quinta-feira, 3 de abril de 2008

‘I’ve told you when I came I was a stranger...’


Pegando carona na sugestão da Simone, eis a minha (tentativa de) sleeveface a partir do álbum Songs of Leonard Cohen, de 1967, primeiro disco do trovador canadense que, coincidentemente, anunciou na semana passada seu retorno aos palcos, após 15 anos de ausência do circuito de shows. A turnê começa na terra natal de Cohen e depois atravessa o oceano, percorrendo vários países da Europa, inclusive Portugal, onde o bardo se apresenta em meados de julho, em Lisboa. A turma que organiza o Tim Festival bem que poderia ficar esperta, e montar um super-palco de Trovadores Malditos, escalando Cohen, Tom Waits e Van Morrison pra mesma noite. Que tal? Para ficar perfeito, faltaria apenas ressuscitar o Tim Buckley.

O problema seria saber se uma apresentação de Leonard Cohen no Brasil teria público, já que o autor das antológicas “So long Marianne”, “I’m your man”, “The future” e “Hallelujah” – esta última, na minha modesta opinião, uma das canções mais lindas do século passado, sobretudo na interpretação pulsos-cortados de Jeff Buckley – é virtualmente desconhecido por estas plagas. Na Europa, Cohen é venerado, e sua discografia completa pode ser encontrada em qualquer loja de esquina. Pelos festivais de cinema do Velho Continente, inclusive, andou circulando um misto de documentário e show-tributo ao mestre, intitulado Leonard Cohen – I’m your man, dirigido por Liam Lunson e registrando performances inspiradíssimas de Rufus Wainwright, Antony (sem os Johnsons), U2, Nick Cave e Jarvis Cocker interpretando canções de Cohen. Como este sempre foi melhor letrista do que arranjador, periga de algumas músicas do canadense soarem mais interessantes na voz de outras pessoas do que no registro algo fanho e anasalado do autor, como a trilha sonora do documentário acaba por confirmar.

De qualquer forma, o álbum da tosca sleeveface, lá em cima, é disparado uma excelente introdução ao trabalho de Leonard Cohen. U-torrents e soulseeks à obra, pois!


(foto: Flávia Rodrigues)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O ex-batman Ozzy Osbourne aporta na cidade





Acabo de ouvir que Ozzy, na sua passagem pelo Rio esta semana, fez exigências abosolutamente frugais para o camarim: cream cheese, água Evian e frutas.
Foi-se o tempo de comer morcegos.
Ha,ha,ha... realmente, já não se fazem roqueiros como antigamente.


Detesto revivals, mas confesso que abriria uma exceção neste caso. Por tudo que Ozzy - na fase Black Sabath - inventou dentro da cultura metal, acho que o show continua um bom programa, mesmo para quem não é aficcionado pelo gênero.

Quem vai?

terça-feira, 1 de abril de 2008

Eternidade efêmera - e daí?

"Já sabe quem é a melhor banda do mundo hoje? Como assim, não? Você não baixou a música naquele blog? Não viu o vídeo estourado no You Tube? OK, tudo bem. A Megazine de hoje vai dar uma colher de chá"

É com este tom irônico que se inicia mais uma lenga-lenga sobre "a rapidez com que as pessoas estão consumindo música, correndo atrás do hype, sem se aprofundarem na escuta". Bullshit!!
E daí? Qual o problema?

A sensação que tenho quando leio - ou assisto, ou ouço, ou testemunho em debates - estas discussões é de preguiçaaaaa. Ou de que estes caras precisam de um pouco de Bourdieu na veia. Pois, assim, pelo menos vão reconhecer que estão advogando em causa própria. Disputa simbólica, legitimidade e autoridade cultural, quem pode dizer "o que é o hype". Esta função que sempre foi da crítica especializada dos cadernos culturais, fragmentou-se por blogs, plataformas de relacionamento social na Internet e outros espaços das comunidades de gosto. E é isto que está em jogo na discussão.

Longe de mim demonizar a indústria cultural, as mídias ou a crítica musical - atores centrais na construção de uma cultura da música popular massiva, que merecem toda a atenção e respeito. Entretanto, como este é um dos temas preferidos das discussões do LabCult, não dá pra deixar de meter a colher na conversa.

Pois, sem dúvida, saímos de um momento de escassez da informação, aquele do estranho mundo pré-internet, quando a informação especializada das mídias de nicho tais como as revistas New Music Express, Mojo e outras (citadas nesta matéria da Megazine) proclamavam o hype e eram absorvidas pela crítica musical no Brasil. No exíguo espaço dos cadernos culturais dos grandes jornais ou em publicações especializadas de circulação periódica (às vezes mensais) descobríamos as novidades e corríamos atrás (esperando os CDs chegarem no Brasil, é claro!).

