Hoje, eu, Simone e Dally, uma amiga nossa e aluna de Estudos de Mídia, fomos conferir o projeto Multiplicidades no Oi Futuro, antigo Instituto Telemar. A proposta do projeto é bem interessante: juntar experimentações musicais com projeções criando uma atmosfera imersiva, entretanto, acabou não funcionando muito bem. A parte musical ficou a cargo do Dj Diplo, um ótimo Dj americano que mistura funk com música eletrônica a partir de inúmeros samples e bases diversas, fazendo uma mistura bem interessante. As projeções ficavam a cargo de LeandroHBL que também escolheu diversas figuras cariocas e decompôs os seus corpos em pedaços que eram projetados em diversas telas. Entretanto, ao chegar no espaço do evento nos deparamos com uma arquibancada cheia de almofadas e um espaço vazio logo à frente. Ao sentarmos ficávamos de cara com as projeções e com o Dj, muito escondido em um canto. Ficamos todos olhando as imagens sem saber o que fazer. O evento era aquilo mesmo ou algo mais estava por vir? Pra que estávamos sentados e olhando pra uma tela já que não tinha nenhum filme passando? Devíamos dançar? O som que ouvíamos deveria nos levaria a isso, mas dada a disposição do espaço, não éramos convidados a tal. O fato do evento começar às 19:30 e de não aquela típica movimentação de boate que nos anima, também contribuía para ficarmos parados. A situação ficou tão esquisita que um dos amigos do Diplo pegou o microfone e disse: "podem dançar". A partir daí algumas pessoas se animaram, mas nem de longe pode-se dizer que o público ficou entusiasmado. Isso nos mostra que ao pensar em música não pensamos somente em uma sonoridade, mas em toda uma conjunção de fatores que vai ser fundamental para valorizar ou não o material sonoro. O fato de o evento começar cedo e dispor de uma arquibancada me preparou psicologicamente para algo como uma performance multimídia, algo que requer muitos mais uma recepção "cerebral" do que corporal. Chegando lá e vendo uma música altamente dançante, fiquei confuso e desnorteado. Tinha sido frustrado o meu horizonte de expectativas, um dos fatores principais na maneira como julgamos produtos culturais. Sempre esperamos algo quando nos deparamos com qualquer um deles: a forma como o valorizaremos, positiva ou negativamente, vai estar intrinsecamente ligada ao diálogo com aquilo que esperamos. Isso não quer dizer que ser surpreendido é algo sempre ruim, mas que nossa sensibilidade é guiada a partir de certos padrões que vão balizar nosso julgamento sobre a qualidade desses produtos, o que quando estamos tratando de música, como já disse, não se resume ao material sonoro, mas aos espaços de difusão, formas de consumo, etc... É só assim que podemos compreender como uma música ótima somada a uma iluminação e projeções boas, além da presença de amigos pode resultar em um evento ruim.. Para não finalizar de forma rancorosa, lhes desejo um bom final de semana e deixo um set do incrível Diplo para animá-los.
SeeqPod Music beta - Playable Search
Incrível o player, não? Falarei dele no meu próximo post. Aguardem!
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