segunda-feira, 31 de março de 2008

Os toca-discos morreram?? Claro que não!

Mais uma da série: o universo conspira a favor de uma idéia (êta Paulo Coelho bom!). Ou não existem coincidências. (hã,hã).

No domingão, tinha acabado de enviar uma proposta de paper para o Congresso de História das Mídias, pro GT de Mídias Sonoras, sobre o tema dos toca-discos. Meu interesse é investigar a materialidade desta forma de reprodução sonora, a partir da noção de Remediação (do Bolter e Grusin, no texto Remediation) e dos argumentos do Jonathan Sterne; pensando ainda em como uma forma "obsoleta" de escuta sonora foi recuperada na contemporaneidade - não só na cultura eletrônica mas por várias comunidades de gosto.

Eis que pego a revista de domingo (do Globo) e a capa fala de quê? Exatamente do culto ao vinil por colecionadores famosos e da volta dos tocadores - de vitrolinhas portáteis a pick-ups high-techs. Não sou saudosista, adoro as novas tecnologias de produção e reprodução de música, mas amo e escuto meus discos de vinil direto.Já tenho duas pick-ups bacanas, mas confesso que ter uma vitrolinha colorida portátil é tu-do. Sonho de consumo!

Mas, o que gostei mais foi a dica do site Sleeveface, que detonou uma mania que a revista estava imitando: a de posar com a capa do disco favorito cobrindo o rosto. O efeito é muito legal - já tinha visto isto outras vezes, mas no site as apropriações são incríveis.
Fiquei com vontade de convencer o povo do LabCult a fazer umas fotos assim - que tal, galera?

Mas, continuando a profecia que abre o post, recebi no mesmo dia um artigo (enviado pelo Afonso) sobre o mesmo assunto. O título é "it Kind of gives you that vintage feel: vinyl records and the trope of death", dos autores Emily Chivers Yochim e Megan Biddinger. É da revista Media, Culture and Society, edição de março de 2008; e o link para a revista é este.

Mas, se alguém se interessar e tiver dificuldade em localizar - pois o acesso só é gratuito a partir do Portal da CAPES - eu repasso por e-mail.

domingo, 30 de março de 2008

Texto Teorias Críticas

Este é quase um off-topic. É o link para um dos textos da próxima aula de Teorias Críticas.
E também o endereço do novo blog - para os alunos e interessados no tema.Funcionando em versão beta (pois ainda estou ajustando a imagem do cabeçalho)

Quem já viu?




Gente! Descobri uma pérola trash, deliciosa, este fim de semana na locadora. É um falso documentário (mockumentary -ugh! é assim que se escreve?) - chamado Ritmo Acelerado (It´s all gone, Pete Tong), sobre a ascensão e queda de Frankie Wilde, um DJ de Ibiza que fica surdo... E mais não vou contar, pra não estragar.

Eu não tinha nenhuma informação prévia, peguei na estante totalmente no chute, jurando que não devia prestar. Mas, foi uma surpresa. Depois de assistir e a-mar, fui fuçar na internet.Claro! - havia site oficial, um monte de comentários, verbete na wikipedia, videos no youtube, críticas no rraurl, blogs comentando, discussão se é mesmo fictício e tudo mais.

O filme é de 2005, não chegou a ser lançado nos cinemas e foi direto pro DVD.O legal é que toca no tema central da pesquisa de Marcelo Garson, sobre a ascensão dos Djs Superstars durante os anos 90 - que discutimos na última reunião do grupo na sexta.

Tá tudo lá, em tom de sátira! A farra da ilha que inventou uma certa versão da cultura eletrônica ensolarada e hedonista, os excessos, as drogas - em especial a cocaína voando pros narizes -mais o culto aos Djs tratados como popstars pelos frequentadores, os empresários oportunistas, as festas em locais lendários como Pacha, Amnesia, Privilege...

Entremeado por depoimentos "sérios" de gente como Tiesto, Carl Cox, Paul van Dyck e outros Djs top, além da participação do Pete Tong do título - Dj e referência na divulgação da cultura eletrônica, através de seu programa na BBC. Mais uma trilha sonora deliciosa e um ator ótimo, Paul Kaye, fazendo o papel do DJ ensandecido - tudo isto torna o filme um ótimo programa.

Ah! E tem uma frase que - desculpem a pieguice - é linda. A cena é quando o cara, depois de quase pirar, se conforma de que tá mesmo surdo. Começa então a lidar com o fato; depois se apaixona pela professora de linguagem labial, maluca como ele. E ela diz, lá pelas tantas: Relaxe! Se acalme! Confie nos outros sentidos!E ele descobre um monte de coisas bacanas a partir daquele momento - não, juro que não vou mesmo contar o resto! - mas é comovente.

Peguem agora na locadora ou baixem... e depois comentem aqui se gostaram...



ECAD lança CD de comemoração

Presente em uma de nossas conversas no último encontro do grupo, o controverso ECAD foi tema de uma reportagem publicada hoje no JB (disponível aqui) por conta do lançamento de um CD para comemorar os 30 anos da entidade. Guiando a matéria, os eternos conflitos entre a classe artística e o ECAD. Na reportagem, ainda há uma lista com os maiores arrecadadores em shows no ano passado (encabeçada por Chico Buarque e com seu "parente" Carlinhos Brown na sua cola, em segundo lugar).

sexta-feira, 28 de março de 2008

Rock in Rio... Lisboa! Quem vai?

Com a presença dos californianos do Offspring devidamente confirmada, a terceira edição do sui generis Festival Rock in Rio Lisboa teve seu line up definido. O evento ocorrerá nos dias 30 e 31 de maio, e 1, 5 e 6 de junho na “Cidade do Rock” lusa, situada nos arredores de Lisboa.