A situação agora - como todo mundo sabe - é a de excesso informacional e de possibilidade de busca de informação musical independente, para além destes mediadores "tradicionais" referidos aí no parágrafo anterior. Isto causa turbulências e redefine, ampliando, a esfera das instâncias mediadoras e legitimadoras da informação musical. Como consequência, também produz "estrelas que não duram até o por do sol" - como diz lá a matéria.
Mas, e daí?

Como eu comentei num post anterior, adoro meus discos de vinil; e por consequência a idéia de desfrutar da música como uma "obra" pensada pelo músico, incluindo a capa do disco, a sequência das músicas e tudo mais. Isto remete a esta escuta "intensiva", a uma escuta que aposta nas noções de aprofundamento e duração, que os jornalistas da Megazine reclamam estar acabando.

Mas, roubando a idéia do Chartier sobre "práticas de leitura" para pensar este universo das práticas musicais, creio que esta outra forma "extensiva" - que eles chamam de escuta efêmera, também pode ser bem interessante. Não saber quem é, não estar ligado ao artista "pelo que ele já fez antes"; utilizar outros filtros para descobrir músicas das quais a gente gosta.E principalmente, não ter que incorporar uma angústia que me parece ser a dos críticos culturais - quem vai durar? Será que a banda X ou Y vai passar para o segundo disco? Vale à pena apostar nela? Será que vai tocar no rádio?

Música pra dançar, música pra estudar, música pra caminhar pela cidade, música para uma escuta distraída, música nova pra ouvir no ipod, como antes no walkman ou no sound-system; música curtida em velhos discos de vinil... Estas práticas nos remetem a uma pluralidade de experiências culturais ligadas à escuta sonora - um dos temas mais fascinantes das nossas pesquisas no LabCult - que coexistem em diálogo e ou em tensão, apropriando, reconfigurando e dando sentido a velhas e novas tecnologias.

Relax, baby! Just listen to the sound of the music...

segunda-feira, 31 de março de 2008

Os toca-discos morreram?? Claro que não!

Mais uma da série: o universo conspira a favor de uma idéia (êta Paulo Coelho bom!). Ou não existem coincidências. (hã,hã).

No domingão, tinha acabado de enviar uma proposta de paper para o Congresso de História das Mídias, pro GT de Mídias Sonoras, sobre o tema dos toca-discos. Meu interesse é investigar a materialidade desta forma de reprodução sonora, a partir da noção de Remediação (do Bolter e Grusin, no texto Remediation) e dos argumentos do Jonathan Sterne; pensando ainda em como uma forma "obsoleta" de escuta sonora foi recuperada na contemporaneidade - não só na cultura eletrônica mas por várias comunidades de gosto.

Eis que pego a revista de domingo (do Globo) e a capa fala de quê? Exatamente do culto ao vinil por colecionadores famosos e da volta dos tocadores - de vitrolinhas portáteis a pick-ups high-techs. Não sou saudosista, adoro as novas tecnologias de produção e reprodução de música, mas amo e escuto meus discos de vinil direto.Já tenho duas pick-ups bacanas, mas confesso que ter uma vitrolinha colorida portátil é tu-do. Sonho de consumo!

Mas, o que gostei mais foi a dica do site Sleeveface, que detonou uma mania que a revista estava imitando: a de posar com a capa do disco favorito cobrindo o rosto. O efeito é muito legal - já tinha visto isto outras vezes, mas no site as apropriações são incríveis.
Fiquei com vontade de convencer o povo do LabCult a fazer umas fotos assim - que tal, galera?

Mas, continuando a profecia que abre o post, recebi no mesmo dia um artigo (enviado pelo Afonso) sobre o mesmo assunto. O título é "it Kind of gives you that vintage feel: vinyl records and the trope of death", dos autores Emily Chivers Yochim e Megan Biddinger. É da revista Media, Culture and Society, edição de março de 2008; e o link para a revista é este.

Mas, se alguém se interessar e tiver dificuldade em localizar - pois o acesso só é gratuito a partir do Portal da CAPES - eu repasso por e-mail.

domingo, 30 de março de 2008

Texto Teorias Críticas

Este é quase um off-topic. É o link para um dos textos da próxima aula de Teorias Críticas.
E também o endereço do novo blog - para os alunos e interessados no tema.Funcionando em versão beta (pois ainda estou ajustando a imagem do cabeçalho)

Quem já viu?




Gente! Descobri uma pérola trash, deliciosa, este fim de semana na locadora. É um falso documentário (mockumentary -ugh! é assim que se escreve?) - chamado Ritmo Acelerado (It´s all gone, Pete Tong), sobre a ascensão e queda de Frankie Wilde, um DJ de Ibiza que fica surdo... E mais não vou contar, pra não estragar.

