domingo, 14 de outubro de 2007

A polêmica de Frankfurt

Ao longo de nossos estudos sobre Indústria do Entretenimento, discutimos uma ampla gama de temas que se relacionam. É impressionante notar que tanto ao tratar da questão do gosto e valoração dos produtos midiáticos, quanto de seus efeitos, ou ainda de sua estrutura organizacional, quase sempre esbarramos no tão polemico paradigma frankfurtiano. É impossível passar por uma Escola de Comunicação sem ouvir falar na famosa Escola de Frankfurt. Devido à popularização imensa da obra de Adorno e Horkheimer, "A dialética do Esclarecimento", principalmente de um de seus textos, "Indústria Cultural - O Iluminismo como mistificação das massas", falar em Frankfurt se tornou sinônimo de manipulação midiática , lixo cultural e de telespectadores passivos. Essa afirmação não deixa de ter uma parcela de verdade, entretanto um dos temas mais controversos e complexos que a comunicação tomou pra si como objeto, costuma carecer de contextualização histórica. É importante lembrarmos que a perspectiva adorniana estabelece um diálogo extenso com toda a racionalidade que se fundou a partir do século das luzes. Esse projeto consistia, muito sinteticamente, no domínio da natureza pela homem, o que o libertaria de um suposto atraso das sociedades tradicionais cuja base de conhecimento era o misticismo e a intuição. Isso resultaria na expansão da liberdade humana, de seu potencial de ser e agir no mundo. Adorno argumentou que essa racionalidade iluminista, não passou de um projeto que se converteu em uma racionalidade instrumental, que transformou o domínio da natureza pelo homem em domínio do homem pelo homem. A indústria cultural, viria, então como exemplo capital desse processo. Muito pouco desse contexto costuma ser ensinado aos estudantes, sendo as análises polarizadas ao redor de duas tendências: ou considerar os frankfurtianos como simples elitistas ou dizer que eles estavam realmente certos e que confirmaram o lugar comum de que mídia, realmente, manipula! Sobre essa questão cabe ler o texto de Claudio Tognoli, que gira em torno do discurso que Anamaria Fadul, presidente do Conselho Curador da Intercom, professou no enceramento de um congresso, acusando os professores de comunicação de interpretações errôneas e descontextualizadas das análises de Frankfurt. Apesar de escrito há dois anos, a questão é mais do que atual. Recomendamos também o texto de Renato Ortiz, "A escola de Frakfurt e a questão da Cultura", em que as idéias de Frankfurt são apresentadas de forma suscinta e contextualizada, ideal para introduzir a leitura dos complexos textos da Escola.

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