terça-feira, 9 de novembro de 2010

Entretenimento e Globalização



O melhor livro que li nos últimos anos foi “A corrida para o século XXI: no loop da montanha russa”, em que o historiador Nicolau Sevcenko explica no capítulo “Máquinas, massas, percepções e mentes” a importância do entretenimento para a consolidação do mundo globalizado.

Sevcenko volta ao fim do século XIX, época que ele considera ser berço do capitalismo monopolista, pois estão se formando as grandes multinacionais (em substituição às empresas familiares), e narra a transformação do conceito de lazer para o de entretenimento, com o surgimento das diversões baratas para as massas, como os parques de diversões, os cinemas, e outros grandes centros de lazer que incluíam em um mesmo lugar várias experiências de divertimento.

Mas a inovação da narrativa do livro está em defender que as novas percepções e sensibilidades geradas pelas novas experiências de entretenimento trouxeram ao indivíduo moderno a possibilidade e a sensação de estar sempre em movimento, atitude que o autor defende ser uma exigência da globalização.

É como se o entretenimento estivesse preparando as pessoas, já no fim do século XIX, para um período histórico de intensa fluidez e efemeridade. As sensações geradas pelas novas formas de diversão se assemelhavam ao ritmo da globalização, que segundo Sevcenko, se consolidou nos anos de 1970.

O livro contribui bastante também para entendermos a formação das grandes metrópoles como sendo berços dessas experiências efêmeras e isoladas. Tenta explicar historicamente a formação do sentimento de solidão e isolamento nas cidades, já que foram habitadas por indivíduos com culturas totalmente diferentes e que, por isso, sentiam dificuldade de se identificarem com a coletividade. Os grandes centros de entretenimento, nesse sentido, eram mediadores importantes, na época, dessas culturas distintas.

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