com a música. Outra curiosidade é que em se tratando de listas, gays ou não, todas tendem a assumir uma postura conservadora. Assim, mesmo para uma cena relativamente nova a opção por clássicos em detrimento dos atuais hits prevalece.
Entre os primeiros lugares temos “Dancing Queen” do grupo ABBA, seguida por “YMCA” do The Village People e a clássica “I Will Survive” da Glória Gaynor. Destaca-se ainda “Vogue” da Madonna, “I Want To Break Free” do Queen, “New York Citty Boys” do Pet Shop Boys, Judi Garland com “Over The Rainbow” (isso mesmo, a trilha do filme Mágico de Oz), além de artistas como George Michael, Cher e Whitney Houston. Quem quiser ver a lista completa com as 50 músicas é só linkar para o site XXY.

sábado, 1 de março de 2008

Funk carioca

Na semana passada dei uma entrevista que resultou em matéria para o Mais do jornal Folha de São Paulo, sobre o funk carioca.
O interesse do jornalista Ernane Guimarães Netto pelo gênero se deu por conta do "Rap das Armas", incluído na trilha sonora do Tropa de Elite. Esta música - do refrão grudento pa-pa-pa-pa-pa-ra-pa-pa-pa, que vai discorrendo sobre as armas utilizadas no tráfico - é antiga. Foi composta por Junior e Loenardo em 1995 e ganhou uma versão ainda mais poolêmica de Cidinho e Doca. E agora volta ao noticiário por conta do filme.
As perguntas do jornalista retomaram discussões que a gente tem levado no grupo. Primeiro, sobre a expressividade do funk dentro da cultura dançante, da música eletrônica, no Brasil.
Como tenho argumentado (ver o artigo em publicações/vol 10), o funk carioca merece atenção e respeito por ser uma das mais criativas expressões da música de pista, no Brasil. Os procedimentos da eletrônica estão todos lá - estratégias de sampleamento, remix, utilização de bases de outras músicas nas montagens, hibridismos e tosquera. Mais o groove dos graves batendo junto com o coração e o resto do corpo, sem deixar ninguém ficar parado - que é o objetivo principal deste arquigênero chamado em alguns lugares de "dance music"; em outros de "eletronica".
Ao mesmo tempo, é música da cidade, que produz múltiplas narrativas sobre o cotidiano das periferias urbanas do Rio de Janeiro. Sexo, violência, humor, gírias engraçadas, bordões que depois invadem a cidade, tá tudo lá.E o melhor - sem carão, sem door policy, sem discurso "nós somos melhores porque somos underground".Bom, bonito, criativo e barato.
Se este espírito foi captado na matéria do Ernane, no mesmo dia a capa da Revista de Domingo, do Globo, me provocou, aagh!, ânsias de vômito. Era sobre o sucesso da Melô do Créu, com capa para a dançarina do grupo, a Mulher Melancia.
Mas, o tom da matéria era tão irônico, preconceituoso, "zona sul" e distante que parecia a daquele jornalista do New York Times (qual o nome do cara, mesmo?) que só falava m... sobre o Brasil. Não acreditei no que tava lendo! Expressões como "Músicas de mau gosto", "personagens bizarros" e descrições de um baile funk que fariam qualquer estudante de jornalismo corar pela incorreção política do repórter me deixaram chocada!

Meu alívio foi lembrar que, há poucos meses atrás, a mesma revista deu uma capa para uma extraordinária matéria do Calbuque sobre o mesmo assunto. Então, nem tudo da perdido para o "Seu grobo".









Parabéns pro LabCult!

O blog do LabCult fez aniversário em fevereiro. A gente estava em recesso das reuniões do grupo. Também as postagens, como nossos queridos leitores devem ter reparado, estavam bissextas, por conta da natural dispersão dos participantes durante as merecidas férias coletivas.
Por conta disto, faço o registro do aniversário com alguns dias de atraso, mas muito adequadamente no mesmo dia do aniversário do Rio de Janeiro.
Num balanço bem rápido, dá pra dizer que o primeiro ano do blog serviu como uma versão beta, experimental, para dar visibilidade e tornar públicas as pesquisas, opiniões e discussões do grupo.
Como todo blogueiro sabe, o maior desafio foi o de manter o pique o ano todo, atualizando o blog nos momentos em que fica todo mundo com a agenda embolada e carregada.
Para 2008 a gente promete novidades. Retomamos as discussões em março, teremos mudanças no grupo, com a chegada de novos membros; e um blog ainda mais dinâmico e repleto de informações sobre pesquisas, referências bibliográficas e opiniões sobre as temáticas de música, games e cibercultura.

Vou então soprar as velinhas, não sem antes agradecer a participação de cada um dos membros do nosso grupo de pesquisa em todo o procsso de criação e desenvolvimento do blog. Mesmo correndo o risco da pieguice, tenho que confessar que um dos maiores prazeres da vida acadêmica é trabalhar com este grupo onde só tem gente legal, inteligente, amiga, fácil de trabalhar e conviver.
Então, parabéns pro LabCult e seus frutos e vida longa para o grupo!! Tim-tim!