Eu não tinha nenhuma informação prévia, peguei na estante totalmente no chute, jurando que não devia prestar. Mas, foi uma surpresa. Depois de assistir e a-mar, fui fuçar na internet.Claro! - havia site oficial, um monte de comentários, verbete na wikipedia, videos no youtube, críticas no rraurl, blogs comentando, discussão se é mesmo fictício e tudo mais.

O filme é de 2005, não chegou a ser lançado nos cinemas e foi direto pro DVD.O legal é que toca no tema central da pesquisa de Marcelo Garson, sobre a ascensão dos Djs Superstars durante os anos 90 - que discutimos na última reunião do grupo na sexta.

Tá tudo lá, em tom de sátira! A farra da ilha que inventou uma certa versão da cultura eletrônica ensolarada e hedonista, os excessos, as drogas - em especial a cocaína voando pros narizes -mais o culto aos Djs tratados como popstars pelos frequentadores, os empresários oportunistas, as festas em locais lendários como Pacha, Amnesia, Privilege...

Entremeado por depoimentos "sérios" de gente como Tiesto, Carl Cox, Paul van Dyck e outros Djs top, além da participação do Pete Tong do título - Dj e referência na divulgação da cultura eletrônica, através de seu programa na BBC. Mais uma trilha sonora deliciosa e um ator ótimo, Paul Kaye, fazendo o papel do DJ ensandecido - tudo isto torna o filme um ótimo programa.

Ah! E tem uma frase que - desculpem a pieguice - é linda. A cena é quando o cara, depois de quase pirar, se conforma de que tá mesmo surdo. Começa então a lidar com o fato; depois se apaixona pela professora de linguagem labial, maluca como ele. E ela diz, lá pelas tantas: Relaxe! Se acalme! Confie nos outros sentidos!E ele descobre um monte de coisas bacanas a partir daquele momento - não, juro que não vou mesmo contar o resto! - mas é comovente.

Peguem agora na locadora ou baixem... e depois comentem aqui se gostaram...



ECAD lança CD de comemoração

Presente em uma de nossas conversas no último encontro do grupo, o controverso ECAD foi tema de uma reportagem publicada hoje no JB (disponível aqui) por conta do lançamento de um CD para comemorar os 30 anos da entidade. Guiando a matéria, os eternos conflitos entre a classe artística e o ECAD. Na reportagem, ainda há uma lista com os maiores arrecadadores em shows no ano passado (encabeçada por Chico Buarque e com seu "parente" Carlinhos Brown na sua cola, em segundo lugar).

sexta-feira, 28 de março de 2008

Rock in Rio... Lisboa! Quem vai?

Com a presença dos californianos do Offspring devidamente confirmada, a terceira edição do sui generis Festival Rock in Rio Lisboa teve seu line up definido. O evento ocorrerá nos dias 30 e 31 de maio, e 1, 5 e 6 de junho na “Cidade do Rock” lusa, situada nos arredores de Lisboa.

No site oficial do Festival (http://rockinrio-lisboa.sapo.pt) é possível obter informações detalhadas sobre o dito cujo. No entanto, e a exemplo do que acontece na versão carioca do evento, é na periferia do Palco Mundo que se concentram as atrações mais interessantes – sobretudo para os que desejam expandir seus horizontes musicais e descobrir, por exemplo, que a música portuguesa contemporânea vai muito além do Madredeus.

De todas as edições do Rock in Rio Lisboa, aliás, a de 2008 é a que menos espaço dedicou às atrações portuguesas no palco principal. Apenas os veteranos do Xutos & Pontapés ocuparão o Mundo, no dia 1 de junho, espremidos entre o dinossauro Rod Stewart e a neo-soul woman Joss Stone, e abrindo para os alemães do Tokio Hotel. Nas edições 2004 e 2006, além do onipresente Xutos, Pedro Abrunhosa, Rui Veloso, Luis Represas e Da Weasel participaram do palco principal. Em termos absolutos, o espaço da música brasileira também diminuiu: apenas Ivete Sangalo (que participou das três edições!!) e os mineiros do Skank freqüentarão o Palco Mundo.

Por outro lado, na Tenda Electrónica e no Palco Sunset, concentram-se as atrações de perfil mais... alternativo (“alternativo”, aqui, como sinônimo de “não-tão-presente-nos-canais-hegemônicos-de-mídia”), e também mais palpitantes. Merecem destaque o trip-hop do Cool Hipnoise (31), a improvável parceria entre o rapper Boss AC e o veterano trovador Vitorino (4), o indie-rock cantado em inglês do Wraygunn (5) e o encontro do funk carioca de Deise Tigrona com o kuduru angolano do Buraka Som Sistema (6).

Mais sobre a terceira edição do Rock in Rio Lisboa, em breve, aqui neste espaço.