quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Não procuremos o velho no novo, mas o novo no velho

Recentemente, a relação entre duas notícias de tecnologia me chamaram a atenção no caleidoscópio dos portais eletrônicos. A primeira é sobre o supercomputador mais veloz do mundo, apresentado pelo Partido Comunista chinês. A segunda mostra mais um acessório para Ipod.

O supercomputador chinês Tinhane-1 é 1,4 vezes mais rápido que o segundo lugar americano. Mas, como comentou o engenheiro de microchips Seven J. Wallach, seu anúncio é apenas um momento na corrida tecnológica. A supermáquina digital é um arranjo de componentes americanos  (7168 GPUs Nvidia Tesla e 14 336 processadores Intel Xeon) que certamente será superada em breve. Interessante pensarmos que diante da máquina mais poderosa do mundo, temos a sensação de que ela não será mais capaz que um gadget em futuro próximo. Uma sensação de aperfeiçoamento contínuo dos aparelhos. Algo que se acentuou com a passagem à era digital, um salto na história assim como a eletricidade ou a óptica. 


Não por acaso, os chineses apontaram a indústria da animação como uma das possíveis finalidades do supercomputador. O aumento da capacidade de processamento torna possível efeitos de ilusão sempre novos. Novidade é combústivel para o entretenimento - a outra face das máquinas de guerra, como gosta de lembrar Kittler.  



Já o acessório de Ipod parece fazer o movimento inverso na trilha do aperfeiçoamento tecnológico, ou seja, não surge de um avanço dos laboratórios mas de uma idéia simples: a adaptação de uma remota solução acústica. O aparelho consiste em um tubo em forma de concha, como o do gramophone. Acoplado à saída de som do Ipod, ele aumenta o volume da música sem consumir energia.

A idéia é simples mas remete a um tema muito interessante que é a diversidade de formas tomadas por aparelhos de mídia. Foi instigado por essa estranha fauna de objetos que o escritor de ficção científica Bruce Sterling começou o "Dead Media Project". Desde 1995, seus colaboradores colecionam de video-games antigos a objetos de nomes estranhíssimos como Megalethoscope e Cosmorama (aparelhos que em algum momento concorreram com a fotografia).

Reunidas, essas mídias mostram relações entre modelos que tiveram grande êxito comercial e experiências de sucesso efêmero ou que nem mesmo saíram dos laboratórios e garagens. Uma diversidade que emerge da experimentação e da corrida por instrumentos mais encantadores ou eficientes. 


Esse universo das formas materiais das mídias rende boas reflexões, como as que ilustram o livro Arqueologia da Mídia, de Zielinski, autor alemão que está orientando o pós doutorado do professor Erick Felinto, da UERJ.

Além disso, o inventário é um gande baú de idéias esquecidas, que podem ganhar nova força na atualidade. Como vemos hoje com as imagens 3D, quase tão antigas quanto as fotografias, ou o híbrido "Gramopod". 


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