No site oficial do Festival (http://rockinrio-lisboa.sapo.pt) é possível obter informações detalhadas sobre o dito cujo. No entanto, e a exemplo do que acontece na versão carioca do evento, é na periferia do Palco Mundo que se concentram as atrações mais interessantes – sobretudo para os que desejam expandir seus horizontes musicais e descobrir, por exemplo, que a música portuguesa contemporânea vai muito além do Madredeus.

De todas as edições do Rock in Rio Lisboa, aliás, a de 2008 é a que menos espaço dedicou às atrações portuguesas no palco principal. Apenas os veteranos do Xutos & Pontapés ocuparão o Mundo, no dia 1 de junho, espremidos entre o dinossauro Rod Stewart e a neo-soul woman Joss Stone, e abrindo para os alemães do Tokio Hotel. Nas edições 2004 e 2006, além do onipresente Xutos, Pedro Abrunhosa, Rui Veloso, Luis Represas e Da Weasel participaram do palco principal. Em termos absolutos, o espaço da música brasileira também diminuiu: apenas Ivete Sangalo (que participou das três edições!!) e os mineiros do Skank freqüentarão o Palco Mundo.

Por outro lado, na Tenda Electrónica e no Palco Sunset, concentram-se as atrações de perfil mais... alternativo (“alternativo”, aqui, como sinônimo de “não-tão-presente-nos-canais-hegemônicos-de-mídia”), e também mais palpitantes. Merecem destaque o trip-hop do Cool Hipnoise (31), a improvável parceria entre o rapper Boss AC e o veterano trovador Vitorino (4), o indie-rock cantado em inglês do Wraygunn (5) e o encontro do funk carioca de Deise Tigrona com o kuduru angolano do Buraka Som Sistema (6).

Mais sobre a terceira edição do Rock in Rio Lisboa, em breve, aqui neste espaço.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Holodeck para todos!

Para aqueles que não perderam as esperanças de experimentar o holodeck (aquele do Star Trek, lembra?), vale conferir a última edição da The Escapist.
Sob o título "How to build a holodeck", o artigo de Tom Rhodes aponta uma série de tecnologias que levam a crer que talvez ele não esteja tão longe assim de se tornar realidade... (ou atualidade!).

quinta-feira, 20 de março de 2008

Não é piada

Reflita durante alguns segundos sobre a expressão “música portuguesa”. Qual destas imagens ou sonoridades passou mais vivamente diante de seus olhos e ouvidos?

(a) o fado melancólico de Amália Rodrigues
(b) o infame “vira” de Roberto Leal
(c) bolinhos de bacalhau (ok, eles não têm muito a ver com música, mas enfim...)
(d) Vasco da Gama (o time de futebol, e não o navegador)

Aos que assinalaram a opção (a) ou (b), uma conferida no site/blog http://rockemportugal.blogspot.com/ pode servir para oxigenar as idéias. Seu criador, Aristides Duarte, além de atuar como professor do Ensino Fundamental (!) no Distrito da Guarda (Concelho de Sabugal – em Portugal, onde mais?), acabou de lançar a terceira edição, revista e actualizada, do livro Memórias do rock português. Funcionando para o “rock de tamancos” como o BRock de Arthur Dapieve funciona para o “rock de bermudas” (estereótipos à parte), o livro parte de uma breve trajetória histórica do rock and roll em Portugal desde os anos 60 até hoje, para em seguida se deter nas biografias das bandas e artistas mais representativos, como os veteranos do Xutos & Pontapés, GNR, UHF e Rui Veloso, bem como os novos Clã e Mão Morta.

Em que se pesem as eventuais derrapadas que toda obra gestada no peito e na raça geralmente apresenta (como foi editado pelo próprio autor, o livro é bastante problemático no quesito revisão), as Memórias... de Aristides acabam se configurando como referência bibliográfica indispensável sobre o assunto, já que A arte eléctrica de ser português – 25 anos de rock’n Portugal (1984), de Gonçalo Duarte, está esgotado há décadas. O blog, por sua vez, disponibiliza vídeos, fotos e capas de alguns discos clássicos. É curioso perceber como as trajetórias midiáticas destes dois “rocks nacionais” em muito se assemelham, embora saibamos muito pouco ou quase nada a respeito do rock d’Além-Mar.

A pesquisa “Ruídos e assimetrias no intercâmbio Brasil-Portugal: consumo musical e identidades juvenis entre a ‘modernidade’ e a ‘tradição’”, que desenvolverei como aluno do doutorado em Comunicação da Universidade Federal Fluminense a partir deste ano, gira em torno destas e de outras questões, relacionadas à música popular massiva portuguesa contemporânea, sobretudo em seu diálogo (às vezes silencioso, na maioria das vezes inexistente) com o imaginário musical brasileiro. Lançar uma luz sobre esse rock português, virtualmente desconhecido entre nós, será um dos objetivos das minhas intervenções neste espaço do LabCULT.

Sejam bem vindos à discussão, ó pá.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Literatura eletrônica na sala de aula

Foi lançado agora em março o novo livro de N. Katherine Hayles, autora de How we became posthuman e uma das editoras da Electronic Literature Collection.

O livro leva o nome de
Electronic Literature: New Horizons for the Literary e acompanha não só um CD com a coleção, como um website com (alguns) trabalhos de autores diversos, ementas de cursos relacionados ao tema, biografia dos autores da coleção e um blog (ainda incipiente).

A idéia é que o
site sirva para auxiliar alunos e professores de literatura digital. Uma iniciativa muito bacana, ainda que a idéia do site complementar não seja nova. :)