1) Não se ouve música estrangeira no Brasil - não há estrangeiros nas dez primeiras posições das duas listas (CDs e DVDs)
2) Só foi lançado um CD "de autor"- da cantora Maria Rita, que ficou na décima posição. O resto é "Ao Vivo", coletâneas, Acústicos lançados no ano anterior...
3) Os brasileiros são muuuito religiosos e a indústria fonográfica é toda católica - Padre Marcelo Rossi ocupa a primeira posição dos Cds e a segunda dos DVds.
4) São escutados somente os gêneros: pop rock de bandas dos anos 80 e 90 em Acústicos MTV (Jota Quest, Kid Abelha, o Rappa e Barão Vermelho); "pop pop" de duas cantoras (Ana Carolina e Ivete Sangalo); duas duplas sertanejas ( Cesar Menotti e Fabiano; e Bruno e Marrone) e os filhos de sertanejo Sandy e Júnior - dupla que já acabou mas ainda colhe os louros do Acústico. Mais Banda Calypso, Xuxa, duas coletâneas de Samba, High School Musical 2 - e é só!
Como sabemos que este pesquisador está equivocado, podemos concluir o óbvio. O fato de que a diversidade, riqueza, pluralidade e complexidade da música que se consome no Brasil está muito longe deste perfil. E que temos que incluir a música digital, em todas as suas expressões - vendida, trocada, pirateada, ouvida em celular, tocador de MP3 ou direto das rádios digitais na análise.
Cabe ainda destacar:
5) A queda de unidades vendidas foi somente de 17,2%. Mas, a de faturamento, corresponde a 31,2%, por conta da redução de preços dos CDs e DVDs em geral.
6) A venda digital movimentou R$ 24,5 milhões e subiu 185% em relação a 2006. Mas, isto representa 8% do mercado e ainda não compensa as perdas do item anterior.
Mas tem o outro lado - aumento de 185% num ano é por demais representativo de uma mudança de modelo de distribuição, não é?
É por estas e outras que a discussão em torno da Cauda Longa do consumo ( Chris Anderson) e das mídias de nicho é crucial para entendermos este mercado de forma mais complexa.

