No domingão, tinha acabado de enviar uma proposta de paper para o Congresso de História das Mídias, pro GT de Mídias Sonoras, sobre o tema dos toca-discos. Meu interesse é investigar a materialidade desta forma de reprodução sonora, a partir da noção de Remediação (do Bolter e Grusin, no texto Remediation) e dos argumentos do Jonathan Sterne; pensando ainda em como uma forma "obsoleta" de escuta sonora foi recuperada na contemporaneidade - não só na cultura eletrônica mas por várias comunidades de gosto.
Eis que pego a revista de domingo (do Globo) e a capa fala de quê? Exatamente do culto ao vinil por colecionadores famosos e da volta dos tocadores - de vitrolinhas portáteis a pick-ups high-techs. Não sou saudosista, adoro as novas tecnologias de produção e reprodução de música, mas amo e escuto meus discos de vinil direto.Já tenho duas pick-ups bacanas, mas confesso que ter uma vitrolinha colorida portátil é tu-do. Sonho de consumo!
Mas, o que gostei mais foi a dica do site Sleeveface, que detonou uma mania que a revista estava imitando: a de posar com a capa do disco favorito cobrindo o rosto. O efeito é muito legal - já tinha visto isto outras vezes, mas no site as apropriações são incríveis.
Fiquei com vontade de convencer o povo do LabCult a fazer umas fotos assim - que tal, galera?
Mas, continuando a profecia que abre o post, recebi no mesmo dia um artigo (enviado pelo Afonso) sobre o mesmo assunto. O título é "it Kind of gives you that vintage feel: vinyl records and the trope of death", dos autores Emily Chivers Yochim e Megan Biddinger. É da revista Media, Culture and Society, edição de março de 2008; e o link para a revista é este.
Mas, se alguém se interessar e tiver dificuldade em localizar - pois o acesso só é gratuito a partir do Portal da CAPES - eu repasso por e-mail.


